Soojin

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[Fevereiro, 2008]

Meu nome é Seo Soojin e tenho 13 anos. Havia passado 6 meses desde que minha vida desmoronou por completo. Meu pai sofreu um acidente quando viajava a negócios, pegou justo o ônibus que continha defeito nos freios, maldita hora que mandaram ir a outra cidade para trabalhar. Ele foi arremessado pela janela e bateu a cabeça fortemente em uma pedra, graças a isso o meu querido pai se encontra em coma, internado e diagnosticado com uma perturbação grave no funcionamento cerebral devido ao trauma crânio-encefálico.

A partir daí, minha amável mãe passa o dia todo no hospital e eu não a julgo, porém é difícil para uma garota da minha idade passar por toda essa experiência sendo tão nova. O médico Suho e enfermeira Irene disseram que o quadro em que meu pai se encontra é complicadíssimo e irreversível, e que logo desligariam os aparelhos se mamãe consentisse. Meu coração disparou, eu não aceito que da noite para o dia, a minha vida que era tão perfeita tenha se tornado um verdadeiro inferno.

Eu não aguento mais tudo isso, eu anseio minha morte, não quero ir a escola e encarar aqueles adolescentes patetas que fingem ser sempre alegres, mas todos temos nossas dores.

Eu percebo a mamãe muito preocupada com a saúde do meu pai que não vai melhorar, mas ela se agarra em um fio de esperança e se recusa a desligar os aparelhos, assim como eu, e mesmo cheia de dívidas, ela continua mantendo o papai no melhor quarto da clínica.

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Arrumei minha mochila para a aula e recolhi uma maçã vermelha e doce para comer durante o intervalo. Fui caminhando pois estudava a poucos metros da minha casa, e quando cheguei observei que estava adiantada, então sentei na escada e deixei meu violino ao lado. Sem muito o que fazer, comecei a ler o livro de notas musicais, até que um rapaz novato se aproxima.

Ele seria bonito se não tivesse uma cicatriz tão exposta, o médico que cuidou disso não fez um bom trabalho, me deu agonia conversar com ele, mas fiz o meu melhor tentando não encarar aquele ferimento. Mas o real problema era a minha indisposição para continuar o diálogo, então me livrei do sujeito o mais rápido que pude.

Seria a primeira aula minha do ensino médio, estava um pouco ansiosa e assustada, nada que eu não conseguisse controlar. Aquele rapaz estranho entrou atrasado e levou uma pequena bronca do professor, a sua sorte é que Jongin é um ótimo profissional e soube lidar tranquilamente com a situação.

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[Setembro, 2008]

Mais um dia normal sem novidades se completa, e como todos os dias procurei meu violino para aprender novas músicas que acabara de ser lançadas. Mas o que me estranha é: onde está meu violino? Eu tenho certeza que deixei no meu guarda-roupa, mas não está lá. Talvez eu tenha esquecido na escola, ou talvez está em algum canto da casa. Começo a revirar todo o meu quarto, depois vou à sala, e finalizo até mesmo no banheiro a minha busca. Definitivamente não está comigo. Será que alguém o roubou? Ou eu o perdi?

Estou tão triste que chego a soluçar a cada lágrima que escorre dos meus olhos percorrendo minha face. Liguei aos prantos para os "achados e perdidos" da escola, e ninguém viu qualquer tipo de instrumento. Fiquei decepcionada comigo mesma, porque era o último presente de aniversário que eu havia ganhado com tanto carinho do meu amado pai, aquele violino era insubstituível.

Subitamente, escuto a tranca da porta se abrindo, era a minha mãe. Corri para os braços dela e chorei cada vez mais, não consegui explicar, a casa estava silenciosa e a única coisa que se ouvira era o meu choro desesperador.

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