Sete: À Beira da Catástrofe

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"Ela tem um sorriso que me traz recordações da infância, onde tudo era puro como o brilho do céu azul. Ás vezes, quando vejo o seu rosto, ela me leva aquele lugar especial. E se eu olhar por muito tempo, posso perder o controle e chorar"

Guns N'Roses

       O céu, naquele dia, se encontrava azul. Belíssimo e brilhante sem nenhuma nuvem branquinha para quebrar a homogeneidade anil. Tudo parecia perfeito e imutável naquele sonho arcadista. Era quase inacreditável ter um dia lindo como aquele depois de quase uma semana inteira chuvosa. E foi esse último fato que fez com que um piquenique, para a felicidade infantil da menina, fosse realizado.

      As duas trancinhas vermelhas da pequena voavam constantemente para depois cair sobre suas costas devido aos seus pulos de animação. Ela não pensava mais nas brincadeiras maldosas de seus coleguinhas da escola e a única coisa que podia ser visto em seu rostinho era um belo sorriso de orelha a orelha, acompanhado pelos seus olhos esmeralda brilhando.

     "Vovó!" A menina pegou com uma de suas mãozinhas a saia de sua vó e começou a puxar fraquinho tentando chamar sua atenção. "Vai junto, vai! Por favorzinho! Vem conosco! Vem, vem, vem!"

     "Querida, pare de incomodar a sua avó!" Disse Isis pegando a sesta de piquenique que estava em cima da mesa e se direcionando à porta. "Vovó está muito cansada por causa das reuniões e ela precisa descansar! Na próxima vez ela vai conosco, tudo bem?"

      A garotinha balançou devagar a cabeça afirmando e se aproximou pegando a mão que sua mãe estava a estendendo. Depois de dar alguns tchauzinhos para Sofia, ambas se colocaram para fora da casa. Demoraram um pouco para escolher o lugar perfeito para a sua aventura do dia. Por sim acabaram ficando perto – mas não perto demais – do paredão, que dava uma visão linda dos campos de trigo nas colinas abaixo. A toalha de piquenique foi posta na grama e algum tempo depois, as pequenas mãozinhas da menina iam até a cesta grande de palha retirar todos os cinco pratos de comida que haviam preparado desde manhã, esses eram colocados muito cuidadosamente sobre a toalha.

     As risadas altas e gritinhos de animação ecoaram por toda campina e pelo vale por horas, porém no final da tarde toda a calma atmosfera de alegria foi quebrada. Quebrada pelos gritos desesperados da menina de tranças ruivas.

     "MAMÃE!" Cassandra grita, dando um pulo na cama e ficando sentada. Seu peito sobe e desce com sua respiração descompassada e suas mãos agarram os lençóis de sua cama com força, quase rasgando o fino tecido. Ela abre seus dedos com uma lentidão sôfrega.

     Soluços rapidamente quebram o silêncio que, antes, inundava o quarto de seu apartamento. As lágrimas correm livres, e com familiaridade, por sua face, molhando as cobertas. Ela junta seus joelhos ao peito e escora-se na cabeceira da cama, escondendo seu rosto entre os braços apoiados nas pernas. A dor preenche num rompante toda a sua alma, encontrando com familiaridade o local que consegue habitar há dezoito anos. E ela assim permanece até que os raios do sol consigam penetrar no local passando pela cortina.

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     Era nove horas da manhã quando todos os jornais da cidade noticiaram o fato de que a líder dos de Acqua, Flávia, havia sido presa na noite anterior por ser suspeita de envolvimento nos sequestros. A desordem tomou todo o distrito da mesma, diversos boletins de ocorrência sobre pequenas brigas entre cidadãos de olhos azuis e vermelhos, uma multidão de repórteres e pessoas curiosas em frente à delegacia em que ela está presa. Três horas depois de a informação ser amplamente difundida entre a população, a porta da sala de reuniões do Fuoco é aberta abruptamente por uma Cassandra possessa.

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⏰ Última atualização: Oct 21, 2020 ⏰

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