Capítulo 2

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Boa leitura :)

>.<

A casa era maior do que eu pensei, e em todas as paredes continha a letra "V" de uma forma artística, que conseguia passar medo. Mas, o que seria "V"? Tentei perguntar quando estávamos no terceiro corredor, minha boca não se mantendo fechada, porém só recebi um olhar de canto de olho e mais silêncio. Se eu iria morrer, por que não poderiam me contar? Não teria chances de eu voltar e contar para alguém. Mas eles nunca responderam e nós apenas continuamos andando e subindo escadas, meus passos cada vez mais lentos e dolorosos. Porra, se eles são tão ricos como pareciam ser, por que não colocaram um elevador?! Subir tudo isso era cansativo e parecia que eu estava prestes a desmaiar. 

Certo, Peter, pare de pensar em coisas fúteis. Você está prestes a morrer e não está em pânico. Bem, eu não quero morrer. Porém o que iria fazer? Sem chances de um garoto magricelo e desnutrido como eu enfrentar esses dois. Eles eram maiores, mais fortes e com toda a certeza, tinham treinamento de algum tipo de luta. Eu iria morrer de qualquer jeito. Além do mais, quem era o tal "Brucie" que o menino falou antes? Seriam três deles para fazer isso? Tenho aparência de que dou algum tipo de trabalho na hora da resistência? Ora, por favor, não precisava desse exagero.

Com a minha crise interna, nem percebi que estávamos em frente a uma porta, com o garoto dentro da sala me olhando com uma das sobrancelhas arqueadas. O que ele queria? Que eu entrasse de boa vontade ao lugar da minha morte?

– O que foi?

– Essa é a hora que você entra.

– Vocês vão me matar?

– Pensei que meu pai tinha deixado claro que não mata crianças.

– Ele. Mas nada impede você de matar. – Dou de ombros, tentando assumir uma pose menos patética. Seria difícil, levando em consideração o estado em que estou. Se duvidar, há grama em alguma parte do meu corpo.

– Na verdade, existe algo sim. Mas você não vai morrer, garoto. Estou te levando para um médico.

– Um médico?

– Sim, foi o que eu acabei de falar. Mas olha, pelo menos a sua audição está boa! – Se eu desse um soco em seu rosto para tirar esse sorriso sarcástico, isso faria com que eu fosse morto? Bem, a tentativa com certeza seria falha, mas imaginar a cena pelo menos já aplaca um pouco da raiva que tomou posse de mim. – Ok, agora sério, você está péssimo e tem um corte que provavelmente vai precisar de pontos, então, por favor, entre aqui e deixe Bruce resolver. – Ele apontou para o supercílio, onde tinha sangue mais cedo. Deveria ter sangue agora também. Lanço um olhar desconfiado para ele, que apenas sai do caminho, me permitindo ver o local. Era todo branco e tinha uma maca daquelas que ficam em consultórios bem no meio. Podia ver a mulher ruiva e outro cara conversando no canto.

– Vocês não vão me matar? – Pergunto novamente, tentando ter uma certeza idiota sobre isso.

– Não, já disse que não.

– Por quê?

– Você quer morrer? – E aquela bendita sobrancelha está arqueada de novo.

– Não...

– Então por que não está apenas chorando de alívio como todos os outros?

– Porque não acredito em você. – Cruzo os braços, sentindo os músculos doerem. Ele apenas suspirou, passando a mão pelo cabelo.

– Nada vai fazer você acreditar em mim e eu entendo. De verdade. Só que você tem um ferimento que precisa ser cuidado e nós temos a ajuda bem aqui. – Harley aponta para o ambiente. 

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