Rafael Rodrigues
Fui um idiota em convidar Laura para jantar. Não sei porque, mas algo me dizia para ficar perto dela ao mesmo tempo que me dizia para ficar longe.
Quando sai do banho e interrompi seus devaneios eu pude perceber uma tristeza em seu olhar. Naquele mesmo momento, a minha vontade era apertá-la contra o meu peito e dizer que não importa o que a afligisse naquele momento, iria passar. Mas, em vez disso, me calei.
Afinal, eu mal a conhecia. O que poderia dizer mais naquele momento?
Depois veio a discussão para dividir a conta e é claro que eu não permiti isso. Aquilo ia contra ao que eu julgava ser certo, a garota estava até tarde aperfeiçoando uma simples lista, ninguém que tenha trabalhado aqui antes havia se importado com tão pouco. Além disso, por mais que eu não dissesse nada, eu reparava no quanto a loja vinha ficando cada vez mais organizada e limpa. Nas poucas semanas que Laura vinha trabalhando na loja já via um pouquinho dela em cada parte dali e confesso que eu havia apreciado isso, pagar o jantar era o mínimo que eu poderia fazer para retribuir.
Ela era dedicada, responsável e atenciosa. Por mais que eu não gostasse de admitir eu estava gostando mais do que gostaria de sua presença na minha vida... digo, na loja.
Bom... Depois de me peitar e se impor, Laura cedeu.
- Preciso lavar as mãos, posso usar o seu banheiro? – ela perguntou dando um passo atrás e quebrando o contato visual que mantínhamos.
- Claro, fique à vontade – completei lhe indicando o caminho do banheiro.
Laura havia deixado sua bolsa na mesa assim como seu celular que por sinal começou a tocar.
Não tinha intimidade para atender seu telefone, mas ele já estava tocando pela terceira vez seguida, no identificador de chamada estava escrito mãe e por impulso eu atendi.
- Laura! Eu estou tentando falar com você desde a semana passada. É muita ingratidão sua não me atender. – me mantive em silêncio sem saber o que dizer e a mulher do outro lado da linha continuou. – Está me ouvindo Laura? – Merda, eu precisava responder alguma coisa.
- Desculpe, a Laura está no banheiro. Aqui é o...
- Então é você o tal namorado? Pensei que você não existisse e que a Laura tivesse inventado que tinha um namorado apenas para se sentir superior a irmã dela. – ela disse num tom de voz arrogante me interrompendo.
- Não acho que a Laura precise disso, senhora.
- De qualquer forma, peça para a ingrata da minha filha retornar a minha ligação o quanto antes. Ela será a madrinha do casamento da irmã e precisa me mandar a foto do vestido que irá usar na cerimônia. Isso é tudo, vejo você aqui também – decreta e então desliga na minha cara.
Fico olhando a tela do celular sem entender nada.
- O que foi? – Laura pergunta ao retornar.
- Sua mãe ligou e eu atendi – digo sem protelar.
- Você o quê? – perguntou alterada. - Você não devia ter feito isso Rafael. – ela completa visivelmente angustiada tampando o rosto com as duas mãos.
- Desculpa. Eu realmente não devia ter mexido em suas coisas, mas ela ligou três vezes seguidas e pensei que fosse algo importante.
- Droga – ela diz mais para si do que para mim antes de me direcionar um olhar perdido. – O que ela disse?
- Que está esperando a foto do seu vestido de madrinha.
- Meu o quê? – Laura pergunta confusa.
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Oficina do Amor
Storie d'amoreUma mulher solitária e marcada pelo passado. Um homem que coloca todos acima de si mesmo. Laura atualmente mora em Niterói e tudo que ela busca no momento é um emprego. Por consequência do seu passado, Laura é uma mulher que sempre tem um pé atrás...
