Eu já não tinha forças para ficar em pé. Cai de joelhos sem me importar com a possa de sangue que se formava no chão. Não me movia, não escutava nada, e não via nada senão os olhos sem vida do Rei Jules olhando para mim.
Foi quando um feixe de luz invadiu o pequeno cômodo. Percebi vultos que entraram agitados. Dois deles se ajoelharam ao lado do corpo sem vida do Rei. Reconheci as roupas elegante de Jack e Allan, que tentavam reanimar o pai.
— O que você fez!? — Jack gritou ao se levantar e vir até mim. Ele segurou os meus ombros com força e me fez levantar. — O que você fez!? — Seu rosto estava sombrio e furioso. Lágrimas pesadas escorriam sem parar, e os seus belos olhos me olhavam com tanto ódio que eu jamais pensei ser possível.
— Ela matou o Rei Jules! — Ouvi uma voz estridente gritar. Tudo estava muito confuso para mim. Os sons pareciam ruídos, a minha visão estava embasada, e nada daquilo parecia real.
— Porque, Maddie!? — Jack gritou e me sacudiu, como se esperasse que eu soubesse responder a sua pergunta.
Foi então que eu voltei a mim. Foi então que eu percebi o que estava acontecendo.
— Eu não... Não fui eu. — Jack me soltou e repentinamente e se virou. Deu um soco na parede e ficou ali por alguns segundos.
Olhei em volta, tentando encontrar o responsável por tudo isso. Só que ele não estava mais lá. Olhei em todos os lados. Tudo o que vi foi o Conde jogando no chão, Charlotte, ainda desacordada sendo acudida por dois soldados, Allan ao lado do pai morto e Jack que parecia estar tão confuso quanto eu.
Ele não estava lá. O desgraçado havia desaparecido completamente.
Olhei para a porta e vi um grupo de soltados que me olhava de fora do quarto. Eles me olhavam com uma mistura de medo e ódio, como se estivessem vendo um mostro diante deles.Então eu abaixei a cabeça para olhar para mim mesma. Eu realmente parceria um monstro. Eu era um monstro. Meu vestido tão belo e elegante, estava coberto de sangue, assim como os meus braços, o meu rosto e o meu pescoço. E para a minha surpresa e desespero, o punhal usado por aquele homem para assassinar duas pessoas a sangue frio estava na minha mão. Meus olhos se prenderam naquele objeto como se ele tivesse me hipnotizado.
Quando os soldados da porta tiraram os olhos do meu rosto por um segundo, e olharam para o que eu olhava, eles perceberam a arma do crime em minhas mãos. Todos eles me conheciam desde sempre. Eu sempre levava torta de maçã para os soldados que ficavam de plantão no palácio. Todos ela me conheciam.
Percebi que Allan e Jack também me olhavam. Todos os olhos presentes naquele quarto me encaravam, inclusive os do Rei morto.
— Maddie... — Foi a única coisa que Allan disse. Seus olhos me olhavam com tristeza, não com ódio, diferente de Jack, cujo rosto estava vermelho de tanta raiva.
Só aí que a minha cabeça confusa juntou as peças. Eles achavam que eu havia feito aquilo.
Uma onda de desespero tomou conta de mim. Eu soltei o punhal, que caiu no chão com um som estridente, e deu um passo para trás, tentado me afastar daquele maldito objeto. E ao mesmo tempo, três soldados voaram sobre mim e me seguraram com força.
— Bruxa! — Alguns deles gritaram
— Assassina!
— Levem essa assassina para a prisão. — Reconheci a voz do Capitão.
Eu não me movi. Não resisti enquanto era arrastada pelos soldados que me seguraram com tanta força que eu poderia quebrar um osso se tentasse me livrar deles. Não falei nada, não me movi. Estava fraca e abalada demais para tentar qualquer coisa. Apenas deixei que me levassem.
Uma única lágrima escorreu pelo meu rosto enquanto eu era era levada. A quela gotinha tão pequena pesava demais, era a minha maldição, o meu destino. Aquela única lágrima não caiu por tristeza ou medo. Ela não molhou o meu rosto pelo trauma do que havia acontecido. Ela caiu por que sabia que algo pior aconteceria. Ela caiu por que precisava cair.
Aquela foi a última lágrima que eu derrubei.
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O Crime dos Inocentes
FantasiHá algum tempo em uma terra distante, viveu uma garota que foi perseguida e assassinada, acusada de um crime que ela jurou ser inocente até o seu último suspiro. Acusada de ser uma feiticeira, sua vida, simples e feliz, se tornou um verdadeiro i...