Os raios de luz iluminaram a face de Sally naquela manhã, ele resmungou e cobriu o rosto com o cobertor. Quase pegou no sono novamente quando se deu conta que já era de manhã e ele precisava ir para a aula. Provavelmente Travis estaria esperando por ele. Sentado na cama e com o dedo na boca, enquanto roía ansiosamente a unha, o azulado tentava bolar um plano para passar despercebido e bem longe do loiro, o que seria quase impossível. A universidade toda viu a briga e era certo que eles também não deixariam Sal em paz, estava quase pensando na possibilidade de cabular aula quando o celular tocou. Seria Henry?
— Alô? — Sal decidiu falar após alguns segundos de silêncio de ambas as partes.
— S-sal? — A voz do outro lado parecia um tanto nervosa. — É o Larry.
— Ah... Larry? Como conseguiu meu número? — O garoto ficou surpreso, era a primeira vez que recebia uma ligação que não fosse do pai.
— Minha mãe conseguiu com o seu pai. Desculpa se estou incomodando, queria saber se você tá bem, sabe... — Era divertido como Larry não tinha nada a ver com a aparência intimidadora.
— É... Estou bem, um pouco dolorido, mas bem. E você? — Sal não teve tempo de olhar para o Johnsson quando saiu às pressas da casa do mesmo feito um gatinho assustado.
— Parece que um caminhão passou por cima de mim. — Larry esboçou um riso soprado e logo depois um grunhido de dor que fez Sally rir.
— Estou pensando em faltar hoje, o Travis vai me sabugar. — O azulado já estava atrasado mesmo, e por algum motivo, o pai saiu mais cedo.
— Sabugar?! De onde você tirou isso. — E Larry riu mais uma vez, sem parar. Sal não podia ver, mas ele estava com uma mão na costela como se pudesse aliviar a dor.
— É sério, cara... Do que você ta rindo? — Os dois passaram bons minutos rindo e compartilhando palavras esquisitas.
A chamada foi encerrada com um Sally risonho e alegre como nunca. Ele nem sequer lembra a última vez que riu assim, provavelmente quando sua mãe ainda era viva. A mulher de longos cabelos loiros contava piadas e fazia cócegas no pequeno Sal. Jogou o celular na cama e pegou a prótese na escrivaninha, deslizando o indicador sobre os "ralados" causados pela queda do dia anterior. Mesmo que dolorido e cheio de machucados e hematomas, a lembrança fez o pequeno sorrir, ele ainda podia sentir o calor da mão suada de Larry apertando a sua. Larry segurou sua mão e correu consigo, salvou sua pele de Travis e eles não passavam de desconhecidos que coincidentemente moravam no mesmo prédio. Deveria deixar Larry entrar? Entrar em sua vida, conhecer sua história, sua casa, sua face... Como amigos de verdade fazem? Os pensamentos apunhalaram o coração de Sal, ele estava acostumado com falsas amizades e não queria que o moreno fosse apenas mais um.
Com lembranças indo e vindo, Sally decidiu manusear Sinner, sua queridinha. Tirou a guitarra vermelha e bem detalhada do suporte na parede antes de voltar para a cama. Os dedos bem treinados e habilidosos começaram a tocar as cordas do instrumento com uma de suas músicas favoritas, True Friends da banda Bring Me The Horizon.
I wouldn't hold my breath if I was you...
Cause I'll forget, but I'll never forgive you.
Don't you know, don't you know.
True friends stab you in the front.
Cantando baixinho, apenas para si, o som grosseiro de Sinner preenchia as paredes da casa vazia. Apenas Sal e a música.
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— Larry, me conte agora o que são essas manchas no seu corpo?! Hematomas? Andou brigando, não foi? — Lisa pegou Larry desprevenido depois do banho, sem camisa e com uma toalha enrolada no cabelo ela acabou vendo as manchas arroxeadas na costela do garoto, além de outros vários machucados.
— Não, mãe... É uma longa história. — Ele abraçou o próprio corpo com os braços magros tentando se esconder.
— Desenrola, me conta! — A mulher puxou o filho pela orelha e o colocou sentado na cama.
— Tenho vinte anos, sabia? Mas tudo bem, eu conto. Sally arrumou confusão com o Travis, eu quis ajudar e puxei ele pra fugir... Nós corremos muito e eu acabei tropeçando. Satisfeita? — O Johnsson viu a expressão de Lisar voltar ao seu habitual, o que não durou muito tempo.
— Sally está bem? Que irresponsável vocês dois. — Puxou mais uma vez a orelha de Larry. — Eu sei que vocês já são homens barbados, principalmente você. Fico preocupada porque sei como as pessoas daquela universidade são. Tome conta do Sal, ok?
Por alguma razão, aquela última frase fez Larry corar. Ele esperou a mãe sair do quarto para se jogar na cama e cobrir o rosto com a toalha que estava sem seu cabelo. Ficou jogado por uns minutos até que o seu celular tocou indicando mensagem. Todd havia adicionado ele e mais outra centenas de pessoas em um grupo com o título: "FRIDAY PARTY OOOH YEAH 🎉🎉." Só podia ser coisa dele. Em poucos segundos várias mensagens de outras pessoas foram chegando, a universidade ficava fervorosa com as festas que geralmente aconteciam toda sexta-feira. Era um pouco estranho ver como Todd fugia do personagem nerd para festeiro drogado quando se tratava de festejar, não levava o apelido de O rei da festa atoa.
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When I met you. - sarry
RomanceUma nova cidade, novas pessoas e uma nova vida. Sal Fisher está prestes a enfrentar as dificuldades em ser um jovem diferente na universidade de Nockfell. Ele só não esperava mudanças bruscas e um tanto violentas. Fic de Sally Face com foco em Sarr...
