Capítulo Três

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CAL

DEVE SER MEU QUINTO DRINK. Minha cabeça começa a rodar, mas eu não paro. Eu preciso de alguma distração.

Meu irmão gargalha ao meu lado.

— Por Deus, Cal. Que bagunça! — Maven continua rindo.

Eu viro todo o conteúdo do meu copo de uma vez.

Tudo gira outra vez.

— Eu sei. Merda, estou ferrado — peço mais um.

— E eu pensando que você nunca faria besteiras...

— Você sabe muito bem que já fiz idiotices.

— Constantemente, eu sei — ele diz. — Porém, isso? É além dos seus padrões. Suas bobagens são tranquilas. Casar com a pessoa que você mais detesta no mundo?

— Segunda pessoa que mais detesto no mundo.

Maven se cala por um momento.

Estou falando de nosso pai e ele sabe.

— Enfim, você está se punindo — ele conclui.

— Eu não tenho escolha.

— Você tem. Mas você se ferra em qualquer decisão que tomar.

— Incentivador.

— Sempre — ele me dá dois tapinhas no ombro. — Cal, apesar dessa situação em que se meteu, você sabe que pode contar comigo para qualquer mentira que quiser contar.

— Ah, eu sei — agora eu rio.

Quando minha bebida chega, Maven a rouba de mim.

— Chega, ok? Não quero que você entre em coma alcoólico.

— Já parou para pensar que essa pode ser minha intenção? — Respondo melancólico.

— Para com isso. Coragem, irmãozinho. Você vai conseguir. Casamento de fachada não deve ser tão difícil.

— E como você sabe?

Ele ri.

— Talvez eu tenha me casado duas ou três vezes. Em Las Vegas. Em um noite de farra.

Eu o cutuco com meu cotovelo, e sorrio.

— Mare não deve ser tão ruim assim — ele continua. — Talvez, quem sabe, funcione. Vocês terão a chance de se conhecer neste fim de semana.

Eu o olho, indignado. Quando foi que ele se tornou Team Mare?

— Você me ouviu falando dela nos últimos dois anos. Eu nunca tive nada de positivo para dizer.

Ele bebe o que era para ser meu drink.

— Só estou dizendo para você dar uma chance. Facilite sua vida. Talvez não para um romance, mas uma amizade. Tornaria tudo melhor.

— Duvido que a cascavel tenha emoções humanas. Duvido ainda mais que ela queira ser minha amiga. Acho que ela nem deve ter amigos.

— Não seja cruel, Cal.

É isso, Maven é a favor de Mare e eu não entendo o motivo.

Eu suspiro e vejo como estou indo longe demais, mesmo que não entenda o favoritismo dele. Sei que é meu rancor falando mais alto.

— Certo. Ok. Vou tentar.

Maven acena, contente.

Sendo sincero, eu não acredito em mim.

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