O Reino ameaçado

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Bosque de Elizeu, lugar onde o verde prevalece e aonde as pessoas que habitam o reino do Leste constumam ir para contemplar as maravilhas naturais de uma terra fértil e cheia de vida; ou simplesmente, para ali se alimentarem de esperança, ou mais ainda - para se reinventarem. Assim também o faz a jovem Ágata que busca no lugar um abrigo onde suas feridas possam ser cicatrizadas.  

Sentada a beira do rio de águas cristalinas está a moça em quem os olhos já há algum tempo só fazem abrigar lágrimas causadas pela manifestação sentida de um coração magoado e ferido. Tem várias lembranças para com o lugar, afinal, fora ali que conhecera o soldado por quem fora se apaixonar.

"Nesse lugar tudo começou" reflete. Lembra-se de como conhecera o causador de seu atual e sentido pranto:

Como de costume - especialmente em dia calorosos-, a jovem que acabara de alcançar a maior idade banhava-se no rio em companhia de algumas amigas um pouco mais velhas.

Após emergir de um gostoso e refrescante mergulho, a jovem deparara-se com um bando de soldados da guarda real as margens do rio a lhe observar. Notara as amigas sendo arrastadas pelos braços por aqueles homens fortes e insensíveis. Percebera que suas roupas - as quais havia deixado sobre uma pedra - já se encontravam em poder deles. Sentira o coração bater desenfreado, quando de repente o próprio rei surgira no lugar - não se sentira-se segura pela chegada daquele homem, muito pelo contrário, pois, já há algum tempo vinha notando como esse lhe olhava e se comportava para com ela. Assim que Meneses se despiu e lançou-se na água, nadando em sua direção, a jovem submergiu novamente saindo do outro lado do qual soltou para as margens e correu nua e desesperada.

"Não fosse pelo Abner, não sei o que me teria acontecido aquele dia" pensa Ágata que retornara de suas apavorantes lembranças. Desde aquele dia nunca mais tivera coragem de banhar-se ali, com receio de que alguém pudesse aparecer para fazer o que o rei Meneses por pouco não conseguira.

- Na verdade, hoje eu já não sou tão fragil e indefessa quanto aquele dia! – pensa em voz alta.

- De fato frágil você não é, querida Ágata! – diz uma voz vinda detrás da moça.

Logo, a jovem vira-se na direção de onde viera a voz, imediatamente suas pálpebras inferiores aproximam-se das superiores, dando-lhe um olhar que de tão agressivo intimida aquele que a fita.

- Por favor, não jogue a adaga. – suplica o homem. -Tenho visto você treinar e percebi o quanto sua pontaria está aprimorada.

- André...?! – diz a moça com a voz hostil ao reconhecer o recém-chegado.

- Como você está? – pergunta o homem ainda com receio de uma adaga sair voando em direção a sua cabeça.

- Como você espera que eu esteja? – retruca a moça, que segue em direção ao homem. - Descobri que aquele aquém eu amava tornou-se o novo rei e não me procurou desde que voltara do palácio Central. Ao invés disso, tomara como sua esposa a rainha Heloise...!

- Ágata...! – diz o homem com voz de apelo.

- E ao que parece... – continua a moça com olhar extremamente penetrante, como se estivesse a ponto de manifestar seus sentimentos através de um soco na cara de alguém. -... Você ficou amiguinho do novo rei do Leste, não é soldado?!

- Ágata... O rei Abner é um bom homem...! – insiste André. – Ele tem feito muito por esse reino e, como seu novo conselheiro, eu tenho muito que contribuir em sua jornada!

- Não bastasse a conduta traidora de vocês dois, fiquei sabendo também que você pertence ao exército da tal rainha Morgana, e que é um assassino! – diz a moça mantendo a voz alterada.

A irmandade Secreta dos Reinos SilenciososOnde histórias criam vida. Descubra agora