Capítulo 02

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Dia 12

O cheiro do lugar era forte demais para ele, acostumado com a mais finas vestimenta e as mais cheirosas perfumarias, com o luxo de mansões e castelos e com homens sarados e mulheres esbeltas em sua cama macia, mas ao ver onde estava, não era exatamente o que esperava da segunda parada na viagem para Pangeia.

Os aromas em seu mais puro local de nascença, o fedor de peixes podres, bosta de cavalo e dejetos humanos exalava por todos os lados, subia para o ar com ignorância e se impregnava nas peles das pessoas e nas tendas dos comerciantes. Para lá do porto uma cidade agitada com mulheres carregando baldes de água na cabeça, escravos arrastando suas correntes e a gritaria infinita de crianças correndo, brincando e outras chorando.

Um lugar nada agradável.

Eles ainda andavam em bando, com Zeus na frente Dionísio notou que o Deus não se sentia incomodado pelo lugar, conhecia o pai bem demais para saber o quanto aquele homem era forte e corajoso. Olhou ao redor e feirantes, camponesas e donzelas na companhia de suas damas davam, nem que disfarçaneo, olhadelas para o grupo de homens musculosos.

O mar se extendia para além do porto, com águas agitadas e prateadas na luz poente da tarde, navios gigantescos com velas igualmente enormes balançavam atracados no porto com símbolos estrangeiros e da corte do país, outras galés, botes e barcos pequenos disputavam espaço entre as embarcações maiores. Gaivotas empoeiradas em mastros, cordas grossas e velas crocitavam para o alto.

Pescadores lançavam suas redes no mar para lá dos navios enquanto nos espigões do porto marujos, capitães, marinheiros e jovens ávidos por aventura andavam para lá e para cá, conversando, traçando rotas, negociando com mercantes ou até mesmo brigando por causa de uma prostituta que atiçava a briga balançando os seis enquanto pulava.

Estavam no ano da graça de 1714 e assim que notaram a diferença tiveram que abandonar as bolsas e uniformes de soldados para vestir trapos de marinheiros e feirantes, quanto a comida, enrolaram em toalhas e levavam em trouxas, pelo menos aquele porto tinha bastante comida para mais estocamento, nem que fosse mal cheirosas como aqueles expostas mas tendas dos comerciantes.

Camarões com moscas sobre voando, peixes fedorentos, trigo, arguadentes, especiarias, legumes muchos, frutas podres e tantas outras coisas que não podiam ser lembradas ou identificadas na época. Dionísio olhou para tudo aquilo com um tom de nojo no rosto, nunca tinha ido para aquele lugar, mesmo já tendo vivido naquela época mas sua vida era regada de luxos, comidas frescas, conforto e um belo castelo.

Não sabiam onde estavam exatamente, cidades e portos mudam de nome no decorrer da história mas sabiam que tinham que permanecer ali até a recarga do Cordão do Tempo. Zeus tinha descoberto que o artefato era delicado, tinham que esperar algum tempo para ele recargar as energias e levá-los para trás mais ainda. Isso poderia levar horas ou até dias mas era preciso esperar a recarga com paciência.

Dionísio se perguntou quanto tempo mais teria que ficar ali.

- Tem alguns bares e botecos ali - Hefesto apontou para a esquerda do porto -, tô louco pra beber - seu sorriso iluminou seu rosto.

- Primeiro vamos encontrar uma estalagem, a noite está para cair e amanhã temos um dia longo - Zeus olhou para os Deuses - vou ficar testando essa coisa e todos vocês tem que ficar perto de mim ou então ficarão presos em uma dessas épocas entendido?

- Já entendemos pai - Apolo tirou os fios lisos de cabelo da testa -, e sabemos as consequências.

- Eu só queria saber como estão as coisas no futuro - Posêidon fitava as ondas trêmulas do oceano a sua frente, navios esbarravam uns nos outros no ancoradouro.

Néctar dos Deuses Histórias para pegar e não largar. Descubra agora