Laura Morais
Acordo com uma dor de cabeça horrível e tudo que mais quero é continuar dormindo, mas a porcaria do meu celular toca sem parar em algum lugar distante daqui.
Abro os meus olhos e me assusto por não reconhecer o local onde estou. Essa cama, esse quarto... Merda!
Levanto em um pulo e sigo o barulho do celular que me leva para a sala da casa do Rafael. Isso mesmo. Você não leu errado. Mas que diacho eu estou fazendo aqui?
Pego o meu celular e vejo que já são 09:00 horas. Estou mega atrasada para o trabalho, mas eu praticamente dormi no trabalho. Ai Jesus, me ajude Senhor!
Depois de lavar o rosto eu roubo um pouquinho de pasta de dente e dou uma esfregadinha com o dedo mesmo e depois de disfarçar um pouco a minha cara de ontem eu pego a minha bolsa e com a cara e coragem desço as escadas que dão para o galpão.
Quando bato os olhos no Rafael de costas, flashes da noite anterior invadem a minha mente. Não é possível que eu tenha contado toda a minha vida para esse homem.
Rafael aperta a mão de um homem e se vira dando só agora conta da minha presença.
Devo ter ficado vermelha como um pimentão porque senti uma quentura absurda em meu rosto, provavelmente resultado de uma grande quantidade de sangue concentrada bem ali.
- Dormiu bem? – Rafael pergunta com um pequeno sorriso quando se aproxima de mim.
- Sim e você?
- Bem também na medida do possível. Acho que preciso de um sofá maior.
- Você dormiu no sofá? - Eu jurava que eu tinha me deitado no sofá ontem a noite, mas acordei na cama, culpa da bebida.
- Queria que eu dormisse com você na minha cama?
O que é mais vermelho que um pimentão? Seja lá o que for eu fiquei igual.
- Não, é que... – travei. – É sua cama, eu não deveria ter bebido e deveria ter ido para casa.
- Suponho que não deveria ter me contado toda a sua vida também, não é? – disse com um sorriso.
- Merda! – eu disse passando por ele constrangida por me lembrar das coisas que lhe contei na noite anterior.
Pisco várias vezes para evitar as lágrimas que teimam em se formar em meus olhos.
- Eu insisti que você ficasse na minha cama, Laura – Rafael disse segurando o meu braço, me fazendo ficar frente a frente com seu corpo. – E quero conversar com você hoje.
- Não. Esqueça tudo o que eu te disse, nada disso é problema seu.
- A minha proposta ainda está de pé – ele disse sério me fazendo entreabrir a boca de surpresa.
- Você não pode fazer isso! – exclamei me soltando, mas ele me encurralou ainda mais contra a coluna que estava atrás de mim.
- Posso sim - disse se aproximando.
- Não pode não! – disse relutante. – Todo esse problema é meu - repeti cutucando o seu peito com o indicador.
- Um problema que eu te enfiei quando atendi o seu telefone.
- Você só pode estar brincando se acha que pode se passar pelo meu namorado – ri comigo mesma, mas parei quando não vi graça alguma na feição do Rafael.
- Passo na sua casa depois do expediente para a gente conversar – ele decreta me deixando ali sozinha.
Completamente surtada.
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Oficina do Amor
RomansaUma mulher solitária e marcada pelo passado. Um homem que coloca todos acima de si mesmo. Laura atualmente mora em Niterói e tudo que ela busca no momento é um emprego. Por consequência do seu passado, Laura é uma mulher que sempre tem um pé atrás...
