Pov Lauren Jauregui
QUATRO SEMANAS DEPOIS
Cento e trinta e oito, cento e trinta e nove, cento e quarenta. A última telha do teto – a que ficava no canto do quarto, no lado mais próximo da janela – tinha quebrado. Isso é novidade. Eu precisava chamar alguém para arrumar antes que atingisse minha contagem diária e começasse a me causar estresse em vez de aliviá-lo.
Ainda estava deitada no chão do quarto depois de desligar o telefone com Bryant, um cara que conheci na semana passada, no supermercado – dessa vez, não foi em um habitual encontro no bar, coisa que nunca parecia ser tão boa mesmo. Ele ligou para me dizer que estava preso no trabalho e chegaria uma hora atrasado para nosso segundo encontro.
Por mim, tudo bem, pois eu estava cansada e sem vontade de me levantar. Respirando fundo, fechei os olhos e me concentrei no som de minha própria respiração. Inspirando, expirando, inspirando, expirando. Quando finalmente me acalmei, me levantei do tapete, retoquei a maquiagem e me servi uma taça de vinho antes de pegar o notebook.
Dei uma olhada nas vagas de emprego no setor de marketing em Nova York na página Monster.com durante cinco minutos antes de ficar entediada. Então, entrei no Facebook. Como sempre. Porque procurar trabalho é uma merda.
Percorrendo as postagens de meus amigos, vi as mesmas coisas de sempre: fotos de comida, filhos, da vida que queriam que acreditássemos que tinham. Suspirei. Uma foto de um cara com quem estudei no ensino médio ao lado do berço do filho recém-nascido apareceu na timeline e meus olhos foram direto para a mulher com quem não estudei no ensino médio: Camila Cabello.
No último mês, pensei nela com mais frequência do que queria admitir. Coisinhas estranhas fizeram com que Camila voltasse aos meus pensamentos: os cookies Sweet Loren's comprados por impulso no caixa da mercearia – sim, comprei. Uma foto de William Levy na revista People que vi na sala de espera do dentista – Camila poderia facilmente se passar por sua irmã e talvez eu tenha arrancado aquela página. O vibrador na mesa de cabeceira – não cheguei a fazer nada, mas pensei a respeito. Quer dizer, eu tinha arrancado a página da revista e tudo mais.
Desta vez, quando a mulher apareceu em meus pensamentos, antes que eu me desse conta, digitei Camila Cabello na barra de pesquisa do Facebook.
Meu suspiro foi audível quando o rosto dela apareceu. A palpitação que senti no peito era patética. Deus, ela é ainda mais linda do que me lembrava. Cliquei para ampliar a foto. Ela estava vestida casualmente, usando uma camiseta branca, jeans com um rasgo no joelho e tênis preto. Ela estava bonita. Depois de passar um minuto inteiro olhando seu rosto sexy, dei zoom e notei o emblema na camiseta: academia Iron Horse. Havia uma dessas no quarteirão do restaurante em que nos encontramos. Pensei se ela morava nas proximidades. Infelizmente, não descobri. Seu perfil não era público. Na verdade, a única foto que eu podia ver era aquela. Se quisesse ver mais alguma coisa, eu precisaria enviar uma solicitação de amizade e esperar que ela me aceitasse. Embora estivesse tentada a fazer isso, resolvi deixar para lá. Provavelmente, ela pensaria que eu estava louca por adicionar uma mulher que achava que eu era esnobe – e que me falou isso – que conheci enquanto estávamos com outras pessoas um mês atrás. Mas isso não me impediu de tirar um print da foto para vê-la de novo mais tarde. Depois de alguns minutos sonhando acordada com a mulher, me repreendi mentalmente. Você precisa encontrar um emprego. Precisa encontrar um emprego. Só tem mais uma semana de trabalho pela frente. Saia agora do Facebook.
Funcionou. Durante os cinquenta minutos seguintes, procurei por anúncios de alguma coisa – qualquer coisa – que soasse remotamente relacionada a marketing ou minimamente interessante. Sabia que não deveria contar apenas com as duas entrevistas que havia agendado até então, mas não havia muita coisa disponível.
No momento em que a campainha tocou, me senti esvaziar como um balão na busca de um emprego que substituísse o que tive durante os últimos sete anos e, até recentemente, amava.
O beijo de Bryant quando abri a porta foi um bom jeito de mudar meu humor. Era nosso segundo encontro. E, com certeza, tinha potencial.
— Que ótimo jeito de dizer oi — suspirei.
— Pensei nisso o dia todo. — Sorri para ele.
— Entra. Estou quase pronta. Só preciso pegar a bolsa e pegar meu celular, que está carregando.
Ele apontou para a porta da frente depois de fechá-la.
— Invadiram sua casa ou algo assim? Por que tantas trancas?
A porta da frente tinha uma tranca normal e mais três fechos. Normalmente, eu era sincera e explicava que me sentia mais segura com todas aquelas fechaduras, mas Bryant não era como a maioria dos caras. Ele estava tentando me conhecer de verdade e, se forçasse um pouco mais, como eu achava que ele faria, eu seria obrigada a me abrir sobre algumas coisas para as quais eu ainda não estava preparada.
Então, menti.
— O síndico do prédio é especialista em segurança.
Ele assentiu.
— Ah, isso é bom.
Quando eu estava no quarto, terminando de me arrumar, gritei para ele:
— Se quiser, tem vinho na geladeira.
— Estou bem, obrigado.
Quando saí, ele estava sentado no sofá. Meu notebook ainda estava aberto na página das vagas de emprego.
— E aí, que filme vamos ver? — falei enquanto colocava os brincos.
— Achei que poderíamos decidir quando chegarmos lá. Tem um do Vin Diesel que quero ver. Mas, como já cheguei uma hora atrasado, não vou discutir se você não for fã.
Sorri.
— Que bom, porque não sou. Estava pensando em algo como o novo filme do Nicholas Sparks.
— Castigo pesado pelo atraso. Foi só uma hora, não três dias — provocou.
— Fica de lição.
Bryant se levantou enquanto fui fechar o notebook.
— A propósito, quem é a mulher no fundo de tela?
Franzi a testa.
— Que mulher?
Ele deu de ombros.
— Morena. Com um cabelo desarrumado que ficaria ridículo em qualquer um. Espero que não seja uma ex-namorada por quem você está secretamente interessada. Parece que ela saiu de uma revista Vogue.
Sem ter ideia do que ele estava falando, abri o notebook de novo para dar uma olhada. Merda. Camila Cabello me cumprimentou. Quando salvei a foto da página do Facebook, devo ter configurado sem querer como fundo de tela. Fiquei nervosa ao ver aquele rosto deslumbrante de novo. No entanto, Bryant estava esperando uma resposta.
— Hummm... é minha prima.
Foi a primeira coisa que surgiu em minha cabeça. Depois que falei, percebi que era um pouco estranho ter a foto de uma prima como fundo de tela. Então, tentei consertar com mais mentiras, algo bem diferente do que eu costumava fazer.
— Ela é modelo. Minha tia me mandou fotos recentes e me pediu opinião sobre qual eu gostava mais, então baixei. Dinah estava babando nelas e colocou uma aí. Não entendo nada de tecnologia, não consegui tirar.
Bryant riu e pareceu aceitar a resposta.
Qual é a relação entre Camila Cabello e histórias inventadas?
VOCÊ ESTÁ LENDO
CAMREN: Minha Chefe Criativa (G!P)
FanfictieEla transformou meu encontro tedioso em uma noite excitante. Quais as chances de encontrá-la de novo, em uma cidade com 8 milhões de habitantes? Camila G!P - Se não gosta, não leia!!!
