Kendra Reed é uma aspirante a patinação artística, que luta bravamente para conquistar seu sonho, estudar na North University, a mesma universidade onde sua mãe se formou como patinadora, ela almeja seguir seus passos.
O que ela não contava era com...
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Vincent McGregor quer me enlouquecer.
Isso é um fato!
Como ele pode me segurar dessa forma e jogar essa cantada certeira e acreditar que eu não iria cogitar a ideia de beijá-lo? Mas não posso, vestido de garoto não dá.
Já o enganei o suficiente para muitas vidas.
Não é justo.
Desvencilho-me de seus braços e forço uma risada. Vincent me encara sem entender.
Eu muito menos.
— Acho que terei que pegar algumas dicas com você, Vince. Mandou bem na cantada barata. – Pego meu lanche e volto a comer, voltando a atenção para a televisão, onde a Vandinha brinca com o Feioso de jogarem o bebê no calabouço, fingindo que aquilo estava muito mais interessante do que quase ser beijada por ele.
Vincent respira fundo, passando a mão por entre os fios negros e sedosos e volta a comer também.
Querendo ou não, sei que entramos em um jogo de morde e assopra, um jogo que posso prever o final, e será devastador. Não quero prejudica-lo, nem ferir os seus sentimentos.
Muito menos fazê-lo duvidar se sua própria sexualidade.
Vincent é um homem incrível, que merece alguém sem tantos problemas, indagações e que se vista como uma garota deveria se vestir.
O nosso resto de noite foi basicamente ele mudando as partes que já conhecia do filme – que eu estava assistindo primeiro – e dizendo que queria assistir outro. O que eu claramente não deixei.
Por que, como disse antes, eu estava assistindo primeiro.
Após me preparar para mais um dia de aula, sinto meu celular vibrar no bolso traseiro da calça.
Uma mensagem da treinadora Simon.
"Me encontre na minha sala em cinco minutos, preciso passar o cronograma da semana. Aqui explico melhor. "
"Okay. "
Deixo o quarto fazendo o mínimo de barulho possível, ainda é cedo e permito que Vince durma por mais alguns minutos antes de se levantar para o nosso treino as 9h. caminho tranquilamente até a sala da treinadora, agradecendo internamente por mais um dia, mesmo toda errada e sendo tão falha, aprendi desde pequena a agradecer por tudo, mesmo tendo tão pouco.
Agradecer pelo alimento, pelo fôlego de vida, por mais um dia que se inicia ou se finda, pelas oportunidades que nos são concedidas, não devemos deixar para amanhã o que se pode agradecer hoje.
Acredito que a gratidão a Deus deve ser praticada diariamente, de forma contínua, a nossa gratidão gera bênçãos.
Nunca fui uma garota de classe alta, sempre passei por perrengues, enfrentei e ainda enfrento dias difíceis, mas gosto de pensar que sigo matando um leão por dia. Luto por dias melhores que eu sei que estão por vir.