Terça-feira
Seguir Leon pelo trânsito de Nova York exigiu toda a concentração que eu tinha.
Eu não estava acostumada àquele ritmo. Carros surgiam de todos os lados, motoristas buzinavam como se aquilo fosse uma segunda língua, pedestres atravessavam com uma confiança que beirava a imprudência, e eu mantinha as duas mãos firmes no volante enquanto tentava não perder de vista o carro dele.
— Fica calma, Abril — murmurei para mim mesma, os olhos presos à traseira do veículo à frente. — Você conseguiu o emprego. Agora só precisa chegar viva até a casa.
A frase deveria ter me tranquilizado.
Funcionou pouco.
Eu ainda mal conseguia acreditar que havia sido contratada. A entrevista fora rápida, intensa e estranha de um jeito que eu ainda não sabia organizar. Leon Anderson parecia o tipo de homem que tomava decisões antes que qualquer outra pessoa acompanhasse o raciocínio. Um minuto eu estava tentando explicar meu currículo magro; no outro, ele me dizia para começar naquele mesmo dia.
Eu deveria voltar para a Virgínia naquela noite. Em vez disso, estava seguindo meu novo patrão por Manhattan, com poucas malas no carro alugado e a sensação vertiginosa de que minha vida havia mudado sem pedir licença.
Quando Leon finalmente entrou em um estacionamento privado e indicou a vaga ao lado da dele, soltei o ar que nem percebi ter prendido.
— Graças a Deus.
Desliguei o motor, apoiei a cabeça no encosto por um segundo e só então olhei para o prédio diante de mim.
Meu alívio desapareceu.
Eu já tinha visto torres de apartamentos desde que chegara a Nova York, mas aquela era diferente. Mais alta. Mais elegante. Mais silenciosa, de alguma forma. O tipo de edifício que não precisava anunciar riqueza porque cada detalhe já fazia isso sozinho.
Vidro escuro. Fachada impecável. Entrada discreta. Funcionários uniformizados.
Aquilo era dinheiro antigo ou dinheiro demais. Talvez os dois.
Engoli em seco e desci do carro tentando parecer menos intimidada do que me sentia. Minha mala simples no banco de trás pareceu, de repente, pequena demais para aquele lugar.
Leon saiu do carro com a naturalidade de quem pertencia a tudo aquilo. Terno impecável, postura ereta, celular na mão, expressão concentrada. Mesmo depois de uma entrevista, de uma contratação relâmpago e de uma manhã aparentemente cheia, ele parecia inteiro.
Eu, por outro lado, sentia-me como alguém que tinha sido jogada dentro de uma vida que ainda não sabia usar.
— Você pode me acompanhar? Vou apresentá-la à casa.
— Claro.
Minha voz saiu firme o bastante. Fiquei orgulhosa disso.
Entramos no prédio, e eu tive que me esforçar para não parar logo no saguão.
O lugar parecia saído de uma revista de arquitetura. Piso de mármore claro, arranjos de flores frescas, detalhes dourados discretos, iluminação suave e uma fonte pequena no centro da recepção, cuja água caía em um som delicado demais para combinar com o caos da rua lá fora.
Nova York ficava do outro lado da porta. Ali dentro, o mundo parecia obedecer a Leon Anderson.
— Este é Vincenzo — Leon disse, indicando o homem alto atrás do balcão. — Porteiro do prédio e uma das pessoas que você deve procurar caso precise de qualquer coisa.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
