|| 16. V I N C E N T ||

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|| 16. V I N C E N T ||

Deixo a lanchonete sentindo como se fosse explodir de ódio a qualquer momento, aquele imbecil não podia fazer aquelas coisas na frente das pessoas, elas começariam a falar deles e colocaria o disfarce dela em risco. O tal melhor falar sobre mim, parecia mais disposto em me fazer raiva do que qualquer outra coisa.

Eles devem estar rindo agora, enquanto fico aqui remoendo os acontecidos. Sou muito idiota mesmo.

Respiro fundo e sigo direto para o dormitório.

Os caras falam alguma coisa comigo, mas não os ouço. Apenas sigo o meu caminho e eles parecem perceber que estou furioso, pois não vem atrás de mim para perguntarem.

Sento-me sobre a cadeira giratória da escrivaninha e apoio meus cotovelos sobre minhas pernas, colocando meu rosto em minhas mãos. Preciso distinguir o que é isso que estou sentindo.

Não me parece uma simples chateação por ser trocado pelo melhor amigo do meu colega de quarto. Pois nunca vi Ken como um garoto, o que piora as coisas em escalas ainda maiores.

A porta se abre e eu arrumo minha postura, virando a cadeira para frente do notebook, onde finjo ver alguma coisa em meu celular.

— Não precisa fingir que está concentrado, McGregor. – Olho na direção da voz atrás de mim e o encaro. Mesmo não podendo distinguir sua expressão, gosto de mostrar as pessoas que sou como qualquer outro homem. Com ou sem doença, posso me impor, encarar, observar – esse quesito ainda mais do que os outros, pois é através dele que eu consigo fazer o reconhecimento das pessoas.

— O Ken não está aqui. Dê o fora.

— Ele me deu a chave do quarto e pediu para espera-lo aqui.

Volto a cadeira para frente do notebook e o ligo.

— Não mexa em nada, na encoste nas minhas coisas e não fale comigo.

— Você parecia bem falante na lanchonete. – Retruca.

— Falo com quem conheço e confio. Desconhecidos não são bem-vindos. A menos que eu vá com a sua cara, o que não foi o caso.

Pego meu caderno e começo a fazer as atividades da aula do dia seguinte. Não estou nem um pouco disposto a manter contato com esse daí.

— Estou com sede. – Diz.

— A geladeira está logo ali. Pegue o que quiser.

— Você não repartem de quem é quem as coisas? – Olho para onde ele está e o encontro com a cabeça dentro da geladeira.

— Ken e eu não temos problemas de dividir os alimentos. Por mais que ele coma como um dragão que esteve adormecido cem anos! – Comento sem esconder o pequeno e discreto sorriso que se formou em meus lábios ao falar dela.

— Verdade. Aquele...garoto, come feito gente grande. – Responde arrastando a cadeira da nossa mesa de jantar para poder sentar.

— Ele não deve ter mais do que 1,65 e parece ter um grande reservatório dentro daquele corpo pequeno.

— Ken herdou a boa genética da nossa mãe.

Franzo o cenho para ele.

— Nossa mãe? Não são amigos?

De repente pareço muito interessado em conhecer esse cara e ele logo ganha minha atenção por completo.

Ele ri baixo.

— Irmãos e melhores amigos. Ele é minha única família...

Kristian e eu passamos a conversar sobre Ken, e pelo tom de sua voz pude entender o quanto ele a ama, e parece desconfortável em ter que esconder sobre a irmã, mudei o assunto para onde ele estudava e fiquei surpreso ao saber que era na Universidade da Pensilvânia, a mesma na qual eu deveria estar.

Minha Garota [CONCLUÍDA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora