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Me entreguei de corpo e alma, talvez mais de alma, porque nossas essências não cabiam em apenas um corpo. Elas precisavam se enlaçar, como rios que se encontram no mar e nunca mais se separam. 

Tudo começou com beijinhos leves pelo rosto, suaves como pétalas que pousam sem pressa. Aos poucos, o beijo se tornou mais urgente, como se nossas almas buscassem se reconhecer logo, depressa. Jason me deitou devagar na cama, tão macia quanto o calor da sua pele na minha. Seus lábios exploravam meu pescoço com delicadeza, e cada toque parecia revelar um segredo guardado, o que guardavámos por tanto tempo. Ansiosa de modo faiscante, ousei em retirar a sua blusa.

— Ainda não... quero ser eu a despir você primeiro, doce Hobbit. — murmurou, com um sorriso que me fez rir e estremecer ao mesmo tempo. 

— É hoje que conheceremos o paraíso do mundo dos Hobbits. — Ser engraçadinha foi mais forte que o fogo que pulsava. O meu brutamontes apenas soltou uma daquelas gargalhadas feias que, aos olhos dos apaixonados, são as mais lindas e genuínas que podem existir.

Suas mãos deslizaram pela alça do meu vestido, e o tecido foi cedendo lentamente, como se a noite conspirasse para nos deixar mais próximos. O suspiro dele me envolveu, e eu senti que não era apenas meu corpo que se revelava, mas também minha confiança. 

Beijei-o de volta, unindo meu corpo ao dele, pele com pele, e naquele instante o paraíso se mostrava. Não havia pressa, apenas a certeza de que estávamos descobrindo juntos um mundo novo. Cada gesto era uma promessa silenciosa, que estava sendo cumprida imediatamente. Cada olhar é um pacto de entrega, um amor declarado sem precisar de palavra alguma. 

Jason sorriu, e seus braços me envolveram com ternura. Não era apenas paixão, era como se estivéssemos aprendendo a respirar juntos. E quando finalmente nos entregamos por inteiro, senti meu coração se expandir em ondas, como se o próprio mar tivesse vindo me abraçar. E suas ondas arrancavam de mim suspiros que eu desconheciam, um som que não sabia que era capaz de cantar, tal como um canto de sereia em busca de seu navegador.

O fim daquele momento foi doce, pleno, urgente. como quem descobre que o paraíso pode caber em uma noite. 

Deitei em seu peito, ouvindo o compasso da respiração dele, e por alguns minutos o mundo inteiro desapareceu. Era só nós dois, e a certeza de que aquela noite ficaria guardada em mim como um tesouro.

 

🌟

Não parava de relembrar a noite passada. Cada detalhe era guardado em um potinho especial da minha mente, desses que a gente fecha com cuidado, mas que insistem em se abrir sozinhos. A fita rebobinava sem parar. Eu pensava nos toques de Jason, nos beijos que ainda pareciam impressos na minha pele, na maneira como ele me exaltou em cada segundo que pareceu eterno.

Era como conhecer o mar pela primeira vez. Quando a maresia beija o rosto, se infiltra nos cabelos, quando os pés afundam na areia quente e, sem pensar muito, você corre — corre direto para a água, só para aliviar o calor que já não cabe mais em você.

— Como assim ele te expulsou? — Cynthia se sentou no sofá bruscamente, como se eu tivesse acabado de atirar nela.

Suspirei, ainda presa entre a memória e o presente.

— “Expulsar” é uma palavra muito forte… — fiz aspas no ar, sem convicção alguma. — Ele só pediu para que eu fosse embora.
Quem eu estava tentando enganar?
Aquilo tinha sido praticamente uma expulsão, embalada em educação.

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⏰ Última atualização: Jan 08 ⏰

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