Laura Morais
Acordo com a Pretinha miando sem parar no meu ouvido, literalmente no meu ouvido já que a danada pegou o costume de dormir bem na minha cama.
- Bom dia Pretinha. Está com fome?
Miau... Miau – ela responde parecendo entender tudo o que eu digo.
- Tudo bem, estou indo - digo já me espreguiçando.
Me levanto da minha cama quentinha e coloco um pouco de ração para a gata do seu João.
Pois é, ele diz que a gata é dele, mas é nítido que a gata gosta mais de mim do que do dono e eu inconscientemente posso ter contribuído para que isso acontecesse. Quando cheguei aqui com uma mão na frente e outra atrás, o seu João me acolheu como se eu fosse da família, eu que não sou uma ingrata quis retribuir e acabei mimando a sua gata, assim que comecei a trabalhar providenciei ração da melhor e sempre tinha um petisco que eu sei que ela gosta. Ah, e caminha pra quê se ela dorme na minha? Entenderam o nível do problema, não é? E o pior de tudo é que eu não vivo mais sem essa gata.
Aproveito que já estou de pé e dou uma ajeitada no loft antes de me arrumar para o trabalho. Não pensem vocês que só porque eu uso um nome sofisticado para falar do meu lar que ele seja um lugar chique ou requentado porque ele não é, minha casa se resume a um cômodo razoavelmente grande que é onde fica o meu quarto, sala e cozinha. Tudo junto e separado apenas por móveis em lugares estratégicos para separar cada ambiente, no entanto eu não poderia desejar coisa melhor, apesar do fato de a maioria dos móveis serem do seu João, tudo aqui tem um pouquinho de mim, um toque pessoal que faz com que eu me sinta em casa, é um lugar pequeno, mas tem mais significado de lar do que qualquer outro lugar que eu já tenha morado. Às vezes ter uma casa grande, dinheiro ou status não se compara a ter o seu cantinho e simplesmente viver em paz.
Saio de casa depois de deixar bastante comida para a minha gatinha e a janela um pouco aberta para o caso dela querer dá um oi para o João, pego o meu carro e vou para a padaria que fica no caminho da oficina. Compro de tudo um pouco para um baita café da manhã e vou para o meu trabalho.
Chegando lá eu encontro tudo ainda fechado, que estranho.
Busco em meu celular o número do Damião e mando uma mensagem pedindo o número do Rafael, desde que eu comecei a trabalhar aqui descobri que pontualidade é uma das qualidades do meu chefe, sempre que precisava falar com ele eu falava pessoalmente no horário de trabalho e por isso eu ainda não tinha o seu número.
Minutos depois Damião me envia o número e pergunta se está tudo bem, respondo que não sei ainda, mas que estranhei a loja estar fechada sendo que Rafael sempre é pontual com os seus horários.
Ligo para o Rafael uma, duas vezes e só na terceira vez que ele me atende com a voz rouca.
- Alô.
- Sou eu, Laura. Estou no portão, pode abrir aqui para mim?
- Vai para casa, não vamos abrir hoje – Rafael diz e desliga.
Estava ficando preocupada porque a sua voz não me parecia nada bem, volto a ligar e ele atende no primeiro toque.
- Abre o portão para mim Rafael – digo e dessa vez ele não responde. – Rafael?
- Estou indo - responde por fim e desliga.
Pego as coisas que comprei na padaria e espero. Espero mais um pouco e então eu o vejo vestindo uma roupa de frio estilo do Alasca. Esse não seria um problema caso estivesse frio, mas acontece que está um calor de rachar e seu rosto estava abatido.
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Oficina do Amor
RomanceUma mulher solitária e marcada pelo passado. Um homem que coloca todos acima de si mesmo. Laura atualmente mora em Niterói e tudo que ela busca no momento é um emprego. Por consequência do seu passado, Laura é uma mulher que sempre tem um pé atrás...
