Capítulo 3

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Rafael Rodrigues

Há umas duas semanas venho trabalhando com a imagem daquela garota em minha cabeça, olha que o trabalho não tem sido pouco e mesmo assim a lembrança do seu cheiro é constante em minha mente.

Depois de alguns minutos vendo a luta da garota para ligar o carro eu me dispus a ajudar, a Princesinha toda dona de si não pensou duas vezes ao negar a minha ajuda e não pude evitar o deboche quando ela disse que não precisava de mim. É claro que eu entendi que talvez ela só estivesse tentando se proteger de um cara desconhecido, mas no fundo não consegui evitar o desconforto de que ela me quisesse longe.

Bem, voltemos ao início... Estava eu bebendo a minha cerveja como de costume em uma mesa na entrada da loja de conveniências do bairro, quando essa mesma garota passou por mim sem ao menos me olhar, isso nem de longe me incomodou, mas o cheiro que ela deixou quando passou por mim foi como uma droga injetada diretamente em minha corrente sanguínea, eu poderia me viciar em seu cheiro facilmente. Mas não queria isso.

Não queria que ninguém se aproximasse o bastante para que eu pudesse me apegar.

Eu não queria machucar ninguém, essa era a verdade.

Com a frente da loja toda de vidro eu pude ver a garota andando pelos corredores, ela parecia estar cantando alguma coisa baixinho porque sua boca não parava de se mover. Pude ver quando ela pegou algumas latinhas de cerveja, algumas barras de chocolate e por fim, a vi por um longo tempo em frente ao freezer de congelados.

Não pude evitar, sem perceber eu observava cada um de seus passos, cada movimento de seu lindo corpo.

Ela era uma garota comum, uma garota estranhamente linda e o pior é que ela parecia nem se esforçar para isso. Ela usava uma calça jeans justa, um blusão aparentemente masculino pelo tamanho e calçava um chinelo de dedo qualquer. Seu cabelo era tão curto que os fios não chegavam nem perto de seu ombro e ela não se importava de deixá-los organizados. Mesmo com toda essa simplicidade e esse jeito despojado, por algum motivo que eu desconhecia, ela havia chamado a atenção.

Forcei meus olhos a se desviarem da garota e me distrai com o pouco movimento dos carros que passavam na rua. Me mantive inerte até o momento em que o cheiro dela me invadiu novamente, respirei fundo na tentativa de guardar seu cheiro em minha mente e me irritei porque queria mais, ansiava por mais.

Observei em silêncio quando ela tentava dar partida em seu carro, ela parecia esbravejar quando mais uma vez não conseguiu ligar o carro. Então decidi ajudar, mas eu não contava com desenvoltura dos seguintes acontecimentos.

Quando bati de leve na janela de seu carro eu não contava que ela iria se assustar, mas foi o que aconteceu. Eu quis rir ao ouvir seu xingamento, mas me contive.

- Sim? – perguntou ela toda dona de si.

- Precisa de ajuda?

- Não. Não preciso. – ela respondeu.

- Claro que não. – não fui capaz de conter o tom de deboche. – Se mudar de ideia estou bem ali. – completei ao apontar a minha mesa.

Ela pareceu surpresa quando olhou para a direção que eu apontava, mas como ela mesma havia dito que não precisava de ajuda eu me virei e fui em direção a minha mesa, torcendo para que no fundo ela mudasse de ideia e precisasse de mim.

- Ei. Pode me emprestar o seu celular para eu chamar um Uber? – ela disse logo após eu ter escutado o barulho de sua porta sendo aberta.

- Meu celular está descarregado. Abre o capô do carro. – menti sobre o meu celular porque eu queria poder ficar mais um tempo ao seu lado e também porque eu sabia que era capaz de colocar o carro para funcionar. – Vamos princesa, não tenho a noite toda.

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