Casa de praia p.1

5.7K 442 625
                                        


Yamaguchi bradou a plenos pulmões para aquele de cabelos loiros, no qual as iniciais se davam por uma pessoa extremamente carrancuda, sarcástica e chacota, acrescentando neste tópico, ranzinza. Do outro lado da rua, onde olhava despreocupadamente uma vitrine, antes de ouvir o desesperado chamado de seu nome, Tsukishima virou sua cabeça rapidamente para observar de onde surgia o grande aturdido. Por conhecer muito bem aquele timbre, não foi surpresa ter avistado Tadashi a poucos metros, embora tivesse girado a cabeça tão rápido que teve sorte de não ter uma decapitação interna.

"Deuses, isso pareceu a menina do exorcista" – com este pensamento, um arrepio nada aprazível adornou a epiderme de Tadashi que levou a mão destra ao peito irregular; seus batimentos estavam, de um todo, descontrolados e a razão – embora fosse mais que óbvia (a presença de Tsukishima em seu campo de visão, depois de um longo período sem sequer falarem por redes sociais) – fora bem escondida por trás de seu susto. Apoiou-se por alguns instantes no poste e se recompôs com um longo puxar e soltar de ar.

Quando a sinaleira lhe permitiu passar pela faixa de pedestre, foi inevitável não correr. Kei não teve muito tempo para reagir, estagnou ali mesmo com a maior cara de paspalho; ainda estava com as pernas congeladas pelo grito que Yamaguchi havia dado, isso, sem mencionar que o fato de todos que passavam na rua agora olhavam diretamente para os dois, consequentemente, o acanhamento lhe senhoreava. Sua boca até chegou a abrir, mas não fez mais do que soltar murmúrios que mais parecia um cachorro que acabara de nascer. Os luzeiros de Kei, de tão surpresos com a figura graciosa de Yamaguchi que lhe refletia perfeitamente na retina (graças aos óculos), não permitiam o bater das pestanas.

— Aah, Tsukki! Fiquei tão preocupado contigo. Não some mais desse jeito, nunca mais — embora estivesse ofegante, Tadashi não hesitou em lhe engolfar em seu abraço quente, apertado e, na humilde opinião de Tsukishima, exageradamente confortável (um pouco demais para o gosto de Kei).

Finalmente Tsukishima conseguiu dar uma única piscada; aquele abraço pareceu um soco no estômago, não só de realidade – até porque, se parado para analisar, ele havia sumido sem motivo aparente (no que diz a visão de Yamaguchi) – e pelo motivo de que o abraço de Tadashi é encantador e, a partir de agora, seria seu mais novo vício secreto. Aos poucos os ombros de Kei foram afrouxando, as paredes de defesa cederam e, no fim, suas mãos espalmadas se guiaram ao dorso do seu melhor amigo.

Esta sua atitude, não só o surpreendeu como veio a ser um espanto para Yamaguchi, que embora tenha ficado calado, sentiu-se inquieto. Quem sabe havia errado de pessoa e aquele cara, infelizmente, não era o Tsukki que conhecia; a fragrância da colônia permanece a mesma, Yamaguchi deduziu, é a sua preferida. O calor ainda estava lá. A discrição de seus movimentos. O carinho dos toques anelares sobre sua pele coberta pela blusa. Tudo continuava a mesma coisa, então, decidiu afastar para bem longe seus pensamentos inoportunos.

— Desculpe, eu devia ter ligado ou coisa tipo.— segurou a cintura curvilínea do adolescente para afastá-lo e, assim que pôde vislumbrar o rosto almejado, perdeu-se no sorriso imenso e bem aberto que Tadashi exibia.

— Eu estava indo na sua casa. Queria te tirar de lá, tomar um sorvete, sei lá, qualquer coisa. Faz um tempo que a gente não faz nada junto – fez uma carinha realmente tristonha e Kei, tinha quase certeza de que foi proposital. O adolescente de óculos ajeitou sua armação e relutou por alguns instantes em aceitar aquele pedido, mas, ao ver os olhos castanhos tão acesos, foi impossível declinar.

— Ok. — deixou um suspiro cansado lhe abandonar os lábios. Tadashi vibrou verdadeiramente animado.

[...]

Verdade ou DesafioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora