— Hanna, por favor me tira daqui! - falo baixinho ao telefone abaixada na mesa enquanto o professor da faculdade de direito explicava sua matéria.
— Fala sério, Bella, você tem que fazer isso. E se não conseguirmos sair desse mundo? - ela berra comigo por causa do barulho da construção que estão fazendo no prédio do seu trabalho.
— Nós vamos conseguir sair sim! - quero muito aumentar o tom da voz, porém ficaria sem o celular. — E pra você continua sendo vossa majestade.
— Boa aula, vossa majestade... — consigo ouvir sua risadinha tosca do outro lado da linha enquanto ela desligava.
Ergo a cabeça tentando ser discreta, mas quando passo os olhos pelo salão da aula todos estão olhando um corpo parado feito uma estátua na minha frente:
— Usando o celular, Srta. Scocian? - o professor fala.
— Estava. - confesso.
— Menos 10 pontos da sua nota final. - ele marca em sua prancheta com caneta vermelha.
— Obrigada, assim não tenho motivos para continuar nessa aula chata se terei que voltar ano que vem! - pego minhas coisas e me levanto saindo em direção a porta da sala.
Acompanhei Cecília em sua primeira ultrassom que serve mais para descobrir o sexo do bebê. Entrei na sala quando escutei as palmas de minha prima gritando que seria uma menina. Quanta menina nessa família.
— Vai chamar Raven! - Cecília sorri toda feliz.
A doutora se vira para nós duas e seus olhos são muitos familiares. Ela retira a máscara descartável que cobre o rosto e um sorriso sonso.
— Vocês se conhecem? - Cecília pergunta vendo a cara feia que fiz.
— Prazer, Dra. Gold. - ela estende a mão para me cumprimentar, mas eu recuo.
— Eu sei quem você é, Celine.
— Eu fiz seu parto, lembra? Como foi dolorido pra sua filha sair! Liliam não é? - ela abre o sorriso mais falso do mundo, enquanto a idiota da Cecília se ilude com a falsa médica.
— Vamos embora, Cecília. - ela me olha com aqueles olhos esverdeados confusos. — Agora!
...........
2 SEMANAS DEPOIS...
Saio de casa às pressas e toda a família vem correndo atrás de mim. Mathew sai para fora correndo com Liliam no colo. Estávamos num jantar para eles conhecerem Mathew novamente, mas as ideias de como voltar para Arendel surgiram novamente.
Entro no carro e dou ré. Saio a 120 Km/h, numa pista para se andar a 80 por hora. Vejo uma loira com a silhueta de Celine na rua, e por acaso, está usando jaleco branco. Taco o carro em cima do meio-fio.
— Entra! - abro a porta do passageiro da frente para Celine entrar.
— Você ficou louca né, garota? - ela dá risada. — Você nunca mandou e nem vai mandar em mim, Arabella.
— Entra agora! - apontei o revólver para ela, que entrou rapidamente fechando a porta. — Não precisa colocar o cinto, nosso passeio é rápido.
Arranco com os pneus do meio - fio e pego direção sentido à estrada onde me tiraram do acidente.
— Onde você pretende chegar com isso, sobrinha?
— Não me chama assim, cacete. - por mais que eu não fale palavrão e fique assustada pelo meu comportamento neste mundo, não esbocei nenhuma expressão de correção.
— O que você quer de mim? - ela boceja querendo dizer que está entediada.
— Eu tive que morrer em Arendel para poder vir para essa época, certo? Eu acordei no hospital e me disseram que eu havia batido o carro nessa estrada, não estou certa? - Celine começou a arregalar os olhos e balançar a cabeça para esquerda e direita dizendo "Não". — E como estou sem magia nesse mundo, não consigo atravessar algum espelho para poder voltar ao meu reino e cuidar das pessoas que necessitam de mim lá.
— A essa altura, o reino já foi destruído. - Celine deu risada. Aquela risada que só ela tinha. — E você não vai fazer o que eu estou pensando. Como ficaria sua filha, sua família e seu marido?
— Mathew conseguiu se lembrar de quem somos. - senti que ela prendeu a respiração. — Terminando meu raciocínio... E se o único jeito de voltar fosse morrendo de novo junto com a pessoa que morreu junto comigo em Arendel e que por acaso foi quem nos trouxe para cá? - fiz uma curva em alta velocidade e ela se segurou no banco puxando o cinto de segurança.
— Arabella, é suicídio! Eu te dei uma carreira boa, sua casa ainda é o castelo, você tem seu marido que se lembra, sua filha. Não estrague minha vida por favor...
— Eu sou uma rainha, tenho súditos para cuidar! - gritei e vi Celine se encolhendo no canto.
— Por favor...
— Tarde demais... - já estava a 180 quilômetros por hora. Pisei o pé no acelerador e segui a estrada a 200 por hora, desviei da estrada e bati no poste de luz onde fora encontrada no dia que acordei nesse mundo. O carro foi capotando.
Os pedaços de vidros entraram nos meus braços, barriga e cortaram meu rosto. A vida mais uma vez foi desfalecendo de mim outra vez. Não fazia a menor ideia se ia dar certo o que tinha em mente, mas o mundo seria melhor sem Celine. Isso é o que rainhas fazem: se sacrificam por aqueles que amam só para que eles fiquem bem. Não importa se você não esteja lá para ver. Mais uma vez a minha alma deixou meu corpo, deixando-me totalmente vazia. Mas, valia a pena morrer por quem eu amava!
— BELLA!
Respirei tão fundo que a adrenalina subiu e deixou meus olhos amarelos e fizeram minhas presas saírem para fora. Passei os olhos pelo local e vi que havia muito sangue no chão e vários corpos caídos. Alguns com ternos de grife e outros corpos com vestidos de gala e luvas nas mãos. Dei-me conta que conseguira voltar para Arendel.
— Você conseguiu! - Mathew me abraça junto com Hanna.
Começo a chorar tudo o que eu precisava chorar. Tudo o que eu tinha guardado para mim nestes últimos dois anos quando Mathew apareceu no palácio e tudo o que eu havia guardado naquela eternidade chamada Nova York. Ouço correntes se arrastarem pelo chão e decido ver o que era. Limpo as lágrimas e vou em direção ao som. Quando vejo o que significa o barulho arregalo os olhos e com o queixo caído consigo dizer apenas:
— Meu Deus...
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Laços De Sangue
Romance- Majestade? - já é noite e vejo ela sentada à beira do penhasco olhando para a lua. - Por favor, deixe eu me explicar. - agacho ao seu lado e ela me olha. Seus olhos estão submersos em lágrimas. Aqueles olhos cor de mel que brilhavam e chamavam tod...
