19. Pontes

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Após o anúncio do Rei Pedro quanto à sua futura esposa, não tardou para que organizassem a mudança de Ella para o castelo e preparassem o casamento. Todo esse evento recebeu muita cobertura da mídia e gerou uma série de manifestações contra a união do governante com uma descendente de fada. Devido a tudo isso, o clima no clube abolicionista era de puro medo.

Aline tentava acalmar a filha arrumando-a até demais, pois talvez preocupar-se com algo fútil como a aparência ajudasse a desviar a atenção dos problemas de verdade. Todavia, infelizmente, o momento de embonecamento chegou ao fim e precisaram partir.

- Terminei. - anunciou a mais velha e apontou para um espelho – É melhor tomar cuidado no lugar aonde vai e não confiar cegamente no Pedro, entendeu? - a preocupação era evidente em sua voz

A mestiça gostaria de afirmar que confiava plenamente em seu noivo e no plano dele, porém também sentia suas pernas bambas como gelatina e vontade de simplesmente esconder-se. Apesar disso, ela assentiu firme e deu um abraço em sua mãe.

- Será difícil – Ella dizia emocionada – mas hoje é um dia importante. - sorriu orgulhosa – Mais importante do que pensamos.

- Eu amo você, querida. - disse Aline após puxá-la para um abraço

- Eu também. - respondeu a filha sorrindo

 	Enquanto isso, Pedro também preparava-se para a recepção de sua noiva na residência oficial do governo

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Enquanto isso, Pedro também preparava-se para a recepção de sua noiva na residência oficial do governo. Porém, a arrumação dele era um pouco diferente.

O monarca precisou jogar fora boa parte do estoque de comida depois de ficar sabendo sobre ameaças de envenenamento de sua amada. Por causa do avançar da hora e da falta de mão de obra, ele mesmo precisou ir correndo ao mercado comprar mais ingredientes para o almoço que teria com sua noiva. Precisou ir disfarçado, pois temia a reação da população.

Quando voltou para casa, o cerco já estava pronto, mesmo que ainda faltasse algumas horas para a recepção da futura rainha.

Havia várias pessoas aglomeradas com cartazes posicionando-se contra a união entre humanos e fadas e exaltando a superioridade dos primeiros. Dizeres como "Não à miscigenação", "Apenas humanos" e "Antes nas nuvens do que no governo" eram recorrentes. Palavras de ordem eram gritadas com um fôlego infinito e o rei tentava concentrar-se nos alimentos comprados para abafar sua consciência dos gritos.

- 1, 2, 3, 4! Não queremos integrar! - berrava a multidão sem parar

No momento em que estava próximo o suficiente dos portões para que os guardas percebessem sua intenção de entrar, foi imediatamente barrado.

- Você não pode entrar aqui, são ordens do rei. - disse um deles, sério

- Pois eu tenho permissão do rei para entrar aí. - Pedro foi firme, mas diante da hesitação dos guardas precisou remover parte do disfarce e mostrar suia identidade

A grande fuga de CinderellaOnde histórias criam vida. Descubra agora