XVII Sam: Tik-Tak da morte

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Eu achei que seria fácil, e como eu disse, "Eu Achei", isso não é fácil, mas já se passaram 4 horas, faltam mais 4.

— OK, Sam, você está se saindo muito bem! — Disse um ceifeiro que está me acompanhado.

Ele é alto, mais alto do que eu, magro, com um sobretudo que vai até os pés, tecido liso e preto, abotoado do primeiro ao último botão. Seus olhos são fundos, escuros, tão escuros que se assemelham à cor do sobretudo, olheiras profundas e escuras, deixando sua pele fina e pálida ainda mais pálida. Rosto fino e esquelético, com uma barba mal feita, boca pequena e delicada que até parecia que foi feita à mão, simplesmente uma figura assustadora a princípio, porém muito bem-educada, e um inglês impecável. Sua voz é grossa e potente como de um cantor de ópera.

— Eh... — Engoli em seco antes de continuar — Senhor eu... Estou com uma dúvida.

— Pergunte, Winchester.

— O céu está fechado, certo! — eu disse, ele me respondeu confirmando com a cabeça — Então para onde você está levando essas almas que estamos...? — Eu não sabia como dizer.

— Que estamos colhendo! — ele me corrigiu — Eu sou um dos Ceifeiros Negros, Sam! As almas colhidas por mim estão na lista do Inferno. Os Ceiferos brancos, que encaminham a alma até o céu, estão totalmente parados, e as almas que deveriam ser colhidas acabam ficando por aqui mesmo, em parte. O que é uma pena.

— Sim... — concordei com ele.

— Prosseguimos, Winchester? — me perguntou o ceifeiro.

E o cenário em minha volta mudou, estamos agora em uma cadeia escura, fria, no meio de uma noite chuvosa.

— Aquele! — apontou o ceifeiro — Vai ter um infarte, e tem passagem direta ao inferno.

Ele apontava para um cara comum, cabelo ralo, barba baixa e esbranquiçada, que estava dormindo, parecia ser um cara tão comum que as roupas da prisão lhe eram estranhas no corpo.

— O que foi que ele fez? — perguntei, na tentativa de me dar coragem.

— Estrupo, mãe e filha, foi reconhecido pelas vítimas, a garota se matou dias depois, a mãe entrou em depressão e faleceu há um ano de...

Ele foi interrompido pelos gritos de pavor do homem, caindo no chão com a mão no peito.

Era a minha deixa, atravessei as grades como um fantasma e encostei nele, os gritos pararam...

— Por quê? — Disse ele atrás de mim, vendo seu próprio corpo começando a esfriar.

Me virei.

— Chegou a sua hora, e você vai preferir esse lugar do que para onde você vai — eu disse a ele.

— O quê? Não, ei, eu... — ele pensou em dizer mais alguma coisa, mas o ceifeiro atrás dele o arrastou, direto para o inferno.

Minutos depois, o ceifeiro voltou, os policiais já tinham encontrado o corpo.

E o cenário em minha volta mudou outra vez.

...

3h e 55m depois:

Eu estou exausto, já perdi a conta de quantas pessoas foram, algumas com um único destino, e outras que foram obrigadas a ficar nesse mundo. Mas estranhamente alguns ceifeiros brancos rondavam essas pessoas mesmo assim. Como se analisassem elas.

Mais um cenário diferente, mais uma vítima.

Em outro lugar, agora em frente a uma escola infantil.

— Por que aqui? — perguntei assim que notei.

Eu odeio tudo sobre vocêOnde histórias criam vida. Descubra agora