Laura Morais
Nos dias seguintes ao que passei cuidando do Rafael eu estava vivendo minha vida super de boa, estava finalmente me sentindo... razoavelmente feliz. O sorriso fazia morada em meu rosto assim como a esperança e expectativa de que dias melhores viriam.
Rafael e eu estávamos indo devagar, ele vinha buscando motivos para me chamar no galpão, assim como eu dizia que estava com algum problema na loja sem realmente estar apenas para nos vermos. Parecíamos dois adolescentes que estavam se conhecendo, tudo era motivo para sorrir um para o outro.
Depois daquele beijo ainda não havia rolado mais nenhum porque quando chegou a noite naquela segunda-feira, o Damião chegou de mala e cunha para passar a noite com Rafael e eu fui para a minha casa.
No dia seguinte o Rafael não foi trabalhar, mas eu abri a loja. O Damião ficou comigo naquele dia porque assim podíamos revezar para cuidar do Rafael também, depois disso, a quarta, quinta e sexta-feira passaram e aqui estava eu no sábado depois do meu expediente. Relativamente cansada.
Chegando em casa eu fui direto para o chuveiro, passei pelo menos meia hora debaixo da água quente sentindo o meu corpo relaxar e refletindo por ter mandado apenas uma mensagem de texto para o Rafael me despedindo antes de ir embora. Uma leve sensação de culpa misturado de saudade me atinge, no entanto não era como se fossemos namorados para isso, eu nem mesmo desejava isso no momento, não podia negar que a sensação de estar com ele era boa porque na verdade cada momento com ele era maravilhoso e repleto de sentimentos que há muito tempo eu não sentia por ninguém, entretanto eu sabia que era passageiro, dificilmente algo tão bom assim seria permanente, constante ou durável na minha vida e eu estava conformada com isso.
Saí do box quase enrugada por ter ficado um bom tempo de molho no banho. Coloquei um short curto de pano molinho para ficar em casa e também uma das minhas blusas preferidas com a estampa bem condizente com o meu estado atual.
"Livre, é o que ela mais queria ser"
É um trecho da música do Tiago Iorc, Liberdade ou Solidão. Bem a minha cara, não só a frase como também o nome da música e a música em si.
Coloco a música em questão para tocar e ponho o meu fone para não perturbar o seu João que morava na casa de baixo. Enquanto reflito em umas das minhas músicas preferidas eu coloco um arroz no fogo e uma lasanha à bolonhesa no micro-ondas, a lasanha é daquelas congeladas que já vem pronta, mas nem ligo porque ela é gostosa de qualquer jeito.
A canção de ritmo suave me faz fechar os olhos e balançar o meu corpo sem ritmo algum com a minha gata no colo. Danço e canto:
"Livre, era o que ela mais queria ser
Livre, pra ir e vir e ser o que quiser
Quando quiser e se quiser
Mas só o tempo só pra descobrir
Se a liberdade é só solidão
E só o tempo só pra descobrir
O que é ser
Livre, se já não faz sentido
Ou nunca fez
Livre, pra encontrar motivo outra vez
Mais uma vez ou de uma vez
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Oficina do Amor
RomanceUma mulher solitária e marcada pelo passado. Um homem que coloca todos acima de si mesmo. Laura atualmente mora em Niterói e tudo que ela busca no momento é um emprego. Por consequência do seu passado, Laura é uma mulher que sempre tem um pé atrás...
