Kendra Reed é uma aspirante a patinação artística, que luta bravamente para conquistar seu sonho, estudar na North University, a mesma universidade onde sua mãe se formou como patinadora, ela almeja seguir seus passos.
O que ela não contava era com...
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Nada saiu conforme o planejado.
Após conseguir o manual com Thomaz, depois dele ter revirado meio mundo para o fazer, pensei que ela ficaria feliz, que enfim poderíamos ajudar os rapazes com o teste. Mas ao chegar em nosso quarto, todos estavam lá, espalhados e muito confortáveis com sua presença e ela parecia disposta a me matar com seu olhar ultra raio-laser.
Ken estava furiosa comigo por achar que eu tinha conseguido o manual com Charlotte, não me dando tempo de me explicar, saiu cedo no dia seguinte e mais uma vez me surpreendeu ao querer me passar cola, com medo de que eu não conseguisse tirar boas notas.
Quando a treinadora Simon pegou o nosso papel, não pude deixá-la tomar a culpa, por que em parte, me senti culpado por ter feito ela pensar que eu poderia zerar, quando na verdade, tenho uma boa memória, e poderia facilmente tirar nota máxima naquela prova.
Ela é a única que consegue me surpreender com facilidade, seus atos, suas atitudes, o seu cuidado, comigo e com os rapazes, fica quase impossível não gostar dela.
Não querer que ela esteja sempre por perto.
Defendê-la tornou-se um hábito.
Todo o nosso dia foi intenso, tenso e instigante.
Eu queria todo custo permanecer ao seu lado, jantarmos juntos e voltarmos para o dormitório para continuarmos conversando, queria que o dia não chegasse ao fim.
Só que mais uma vez, nada aconteceu conforme desejei.
Desde o jantar com os rapazes, a Charlotte na lanchonete, a sopa derramada sobre a Ken, até a quase queda da Charlotte nos degraus da escadaria.
O que foi simples para mim, acabou por ser mal interpretado pelos rapazes logo atrás de nós. O pior de tudo foi ver Ken passar direto por nós, sem dizer nada.
Soube naquele exato momento que ela não tinha visto aquilo de forma tão simples quanto foi para mim.
Quando chego ao quarto ela já está deitada, com a cabeça coberta. É um claro sinal de que não quer papo comigo, e a respeito.
Hoje não conversaremos.
Mas de amanhã ela não me escapa.
(...)
Dou um salto na cama quando ouço a porta bater com força, parecia que tinha explodido algo bem próximo de mim. O que me deixou com uma dor de cabeça terrível, além do susto por ter sido acordado dessa forma.
Me arrasto para o banheiro e me preparo para mais um dia.
No vestiário troco de roupa devagar, sentindo minha cabeça latejar, ignoro os rapazes que fazem piadinhas estupidas sobre terem visto Charlotte e eu ontem à noite, justo quando Ken aparece, ela fecha a cara e me ignora com sucesso. Coloca a proteção em sua cabine ao lado da minha e segue na frente, sem me dar bola.