Meu Garoto

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N/A: Então... É a primeira história que eu posto e aaaa. Mas, no geral, eu terminei de ler Wayward Son outro dia e ainda estou chorando. O livro é muito bom? É. Só que é uma TORTURA. Sério.

Essa one é em um Universo Alternativo, sem mágica, onde eles terminam e o Baz não sabe lidar muito bem com isso. Eu não sei se consegui fazer direitinho, e se vocês vão enxergar o Baz no personagem principal. Maas, espero que sim.

N/A.2: eu fui ler isso de novo pra corrigir algumas coisas e adicionar PARÁGRAFOS e eu tô chorando. Bom dia.
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Como fingir não ter notado que ele se foi?

S

imon está sentado em uma das mesas do refeitório. Vestindo calça jeans e um moletom. Sorrindo tão abertamente que de primeira, eu não sei quem é. Ou talvez saiba, entretanto de outra época. 

Ofuscando todos ao seu redor, tão bonito.

Ele costumava ser meu, esse garoto. 
Mas agora anda por aí rodeado de gente que eu não conheço e que não o conhece também. 

Grande coisa, não acho que ainda sei quem ele é. Porque ele é menos meu que antes, e tudo dele que ainda me pertence é a parcela que todos os outros podem ver.

Lembro do dia que ele me deixou como se fosse ontem. 

Tinha um porta-retratos com uma foto nossa na mesinha de centro e ele estava sentado no chão fingindo prestar atenção em um programa tosco na TV. 

Meu garoto, se naquele momento eu soubesse, teria amarrado nossos corações juntos.

Há três meses atrás, ele estaria no sofá gargalhando e sendo abraçado por mim. Eu mexeria em seu cabelo quando Simon se acalmasse e beijaria a marca de nascença que ele tem na bochecha. 
Porém, de repente ele virou uma bagunça triste. Sem brilho e desbotado nas bordas. 

E era muito difícil, tão cansativo… não sabia como consertá-lo.

Levei-o para passear e ele não sorriu o caminho inteiro. 

Todo feito de melancolia, o meu garoto. 

Quando chegamos no parque, eu ganhei seu primeiro riso com um mimo e quase acreditei que ficaríamos bem. Porque Simon riu a tarde toda mesmo que nós dois soubéssemos que ele queria chorar. Eu quis também.

Nós estávamos indo embora e eu vi uma lágrima cair. Travamos do lado do carro e ele finalmente me encarou com um sorriso triste. Eu gostaria de segurar sua mão e o perguntar se ele continuava sendo meu. E mesmo com medo de ouvir um “não”, foi o que fiz, ainda que soubesse que não me faria bem algum. 

“Claro”, foi o que ele disse, contudo seus olhos estavam voltados para o chão e ele torcia a barra da camisa, do jeito que sempre fazia quando contava uma mentira. 

E por um momento eu quis não o conhecer tanto.

Quando Simon entrou no carro, soube que estava deixando ele ir e que seria a última vez que dirigiria com ele até o nosso apartamento. 

Comecei a soluçar, porque doía tanto olhar para ele quanto em qualquer outro dia. Não havia um segundo seguro em que eu o olhasse e não me sentisse frágil. Fomos de mãos dadas até em casa (ele chorava) e eu dormi no sofá. 

Acordei sozinho.

Agora ele está se tornando ele mesmo, florescendo

Enquanto eu continuo desmoronando, pedaços meus por toda parte.

E ele está tão lindo quanto sempre. O cabelo dele ainda reflete sob o sol, as pintas dele ainda são adoráveis e seus olhos ainda estão vivos, vivos, vivos.

Eu queria ter dito que o amava ao menos uma vez.

E eu devo ser o que restou de nós no fim, não tenho mais nada sobrando. 

Éramos uma bomba atômica e eu sou o que vêm depois. Sou a mutação genética, o desastre radioativo.

Simon, meu garoto, eu sabia que não sobreviveríamos àquilo.

Você era o sol e eu estava em rota de colisão com você. 

Rota de ColisãoOnde histórias criam vida. Descubra agora