A verdade

2.9K 313 57
                                    

Pov's Juliette

O táxi estaciona em frente ao restaurante e encho os pulmões de ar. Eu estava com medo. Com medo de que tudo o que Vitoria falara fosse verdade.

Mas eu precisava acabar com a dúvida que me consumia. Eu precisava.

Passo as mãos pelos cabelos, tentando, inutilmente, controlar alguns fios rebeldes.

Passo as mãos que estavam suando pelo meu suéter florido e ando em passos vacilantes até a entrada do restaurante que estava sendo recepcionado por uma loira esbelta e com um sorriso polido no rosto.

– Olá, eu gostaria de uma mesa. – digo assim que a alcanço.

Ela assente e pede que eu siga. Sinto minhas pernas bambearem a cada passo dado e tento controlar minha respiração.

– Pode se sentar aqui, senhorita...

– Freire! – sorrio fraco.

— Certo, senhorita Freire. Todas as mesas estão reservadas e ocupadas, com exceção dessa. – ela aponta para a mesa.

– Obrigada! – me limito a dizer.

– Logo um garçom irá atendê-la. – assinto e ela sai dali.

Aperto minhas mãos contra minha bolsa e procuro com olhos algum sinal de Sarah. E logo a reconheço, mesmo estando de costas.

Respiro fundo e caminho até lá. Mas não deixo de notar que ela não estava sozinha e sim muito bem acompanhada.

Vitoria sorri para ela a toda instante, e por um momento, vi seus olhos recaírem sobre mim.

Me aproximo, sentindo meu coração palpitar e ser estraçalhado por palavras frias, acompanhada de uma risada irônica e debochada.

– Eu não me importo com nenhuma delas. Eram todas um passatempo. Mas...

– Sarah... – chamo seu nome como num sussurro, sentindo meu coração pulsar dolorido e as lágrimas descerem sem que eu pudesse controlá-las.

– Juliette – se levanta e tenta se aproximar, mas eu recuo.

– Então era verdade? – soluço, limpando as lágrimas com a manga da blusa florida.

Ela franze o cenho. Parecia confusa. Se levanta e se põe ao seu lado.

– O que faz aqui, Ju? – ela pergunta.

– Eu te odeio, Sarah! – digo sem controlar as lágrimas e o tom da minha voz me traindo a todo instante.

– Juliette... – ela segura meu braço quando ameaço me afastar. – Não é nada disso.

– O quê? – Vitoria grita. – Como pôde dizer isso, Sarah? – ela pergunta horrorizada. – Depois de tudo que passamos juntos.

Olho incrédula para Sarah e ela franze o cenho.

– Do que está falando, Juliette?

– Você é uma desgraçada! – ela coloca as mãos sobre o rosto.

– Me solte! – grito e ela o faz. – Nunca mais se aproxime de mim! – digo e corro dali, o mais rápido possível.

***

Pov's

Saio do apartamento de Juliette e me despeço de Rodolfo, que aceitou ficar vigiando Juliette enquanto eu ia ao jantar.

Queria matar Caio por atrapalhar meus planos com Juliette, mas os investidores eram importantes.

Um deles era ainda mais. Para Caio e para mim, com toda certeza.

Meu Porto Seguro Onde histórias criam vida. Descubra agora