Capítulo 2

22 2 2
                                    

Corri pelo corredor até o jardim dos fundos da minha faculdade. Sentei em um dos bancos e tentei respirar fundo. Alguns minutos depois, enxuguei as lágrimas e respirei. Quando levantei a cabeça, Zee, Gulf, Ohm, Kao e Boun estavam parados na minha frente. Me incorporei e os encarei:
- A quanto tempo estão aqui?
- Alguns minutos. - Boun falou.
O loiro me ofereceu um lenço, que aceitei, sorrindo:
- Obrigada, Boun.
Os rapazes se entreolharam:
- Você sabe meu nome? Achei que você apenas soubesse nossa existência.
Revirei os olhos:
- Zee, Gulf, Ohm, Kao e Boun. - falei, apontando cada um.
Eles sorriram e sentaram à minha frente:
- Te procuramos pra pedir desculpas. Por isso estamos aqui. Foi muita grosseria. Todos nós queríamos começar esse ano de forma diferente. - Kao explicou.
O encarei, de olhos arregalados. Nunca tinha visto ou escutado Kao falar tanto de uma única vez.
Eu assenti:
- Eu peço desculpas também. Meu comportamento foi desagradável e eu perdi o controle. Peço perdão.
Senti um toque leve em minha mão:
- Está bem. Tudo está bem. Podemos começar de novo. - Zee sorriu para mim.
Pisquei pra ele e sorri:
- Vamos começar de novo. Desculpas por ignorar vocês todos esses anos.
Dando esse assunto por encerrado, começamos a conversar, como amigos mesmo.

- Te acham.... Está tudo bem aqui, Nong Lee?
Mew e os outros meninos se sentaram com a gente:
- Está tudo bem. Eu e eles estamos bem agora.
Meus amigos olhavam desconfiados para os outros. Exceto por Win, os rapazes tinham em claro o interesse deles pelos outros.
Mew e Gulf se encaravam, quase sem piscar. Juro que vi Gulf coradinho pela primeira vez. Earth estava flertando abertamente com Kao, que parecia sem saber o que fazer. Fluke estava pálido com os olhares "sedutores" de Ohm. Boun fazia caretas para Prem, que tentava não rir.

Era engraçado ver meus amigos flertando com os novos amigos:
- Rapazes. Deixem de fora o flerte por agora.
Olhei meu relógio:
- Meninos, temos aula. Vamos correr.
- Nós também, galera.
Depois de nos despedirmos, vi como Saint e Zee ficaram cochichando antes de Saint correr até nós.
  A aula foi terrivelmente longa e assim que o professor saiu, me virei pra ficar de cara com Saint:
- Saiiiiint.... O que você e o Zee estavam conversando?
Meus amigos se viraram também, assim como Ka:
- É, Saint. Conta pra gente. - Earth sorriu, tocando o nariz dele.
  Saint de repente parecia incômodo, e ficou bem pálido:
- Ei.  O que foi? O Zee te fez alguma coisa?
Saint me encarou e segurou minha mão:
- Prometa não gritar comigo?
Assenti, mais preocupada:
- Me conte.
Quando ele voltou a me encarar, seus olhinhos brilhavam:
- Nas férias do ano passado, eu... comecei a sair com o Zee.
Meu queixo caiu e tinha certeza de que nossos amigos estavam iguais:
- ZeeSaint finalmente é real?! - Gritei, chocada.
  Todos abraçamos Saint:
- Então, o que estavam sussurrando?
- Ele me chamou pra um encontro hoje. Mais tarde.
- Pfff....
Todos encaramos Kaownah, que revirava os olhos, com desdém:
- Algum problema, Kaownah? - Win perguntou, muito sério.
  Ka se levantou, ficando na nossa frente:
- É sério? Eu vi todos vocês no jardim hoje, depois da discussão no corredor. Estão mesmo se juntando à eles? Eles nem chegam ao nosso nível.
- Ka, qual é. Conversamos com eles hoje. Chega disso. Eles não são um jogo, pra estar em níveis diferentes do nosso. Somos iguais.
Ver o Win daquela forma foi diferente, mas bom. Win sempre guardava tudo pra ele. Mas hoje, ele se expressou.
Toquei o ombro dele:
- O Win certo. Dá uma chance para eles.
- Amor....
- Sejamos adultos maduros, Kaownah.  Chega dessa rivalidade. Eles nunca fizeram nada pra gente. Vamos almoçar com eles hoje. Dê uma chance.
Kaownah podia ser muito relutante às vezes, mas era um cara bom.

Estávamos todos juntos. Zee e Saint eram super fofos juntos. Os outros, flertavam com meus amigos inocentes, os deixando com vergonha.
Win até apareceu com seu bonito e simpático namorado, Drake. Drake juntamente a Earth, nos fez rir até a barriga doer:
- Ok, ok. Quero dizer uma coisa aqui. - Kaownah tinha que abrir a boca.
  Todos olhamos para ele, expectantes:
- por que estamos juntos almoçando, não significa que eu confie em vocês. Vocês ainda são diferentes de mim e...
- Ora, cale a boca, príncipezinho.
Eu não precisei me virar para saber quem era. Essa voz me trouxe arrepios por todo o corpo.
Bright se sentou ao lado de ZeeSaint e os felicitou. Depois, olhou para mim:
- Peço desculpas, senhorita. Minha atitude mais cedo foi terrível.
Levantei a palma da minha mão, esperando que ele parasse de falar.
Ele parou. Sem o encarar, eu falei:
- Não seja tão formal, por favor. Eu peço desculpas por te empurrar também.
  Eu finalmente o encarei. Encontrei seu olhar focado em mim, observando cada reação. Tudo parecia sumir ao nosso redor, eu não desviava o olhar, ele também não:
- Lee!!!!
Sai desse transe e encarei meus amigos, ficando vermelha:
- O que?
- Vocês se odeiam tanto a ponto de se provocarem com o olhar? - Ohm falou rindo.
Franzi o cenho, vendo ele rir. Muitas coisas novas num dia me deixaram confusa:
- Eu não a odeio. - Bright falou, sem parar de me olhar.
- Eu não te odeio também. tivemos um desentendimento.
Sorri para ele, ainda corada. Ele me encarou, de boca aberta.
Senti um puxão repentino em meu pulso e levantei a cabeça. Kaownah parecia furioso quando me arrastou pra fora da mesa:
- Ka, o que está fazendo? Solte.
Ele se aproximou demais:
- Por que está flertando com esse cara?
- Como é? Eu não estou flertando com ninguém. estamos conversando.
O aperto em meu pulso se tornou mais forte,mais agressivo:
- Eu não gosto dos seus amigos, mas os suporto. Agora, tenho que aguentar esses idiotas gays na nossa mesa. E ver esse imbecil flertar com algo que é meu.
Dei dois passos para trás, o encarando. Eu não conhecia esse lado de Kaownah. Possessivo, ciumento, agressivo:
- Kaownah, não tem flerte nenhum entre eu e ele. A gente conversou.
- Por que fica tão vermelha perto dele? Você gostou quando ele tocou seu pescoço? Gosta quando ele olha pra você? Você gosta dele?
- Ka, do que...
- Você é uma vadia, Lee. Tenho certeza de que dormiu com ele. Deixou ele tocar em você.
Pra mim, foi um basta. Puxei meu braço bruscamente de sua mão, sentindo meu osso estralar.
Com a mão esquerda, acertei um soco em seu rosto. Todas as pessoas estavam com seus olhares em nós agora:
- Eu nunca ouvi você falar assim, Kaownah. Eu sinto que não te conheço, nesse momento. Você me machucou.
Quando ele me encarou, vi sangue escorrer da sua boca. Um sorriso sinistro apareceu em seu rosto, quando ele levantou a mão.
  Cai no chão quando ele golpeou meu rosto. Gritos e mais gritos foram ouvidos, mas minha cabeça retumbava. Minha cabeça doía por ter encontrado o chão e meu rosto ardia. Antes de conseguir levantar a cabeça, ouvi um grito diferente:
- Moranguinho!
Então tudo se apagou.

My love life in a triangleDonde viven las historias. Descúbrelo ahora