|| 22. V I N C E N T ||

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|| 22. V I N C E N T ||


Aquela pequena ardilosa estava mentindo, na maior cara de pau.

Isso era um fato comprovado.

Sua cara de inocente, que em breve retornaria a corrida era tudo fingimento, pude sentir o cheiro do seu fingimento de longe. Se tem uma coisa que aprendi a diferenciar nela é que ela não sabe mentir.

Seus olhos piscam algumas vezes e ela desvia o olhar para qualquer outro ponto, além de passar a mão em seu casaco ou blusa, para esconder o nervosismo de quando está mentindo.

Assim que ela se vira para me encarar, dou um passo à frente, vendo-a recuar outro, até não ter para onde fugir e estar encurralada contra uma das arvores. Fiz bem em não seguir em frente, do contrário, ela não chegaria a tempo e seria expulsa da equipe, inteligência pura.

— O-o que faz aqui? – Questiona, nervosa.

— Vim pegar uma certa pessoa na mentira. – Aproximo meu rosto do seu e ela ergue a mão para me afastar. Mas sou mais rápido, ergo-a acima de sua cabeça e coloco-me diante dos seus olhos cor de mel, sentindo seu hálito soprar em meu rosto, a tensão inevitável correndo entre nós, de onde estou acho que sou capaz de ouvir nossos corações baterem descompassados dentro do peito. Ansiosos pelo contato. — Vai me dizer que não estava escondida, esperando o momento certo de aparecer?

Ela bufa irritada, fazendo biquinho e eu procuro ignorar a vontade incontrolável de deslizar o meu polegar em círculos sobre seus lábios, desfazendo lentamente sua birra.

Droga, Vince.

— Sim, eu estava. E daí? Não tenho culpa se você quer viver colado comigo e não me deixa fazer minhas coisas sozinho! – Rebate de forma petulante, aumentando ainda mais a minha vontade de mergulhar em seus lábios tão atrativos. — Agora se afasta. Não gosto de macho colado no meu pé. – Ela me empurra e eu sorrio comigo mesmo.

Ken parece tão afetada quanto eu.

Se não fosse pelo fato de saber que ela precisa manter esse disfarce, juro que não estaríamos nessa enrolação toda. Já teria dado um jeito de deixá-la saber o que sinto.

— Não está mais aqui quem falou. Caso não tenha percebido, também não gosto de homem, me dão alergia. – Debocho e ela segura o riso. Voltando a fechar a cara.

— Vamos voltar. – Ela se esconde atrás da arvore e juntos avistamos a nossa equipe já quase perto da linha de chegada.

Segura em meu moletom e me puxa de volta para a pista, David nos cumprimenta e questiona como chegamos tão rápido até ali. Ken e eu desconversamos e começamos a correr com vontade. Dentro de cinco minutos chegaremos a linha final, não posso me dar ao luxo de deixá-la ficar para trás.

Trago-a comigo a contragosto.

Dylan passa por nós com pressa, e logo mais à frente vemos uma moto a toda velocidade vir ao nosso encontro, ele se joga para dentro dos arbustos, enquanto puxo Ken para o lado, impedindo que esse maluco passasse por cima de nós também.

Ela corre até ele preocupada.

Os outros param ao lado deles e perguntam como ele está.

Dylan reclama de uma dor no tornozelo, mas não deixa os colegas ajudarem.

— Já estamos perto da linha de chegada. Se apressem, pessoal. Vou andando como posso. – Diz, arfando de dor.

Ken pega o braço dele e o passa ao redor do seu pescoço, o ajudando a se levantar.

Afasto os que apenas olham, preocupados e repito o gesto, passando o braço livre de Dylan por meu pescoço, jogando o peso do seu corpo sobre o meu, aliviando o lado dela.

— O que está fazendo? – Indaga entredentes.

— Já viu um poodle carregar um Husk? Acho que não. – Rebato.

Ela revira os olhos.

— Guarde o seu deboche só para você, idiota. – Resmunga e mais uma vez me pego sorrindo de sua impaciência.

— É o seguinte, quem quiser seguir, fique à vontade, aqueles que decidirem ficar, saibam que chegaremos todos juntos. Somos uma equipe unida. – Aviso ao olhar para os rostos embaçados a minha frente.

Para a minha completa surpresa, todos resolveram permanecer, e juntos seguimos em direção a linha de chegada.

Seja o que Deus quiser.

(...)

— TODOS REPROVARAM NO TESTE PRÁTICO AO AR LIVRE! – Treinadora Simon esbraveja a plenos pulmões. Aliviando sua decepção.

Abaixo minha cabeça e apenas aguardo ela explodir sua raiva sobre nós, infelizmente não tenho desculpas para dar a ela.

— Treinadora Simon, eles ficaram comigo, me machuquei durante a corrida... apenas não quiseram me deixar para trás. – Dylan tenta nos defender.

Só pela sua respiração pesada, ela já deixa claro que não tem pretensão de se acalmar.

— Entendo que não quiseram deixar o colega para trás, mas vocês não podem simplesmente reprovar em um teste! Já pensou se todos passarem a fazer isso? Ninguém vai passar? E as notas?

— Nos perdoe, treinadora. – Peço por todos nós.

— Nos perdoe, treinadora. – Os rapazes repetem logo em seguida.

— Já está tudo resolvido. Já que terminei o meu sermão, preciso parabenizá-los pelo bonito gesto de ajuda e cuidados com o colega que se feriu. Vocês demonstram ser unidos, como se deve ser. Mas eu juro que se alguém reprovar no próximo teste pratico, vou mandar todos embora! Estão me ouvindo?

— Sim, treinadora! – Respondemos uníssono.

— Antes de dispensá-los, quero deixar aqui uma reclamação. – Diz, ganhando nossa atenção. — Vincent, como capitão do time, você sabe o por que preciso punir o seu colega Ken?

Minha colega de quarto me olha de soslaio e balança a cabeça, cheia de culpa.

— Não, treinadora. – Responde, sentindo minha garganta travar.

Treinadora Simon ergue o celular para nós dois e nos mostra na floresta, Ken sentada, esperando os rapazes passarem para poder os acompanhar.

— Ano passado fizeram a mesma coisa e esse ano fui mais esperta e trouxe três drones comigo, Ken, mais uma vez se metendo em confusão e arrastando o seu capitão junto com você.

— Treinadora ele não...

— Sem desculpas, Ken. Assim que chegarem ao campus quero que deem cinquenta voltas na pista de corrida. Será o meu castigo pela mentira de vocês hoje.

Ela se retira sem nos dar tempo de dizermos mais nada.

Um lado meu fica feliz por saber que ela continua no time, mas o outro, o mais sensato, se preocupa ao lembrar que ela não parece bem para continuar correndo.

Ken hoje não parece estar nos seus melhores dias.

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Graças ao o wattpad que resolveu jugar esses dias, não conseguinpostar nada aqui, nem mesmo os avisos. Para que vocês não ficassem sem saber da situação.

Mas ao que parece já foi resolvido.

Esse Cap é em comemoração por termos batido a meta. E o próximo será como recompensa por não ter conseguido postar na data certa.

Fiquem atentos a meta do final do Pedi No Cap, okay???

AMO VOCÊS ❤

Minha Garota [CONCLUÍDA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora