Capítulo 68

1.8K 89 9
                                        

JADEN HOSSLER 

A noite havia sido longa e ao mesmo tempo curta. Mágica mas confusa. Eu ainda estava confuso com tudo que tinha acontecido na noite anterior, mas com certeza, estava feliz com o que tinha acontecido. Quando estou com ela, é como se o tempo parasse para nos olhar, mas sentia como se o tempo voasse quando estou com ela. Ontem, a noite voou. Não vi o tempo passar e não faço ideia de que horas fomos dormir ou de quanto tempo passamos transando. Mas agora, com a morena deitado em meu peito, enquanto olhamos para o teto em um silêncio confortável, é como se o tempo estivesse parado. É como se o mundo, o universo estivesse parado só para nos olhar e sentir o que estávamos sentindo. 

Os cabelos morenos e macios estavam espalhados pelo travesseiro e meu braço a rodeava. A garota estava deitada no meu abdômen desenhava imaginariamente em meu abdômen nu e minha mão acariciava seus cabelos em um silêncio calmo, em um ambiente sem brigas e sem provocações, algo que não acontencia há um bom tempo...

jaden: isso que você quis dizer com 'quem disse que não pode se tornar verdade'? -sorri sacana-

sab: -risada nasal- eu só disse, não significa que eu sabia do que estava falando. - sorri

jaden: e hoje você sabe?

sab: talvez possamos fazer dar certo. -dá ombros-

jaden: talvez? é óbvio que a gente pode.

sab: -sorri- quem sabe.

jaden: se tratando de sabrina hall, tudo é possível. -sorri

sab: -suspiro-

jaden: que foi?

sab: você não tem medo?

jaden: medo do que?

sab: medo...medo da gente se machucar de novo, de eu te machucar de novo...de mais problemas e carências, sabe?

jaden: gosto de correr riscos, principalmente o risco de ser feliz, acho que vale a pena. -dá ombros- carências? do que você tá falando?

sab: somos confusos, eu sou confusa. minha ansiedade, insegurança, sabe?

jaden: você me confunde, e estou disposto a entrar na sua confusão. -sorri-

sab: -sorri-

jaden: inseguranças? não se preocupe, não vou deixar você se afundar nelas. -deposito um beijo no topo de sua cabeça.

sab: -risada nasal-

jaden: o que? você é linda, e eu sempre vou te lembrar disso. -sorri-

sab: para com isso. - diz rindo, escondendo seu rosto em meu pescoço.

jaden: parar com o que besta? -ri-

sab: você falando isso é tão brega. -fala olhando para mim, e revira os olhos em meio de sua fala.

jaden: é brega, mas é real -coloco uma mecha de seus cabelos morenos atrás de sua orelha e prossigo- a gente pode fazer dar certo. Nada vai separar a gente. - falo com minha mão encaixada em seu pescoço, enquanto a mesma me olhava fixamente.

sab: promete que vamos aprender com nossos erros? sem mentiras, sem omissões, sem conversinhas, tudo a gente vai esclarecer e conversar claramente.

jaden: eu quem o diga, você quem esconde as coisas aqui.

sab: -revira os olhos-

jaden: você promete? porque eu prometo.

sab: sim senhor, capitão. - sela nossos lanches

jaden: eu posso me acostumar facilmente com isso. - falo olhando bobo para a morena sorridente na minha frente.

sab: -ri-

Quem vê de fora pode pesar que é rápido, mas eu não acho. Passamos mais de 2 anos na companhia um do outro desde sua volta de nova york e muita coisa aconteceu. Brigamos como cachorro e gato, nos preocupamos como família, nos doamos como amantes, brincamos como no colegial, como crianças fazendo joguinhos idiotas. Mas acima de tudo isso, foram coisas que me fizeram acreditar que podíamos voltar no tempo. Em dois anos, vivemos muito mais do que no ensino médio. Brigas, jogos, relacionamentos falsos, medos, mortes, feridas e problemas. Passamos muita coisa e conseguimos conviver, aceitar e jamais esquecer do que vivemo na escola. Não ligo se vão achar que é rápido ou não, porque na minha vida toda, a única certeza que eu tenho, é que eu não posso perder a chance de ser feliz, nem que seja por uma semana. Não posso perder a chance de ser feliz do lado da mulher que me faz feliz. Se não der certo, fodase, mas prefiro viver e ter certeza de que não dará certo do que perder a oportunidade com medo do que o destino me espera.

sab: eu preciso ir. - fala se sentando na cama - tenho trabalho, papeladas e algumas ligações pra fazer. sinto muito, querido, não vou poder ficar. -sorri e me dá um selinho-

jaden: -sorri-

sab: ei, ahm...não vamos falar pros nossos amigos sabe, sobre nós. Melhor esperar um pouco, não acha? ahm, eu tenho que ir mesmo, me liga depois? -dá uma piscadinha e sai do quarto-

Cada vez me surpreendo mais com sua beleza. Vendo-a sair do quarto com uma camisa minha e me lembrando da noite anterior. Do seu corpo, suas curvas, seu dom de me deixar doido. Só ela me deixa daquele jeito, excitado, com aquela queimação e sensação estranha, só ela.  Não falando só sobre seus dons na cama, mas de seu corpo sem igual. Parece esculpida a mão, uma grega. Mas vai muito além de seu corpo, mas do seu sorriso confiante e satisfeito, e dos seus joguinhos de palavras. Sua inteligência, sua confiança e sua sabedoria e sabor insano. Sabrina é muito além de um corpo, mas sua personalidade forte, seu amor por festas, sua inteligência e razão, ela é composta por um monte de qualidade e defeitos, que juntas, formam uma mulher insana e incrível, corajosa e forte...é uma mulher e tanto, alguém que me fez mudar e duvidar de toda perspectiva e razão da vida, me fez mudar o que eu pensava amor. Algo que eu via como tão idiota e fútil, mas que me mostrou que pode trazer sensações diferentes, e nunca sentidas antes. Ela me mudou, me consertou. 

SABRINA HALL 

Eu não estava com medo, mas eu estava assustada. Apesar de dizer que poderiamos tentar, eu queria ir devagar, queria entender, estudar isso, buscar saber onde isso daria. Eu não iria me jogar como se não houvesse amanhã, porque essa de 'vai que você morre amanhã', esse lance não funciona. Porque eu sempre acordo no dia seguinte e as vezes torcia para não acordar, eu juro, pois tudo aquilo que eu já senti. A dor, culpa, preocupação, confusão, vália mais a pensa não acordar...muitas vezes dormi, torcendo para não acordar, mas eu sempre acordava e acarva com as decisões tomadas. Eu não iria me jogar nessa, eu iria entrar, mas iria com calma. Estou ficando velha para viver a vida sofrendo e jogar o restante da minha saúde mental no lixo, as coisas não são mais como antes e eu sei as consequências de tais riscos, que eu não vou se quer pensar em correr de novo. Preciso de calma e certeza, preciso de tempo e processo.

Não vou ignorar ou enrolar Hossler, eu só vou...viver. Mas em casa, sem sway, sem almoços e beijos públicos. Podemos fazer em casa, não precisamos oficializar colocando em outdoores nossa tentativa de relacionamento, podemos ir com calma. Se eu sei que temos algo, ele sabe que rola algo, por que precisamos contar para o mundo? não faz sentido. Nós dois sabendo e tendo consciência, já é suficiente e eu gosto assim.

Não quero correr o risco de ir deitar torcendo para não acordar. Me deitar chorando, pedindo para Deus fazer com que a dor acabe ou que o sentimento ruim vá embora. Não vou correr o risco colocando toda minha saúde em jogo, eu já joguei coisas demais no lixo, não vou repetir os mesmo erros.

saved from my confusionHistórias para pegar e não largar. Descubra agora