Reincidência

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POV Henry
*celular vibrando em uma superfície*
― Oi – respondi ainda sem abrir os olhos.
― Cavill? Não me diga que ainda está na cama? – a voz de Armie Hammer era impossível de não reconhecer.
― O que diabos aconteceu agora, Hammer?
― Por que sempre me atende dessa forma? – questionou indignado.
― Não sei, Armie. Talvez, por que você sempre faz questão de perturbar o meu sono de madrugada querendo falar sobre coisas das quais você deveria planejar com antecedência? – respondi furioso.
― Tem razão, amigo. Peço desculpas e prometo que não ligarei novamente senão em caso de vida ou morte.
― Suas urgências são sempre de vida ou morte, não é?
― Não dessa vez.
― Então o que pode ser mais sério do que um assunto sobre vida ou morte? – questionei.
― Nossos clientes? Liguei para avisar que a volta de vocês foi adiada. – Soltou
― O que? Só pode estar brincando!
― Não dessa vez, Cavill. O Sr. Hall não deseja investir em um programador para decifrar cada segredo do nosso sistema. O mesmo deseja que vocês fiquem aí para treinar o pessoal dele, já que somos a fabricante do sistema.
― E o que ganhamos com isso?
― Todas as despesas de hospedagens e passagens pagas e um acréscimo de 5% no valor da venda. – Fez uma pausa – E aí? O que acha?
― Seu cliente sabe mesmo barganhar. Eu estou de acordo, e quanto a Alexandra?
― Acabei de falar com a mesma, ela está de acordo também. Me liguem quando surgir alguma duvida.
Espiei pela fresta da cortina na janela como o dia estava amanhecendo cinzento em Boston, como se quisesse combinar com os pensamentos bagunçados em minha cabeça e o sentimento confuso no coração.
Decidi sair para correr e conhecer a cidade ao redor do enorme prédio do hotel no qual estávamos hospedados. Coloquei as roupas mais leves da mala e parti para as ruas antes mesmo que a maioria dos hospedes estivessem acordados. Disfarçadamente observei os passos leves de Alex por baixo de sua porta. Senti o pesar em minha respiração.
As largas ruas de Boston não eram tão diferentes como na capital. Sempre cheia de pessoas apressadas para seus compromissos, cercadas por prédios com pequenas árvores dando um toque vivo ao ambiente. Nada novo.
Corri pelo centro da cidade por aproximadamente 6 km em 15 minutos, meu mais novo record. Durante a corrida consegui esquecer um pouco da ansiedade que corria até a ponta de meus dedos. De certa forma estava muito aliviado com a decisão do Sr. Hall, pensar em voltar para casa agora me fazia revirar o estomago. Como encarar a velha rotina se tornou tão assustador?
Voltei para o hotel quase na mesma quantidade de minutos que gastei para chegar até onde fui, com apenas cinco minutos de acréscimo que tirei para descanso.
Subi diretamente para o último andar onde eram servidas as refeições. Minha barriga já reclamava da falta de um pouco de nutrientes e minha boca salivava com o cheiro do café que empestava todo o hotel.
Antes que pudesse caminhar pelo salão pude ver a Alex sentada bem a frente do elevador. Fingi naturalidade e caminhei a passos apressados para uma das mesas um pouco distante da sua. Pensei em evita-la.
Em pouco tempo fui bem atendido pelo garçom do estabelecimento, pedi as mesmas coisas que havia consumido em todos os dias que estivemos hospedados.
Ver Alex me evitando era frustrante. Gostava de sua companhia, seu cheiro, do sabor de seus lábios e de como se apresentava feroz em todas as brigas que tivemos. Ela me fazia lembrar de como era ser jovem de novo. De todos os meus atos de rebeldia e de todos os medos que tive nessa fase. Éramos tão parecidos apesar das evidentes mudanças em meu comportamento, obviamente chegaria sua fase também. Desejava que soubesse passar por essa fase melhor do que passei, mas certamente passaria, Alex era mais inteligente do que já sonhei ser.
Meus pensamentos foram interrompidos pelo garçom com meu pedido em uma bandeja.
― Obrigado! – respondi ao rapaz.
Seja o que tivesse que acontecer de agora em diante, gostaria de passa-lo ao lado da pessoa que me fazia me sentir vivo de novo.
― Posso sentar? – perguntei.
― Claro, já estou de saída – respondeu Alex, se retirando.
― Por que temos que continuar com isso? – questionei deixando-a imóvel – Por que estamos sempre caminhando em círculos?
― Me responde você, Diretor. Você é sempre tão incoerente e extremamente inflexível, talvez se o senhor pensasse um pouco mais sobre seu comportamento teria as respostas para suas perguntas.
― Eu não vim até aqui para discutir com você, Alex – encarei seriamente – Eu quero que saiba que estou me esforçando, quero que me desculpe se não expliquei direito o que entendi sobre o bilhete que recebeu e se fui negligente em lhe oferecer ajuda. Mas quero que saiba também que não tenho medo que sejamos “descobertos”, eu tenho total consciência de meu ato, Alex.
― Ok.
― Você sempre fala sobre como sou inflexível mas já perdi as contas de quantas vezes te pedi desculpa por coisas que você viveria bem sem que eu tivesse que voltar atrás. – Fiz uma breve pausa – Já me abri mais com você do que com pessoas que conheço a anos, Alex. E sinceramente não sei mais o que devo fazer para que você continue “de bem” comigo, isso não é do meu feitio. Eu estou disposto a enfrentar qualquer que seja seu medo ou nossas diferenças para que fiquemos juntos, você já deveria ter enxergado isso ao invés de se fechar para o que poderíamos viver.
Alex ficou sem respostas e ali eu soube que precisava encerrar essa conversa.
― Espero que se saia bem no restante de dias que ficaremos aqui e você sabe onde pode me encontrar quando precisar de algo. – Finalizei.
Voltei a minha mesa antes mesmo que Alex pudesse responder alguma coisa. Eu precisava dizer o que estava sentindo e mostra-la que nem sempre fui o monstro do qual ela pensa que sou. Independente dos meus sentimentos não estava mais disposto a dançar conforme a música da Alex, estava cansado de sempre ser o único a pedir desculpas.
Alex atravessou o salão indo até o caixa. Observei de relance sem encara-la diretamente. A mesma me dirigiu o olhar antes mesmo que as portas do elevador se fechassem. Nosso assunto estava encerrado por hoje.
De volta ao meu quarto, segui até o banheiro distribuindo algumas peças de roupas pelo caminho. Deixei o chuveiro ligado durante alguns segundos para que a água estivesse quente ao meu gosto. Meus banhos eram sempre duradouros, gostava da sensação da água quente correndo da cabeça aos pés. Além de me sentir limpo, a sensação de renovação também era muito satisfatória.
Ao sair do banho, alguém batia rapidamente em minha porta. Não tive tempo de me vestir corretamente e estive prontamente a porta para atender quem era o apressado, apesar da vergonha de aparecer somente de roupão.
― Alex?
― Desculpa – disse logo em seguida pulando em meus braços em um beijo ardente.
Não pude evitar o calor e sabor de seus beijos. Retribui-la.
― Desculpa por sempre nos colocar em conflitos, você não é meu inimigo e tão pouco alguém do qual eu consigo ficar longe. Agora sou eu quem está pedindo para que me aceite de volta. – Finalizou com um beijo.
Alex colocou seus braços em volta do meu pescoço enquanto me cobria com beijos quentes. Minha ereção ficou visível.
― Alex – disse interrompendo nosso momento – se continuarmos com isso eu não vou conseguir me controlar.
― Então não se controle – acariciou minhas partes.
Alex desfez o nó em meu roupão e me jogou sobre a cama, estava completamente perdido de tesão por aquela mulher. Rapidamente a puxei para cima da cama também e continuei com os beijos enquanto a despia.
Antes que pudesse ficar completamente nua, Alex fez alguns joguinhos para testar até onde eu conseguiria ir na forma como estava me contorcendo de vontade de penetra-la. Seus lábios quentes desceram por todo meu corpo até a região da minha pulsante genitália.
― Que saúde, Diretor – riu me encarado por baixo.
Não consegui evitar o sorriso e puxei-a para cima da região. Rapidamente arranquei sua peça intima deixando-a somente de sutiã. A forma como nos encaixamos foi como se estivesse passando pelas portas do paraíso. Alex era incrivelmente apertada, molhada e quente, guardaria essa sensação pelo resto dos meus dias.
Enquanto deslizava em cima da minha ereção em movimentos de sobe e desce, soltava leves gemidos que me anestesiavam ainda mais. Minhas largas mãos percorriam por toda sua fina cintura, fazendo com que cada pelo em meus braços ficassem eriçados. Gostaria de parar no tempo naquele exato momento. Como não fizemos isso antes?

Sentimentos SigilososWhere stories live. Discover now