Capítulo 04

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Fazia longos minutos desde que os serviçais do casarão estavam no aguardo de Zé Augusto para a refeição

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Fazia longos minutos desde que os serviçais do casarão estavam no aguardo de Zé Augusto para a refeição. Logo, percebeu-se que o homem demoraria e que, talvez, não quisesse mais jantar. Depois, ele se trancaria no gabinete, mas antes, pediria alguma merenda para as criadas da cozinha. Nos últimos dias, desde que a esposa adoeceu, era o que estava fazendo.

Na cozinha, Rosa estava fervia um pouco d'água para fazer um chá para a senhora Miranda.

— Ô, Rosinha, minha querida — dona Rita dizia, dispersando a moça de seus devaneios. — Sei que o seu dia não foi nada fácil, filha. Pode ir... Eu dou conta do resto.

A menina deu um risinho desanimado e despejou parte da água quente em uma xícara com mel, gengibre, limão e alho.

— Ah, dona Rita, fico agradecida! Mas vou levar a canjinha e o chá da dona Antônia — olhou para tigela pousada sobre a mesa. O vapor ainda dançava sobre o recipiente, condenando que ainda estava quente, talvez, no ponto ideal para ser saboreada. — A senhora é um amor!

— Hm... — a mais velha franziu os lábios e cruzou os braços à frente do corpo rechonchudo. — Olha filha, se eu fosse você não ia lá, não, viu?! O senhorzinho não gosta de ser interrompido por criados...

— Ah! — a jovem abriu a boca, gaguejando. — Ma-mas a comida está esfriando, ora — contestou, dando de ombros.

*.*.*

Em uma bandeja, Rosa colocou a tigela e a xícara de chá e com a apreensão envolvendo-a, sentindo que o coração saltaria pela boca, dirigiu-se ao quarto da senhora Miranda. Os passos da moça eram lentos. Tinha que ter cautela para equilibrar a bandeja.

Com o corpo aprumado, a jovem parou em frente ao quarto da senhora. Notou que a porta estava entreaberta. Respirou fundo algumas vezes, como se tivesse tentando encontrar serenidade para encarar a ocasião e esgueirou-se pela brecha, adentrando, enfim, os aposentos de Maria.

Por um instante, esperou encontrar por Eugênia resguardando a integridade de Antônia. Porém, no ambiente, além da patroa, estava apenas o senhor José Augusto, acompanhado do médico.

— Com licença, senhores — Rosa mexeu a cabeça em um gesto cordial.

De imediato, com seus profundos e frios olhos azuis, Augusto olhou para a moça. Foi rápido, mas potente e intimidador. Passeou o olhar sutilmente pelo corpo dela. Acariciou a barba como forma de espantar os pensamentos agitados e voltou sua preocupação para a esposa.

— Volte outra hora — o patrão pronunciou-se com a voz cortante, sem qualquer cerimônia. — Estamos ocupados.

Com a boca entreaberta, Rosa deixou que um suspiro escapasse.

— Ah, senhor... — a respiração agitou-se. Com passos rápidos, pousou a bandeja sobre a penteadeira. — É que eu... Bem... É que fiz uma canjinha e um chá para a senhora Maria — levantou o olhar, conectando-se, pela primeira vez desde que entrou no quarto, com os olhos da senhora Miranda. — Acho que vai ajudar na recuperação.

Almas Destinadas (Degustação)Onde histórias criam vida. Descubra agora