Capítulo Quatro

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MARE

CORIANE NOS LEVA PARA O QUARTO. Porém, um só quarto. Onde minhas malas e de Cal estão.

— Nós vamos dividir o quarto? — Eu pergunto o óbvio, mas não consigo acreditar.

— Sim, querida. Vocês são... um casal.

Nós somos. Mas, não de verdade.

Eu tomo alguns segundos para olhar o quarto. Um quarto de luxo, diria. Rústico e com enorme janelas com a vista perfeita da ilha. Há uma sacada cheia de flores e dois bancos. É uma suíte, o banheiro fica do lado direito.

— Mas você não acha isso antiquado? — Eu insisto, incomodada.

Não posso. Não quero dividir o mesmo quarto que Cal. Há só uma cama e dois de nós.

Coriane ri.

— Eu acho errado — digo. — Cal, você não acha isso errado?

Diga que sim, diga que sim.

Cal só dá de ombros.

— Eu não me importo.

Inútil.

— É claro que não — eu sussurro.

— A casa está cheia, Mare. Não estamos com quartos sobrando. E eu reservei o melhor para vocês.

Ela diz tão gentil, e parece um pouco chateada.

Eu não estou rejeitando o quarto pela qualidade, mas sim porque Cal vai ficar aqui.

— Tudo bem. Me desculpe — digo da maneira mais suave que posso. Não sei por que, mas quero passar uma boa impressão para Coriane.

Coriane nega o pedido com a mão.

— Imagine. Bom aqui é o banheiro, neste armário tem toalhas e cobertas. O controle para as luzes e cortinas está bem ali — ela aponta para a mesa.

Ela se despede e nos deseja boa noite.

Espero alguns minutos para ter certeza de que ela não voltará para que eu possa bater em Cal.

O acerto bem no ombro e ele pula com o susto. Não com o soco. Deprimente.

— Que foi? — Ele pergunta, zangado.

— Você usou a língua!

Nosso beijo. Aquele momento vergonhoso.

Cal revira os olhos quando se dá conta sobre o que estou falando.

— Não usei nada — ele pega sua mala e começa a desfazê-la.

Eu o persigo.

Me coloco ao seu lado, com as mãos na cintura.

— Eu senti! — Afirmo.

— Eu não fiz isso. Talvez você tenha imaginado a coisa toda. Acho que você queria que eu tivesse feito isso — ele se vira para mim, os braços cruzados, se divertindo com minha fúria. — Sabe se lá Deus o que mais você tem imaginado fazer comigo — ele ergue as mãos, como se a ideia o assustasse.

Eu faço um som de nojo e lhe dou um chute no canela.

— Você precisa parar de bater em mim — ele cata algumas peças de roupas e entra no banheiro.

— Pare de me dar motivos — eu grito quando ele fecha a porta.

Momentos depois, escuto o chuveiro ligado e é muito estranho saber que Cal está ali.

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