Jude e o medo

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Cheguei na escola cedo naquele sábado, porque faríamos o último ensaio geral antes da estreia naquela noite, todos estavam eufóricos e torcendo para que o tempo passasse mais rápido.

No fim da manhã, estávamos todos mortos de fome e cansaço, porque também precisávamos controlar o tempo de mudança de cenário para que as coisas corressem no tempo correto e não houvesse qualquer atraso.

— Pelo amor de Deus, alguém sabe onde o almoço está? Eu to faminto! — Gritava Daniel, o rapaz que faria o serviçal na peça; ele já estava jogado de joelhos no meio do palco com uma cara manhosa.

— Eu também to com fome — fiz a mesma cara manhosa para Megan.

— Gente, gente! — Uma das garotas do audiovisual apareceu na porta de trás do auditório, gritando. — Alguém trouxe um monte de comida pra gente comer, tá lá no refeitório! Corram!

Todo mundo começou a se entreolhar enquanto os murmúrios começaram, mas logo Megan se levantou e todo mundo foi atrás dela. Quando chegamos ao refeitório tinha uma mesa cheia de comida, entre pizzas, hamburguês, e todo o tipo de comida que todo mundo adorava e eu evitava comer.

— Esse é seu — um Ellios surgiu ao meu lado com uma sacola de papel, onde continha uma marmita de um restaurante que eu gostava. — Especialmente feito pra você.

— Ellios, você é o melhor de todos nessa escola — comentou uma garota enquanto tomava um suco.

— E você ainda trouxe esse almoço pra mim, muito obrigado, Ellios — eu disse, um pouco hesitante com aquele gesto, porque não tínhamos nos falado desde o dia da arquibancada.

— Vem, vamos conversar mais longe desses mortos de fome — ele segurou meu ombro e me guiou pra uma mesa mais afastada.

Abri a marmita assim que sentei e vi tudo que eu gostava: tinha carne com batata, arroz, um pouco de salada e laranjas também, mas parei antes mesmo de colocar a colher no prato:

— Eu sinto muito por ter te magoado, Ellios — ele ficou em silêncio enquanto eu falava, mas não tive coragem sequer de olhar em seus olhos, então continuei focando no almoço tão gostoso que ele tinha trago. — Você tinha razão, sempre esteve do meu lado, me apoiando e me ajudando... Até os bancos você conseguiu que colocassem no corredor e...

— E não é por isso que eu devo te punir por ter sentimentos — finalmente olhei pra ele; ah, Meu Deus, que homem lindo. Ele estava com o queixo apoiado na palma da mão com o maior sorriso que ele tinha conseguido dar, e se eu me esforçasse, conseguiria ouvir um coro de anjos agraciando a beleza dele.

Não pude me conter e fiz uma cara manhosa de choro, me levantando e correndo pra um abraço apertado no colo dele, do jeito que ele sempre fazia.

— Como eu vivi sem você todos esses dias? — Minha voz manhosa era abafada pelo pescoço dele, mas logo me afastei. — E você ainda trouxe comida pra mim...

— Foi o Mason quem pagou, Jude.

Eu tinha voltado a me sentar, afastando o cabelo do rosto e fazendo uma nota mental de cortá-lo antes da peça e fiquei sem jeito ao ouvir sua última frase. De repente, Mason pareceu tão presente em tudo ali.

— Ele pagou o almoço de todo mundo e depois foi pessoalmente comprar o seu.

— Por que ele não veio deixar?

— Eu não sei — ele soltou um ar do pulmão, roubando um pedaço da minha carne. — Eu me sinto na obrigação de um de seus melhores amigos a te dizer o que aconteceu entre nós.

— Não precisa me falar... — Eu respondi, finalmente dando uma colherada naquele almoço tão bonito. Ele não sabia, e sinceramente não via motivos para saber, mas eu os tinha visto no apartamento dele. — Realmente não precisa me falar nada, é algo seu e só seu e...

Quem Vai Conquistar Mason Harris? - Romance GayOnde histórias criam vida. Descubra agora