Chapter Two

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Josh Beauchamp

Na maior parte do tempo, ter Any como melhor amiga é demais.

Entre as vantagens estão:

1) Apesar de não entender nada de combinação de cores, tenho certeza de que nunca vou sair na rua parecendo um palhaço.

2) O filtro de água é reabastecido com regularidade.

3) Ela lava roupa por diversão , e só reclama em uns trinta por cento das vezes em que coloco as

minhas com as dela.

Ah, e como a aventura desta manhã demonstrou, ela é um excelente pretexto para me livrar das garotas mais grudentas.

Mas tem também as partes não tão legais. Tipo quando ela passa trinta e cinco minutos escolhendo luminárias.

— Pega logo essa — digo, apontando para uma qualquer, com pedestal. A atmosfera barulhenta dominada por vozes infantis da IKEA começava a me sufocar.

Ela mal olha para a que sugeri.

— Parece um útero.

—Você acha que sei como é um útero?

— É como essa luminária. E, sinceramente, pelo tempo que você passa correndo atrás de garotas, já deveria estar mais familiarizado com nossas partes íntimas.

— O útero não é...— Eu me interrompo, procurando a palavra certa para tentar descrever as fracas lembranças que tenho da aula de educação sexual do oitavo ano.

Any ergue as sobrancelhas. — Não é onde fica o bebê?

Como qualquer cara normal no meu lugar, faço uma careta. — Minha nossa. Por que eu precisaria saber disso? Uso camisinha.

— E não poucas, a julgar pelo estado do seu quarto — ela diz, inclinando a cabeça para examinar a luminária verde-limão em suas mãos. — Você acha que combina com meu edredom?

— Você sabe que sou praticamente daltônico. Não faço ideia da cor do seu edredom.

— Sério mesmo? Vai fingir que nunca viu? Você deitou anteontem na minha cama com roupa de ginástica. Precisei lavar duas vezes pra tirar o cheiro de homem suado dele.

Balanço negativamente a cabeça. — Coitado do Pedro. Deve ter que forrar a cama com um saco plástico antes de transar.

— Pedro não tem cheiro de homem suado."

Franzo a testa. — Espera aí. Todo homem tem o mesmo cheiro.

— Não.

Abro a boca para argumentar, mas acabo dando de ombros. Essa é outra coisa que é preciso aprender quando se tem uma garota como melhor amiga. É preciso escolher o tipo de discussão em que se vai entrar.

— Você tem dois minutos pra escolher a luminária — anuncio. — Estou morrendo de fome.

Any ajeita a alça da bolsa no ombro. — Ah, eu só estava olhando. Não vou levar.

Respiro fundo, prestes a soltar um "você é inacreditável", quando percebo seu sorriso.

— Ah, entendi — digo enquanto nos encaminhamos para os fundos da loja, onde vou pegar minha cômoda nova. — É uma vingancinha. Está brava porque inventei uma coleção de bonecas bizarra pra você.

— Na verdade, foi mais por ter jogado fora as regras da casa. Vou mandar plastificar da próxima vez.

— Ou então você pode criar uma versão on-line e jogar na nuvem, como fazem as pessoas normais nascidas depois de 1980.

Mais Que Amigos (Adaptação Beauany)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora