Ano 20 d. G (depois da Glória)
Ele mantinha as duas mãos firmes no volante, conferiu por um segundo as horas no relógio de pulso e voltou a fitar o trânsito caótico de volta para casa. Mais uma parada no sinal vermelho dá tempo suficiente para passar os dedos nos cabelos grisalhos — não que fosse totalmente assim, a maioria dos fios eram negros mas daqui a alguns anos a cor predominante seria o prateado — bufou por causa da fome e da paciência que já estava lhe escapando.
Tinha 49 anos agora e seu marido 47 mais os dois ainda tentavam manter a alma juvenil ativa mesmo quando não conseguiam e quando tinham um dia de descanso simplesmente dormiam por horas juntinhos na cama. Queria estar assim agora e não em um maldito engarrafamento.
Respirou fundo e contou até três, era uma coisa que seu marido lhe ensinara para se manter calmo e não fazer sua pressão subir por infortúnios bobos. O exercício lhe ajudou bastante mas teve que repeti-lo em outra estagnação da de carros e mais carros.
Arranha-céus e edifícios menores se erguiam pela direita e esquerda, tampando qualquer visão que poderia ter do céu ou da iluminação das estrelas, gostava delas, era outro calmante natural. Sorriu ao lembrar de algo.
Certa vez deitou no gramado do seu quintal e olhou para o céu com a cabeça apoiada nas mãos, não se deu conta de quanto tempo ficou ali mas sentiu a presença do marido lhe julgando em pé e quando olhou para ele sorriu da cara confusa que ele fazia.
— Nossa cama não é mais tão confortável? — perguntou.
— De forma alguma, nossa cama é ótima — ele sentou na grama e viu seu marido sentando ao seu lado, levou uma mão para sua costa e ficou subindo e descendo num carinho acalentado.
Institivamente seu marido colocou a cabeça em seu ombro e perguntou:
— Sabe o nome das constelações? — os dois olharam para o céu estrelado.
— Não, por que?
— Nosso filho vai querer saber, ele tava fazendo um trabalho de ciências e ficou de fazer a maquete com todos os planetas — seu marido suspirou — toda tarde é uma bagunça com ele e seus amigos falando alto sobre tudo o que tinha no universo.
— Aposto que você adorou a gritaria.
Seu marido apenas sorriu fechando os olhos com sono.
— Talvez você devesse contar pra ele...
— Não de jeito nenhum — interrompeu o marido e ficou tenso.
— Eu tô falando das estrelas meu amor — seu marido acariciou seu rosto com a testa franzida mas logo suavizou a feição e pediu — Vamos dormir. Parece está cansado do dia trabalhoso.
— Sim, vamos.
A lembrança ainda vagueava em sua mente mesmo assim ele continuou dirigindo em direção à sua casa. Dessa vez não houve mais paradas nas avenidas e o engarrafamento se abriu graças aos deuses e ele meteu o pé no acelerador.
Malibu fervia à noite com pessoas indo para festas, adolescentes caminhando na orla da praia, homens bebendo em bares extremamente caros e tudo o que ele queria era chegar em casa e se deitar ao lado do marido. Há semanas não trasavam e os culhões dele já estavam cheios e pesados demais para aguentar mais uma noite sem os afagos íntimos do marido, só de pensar no corpo do homem nu seu pau fez pressão na calça jeans.
Podia ouvir o som das ondas do mar ao se aproximar do condonio, acenou para o segurança e entrou nas ruas calmas da pequena comunidade que vive com sua família. Levou o carro por mais algumas ruas até encontrar sua casa, nem ele nem o marido necessitavam de tanto luxo mas tinham que ter uma casa grande para o filho.
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Néctar dos Deuses
NouvellesOs Deuses do Olimpo viajam através do tempo em busca do mais poderoso e único ser capaz de destruir Cronos de uma vez por todas. Reencontros e encontros sexuais picantes e românticos rodeiam a conclusão da trilogia.
