7. Invitation card.

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Larry viu naquela festa a oportunidade perfeita para apresentar Sally aos outros, mesmo já prevendo que o azulado recusaria o convite. Só se vive uma vez, o que custa tentar. Copiou a mensagem do grupo e encaminhou para o contato de Sal que até então, era a única no chat de conversa dos dois. Não demorou muito para que o sinal de confirmação de leitura ficasse azul e o status apontava que ele estava online.

Sally:

Não sei se é uma boa ideia, nunca fui a nenhuma festa...

Larry:

Vamos! Não precisa ficar a festa toda, quero que conheça meus amigos! :] 😬😬😬😬

Sally:

Não sei... Posso pensar, te dou uma resposta até sexta feira, tudo bem?

Larry:

Prometo que não vou passar a semana enchendo o seu saco! ^^ até amanhã na facul 👍

Sal esboçou um sorrisinho. Depois do acidente onde os dois saíram rolando ladeira abaixo e Larry quase viu seu rosto, eles decidiram não tocar no assunto e não se viram mais, apenas trocaram alguns olhares durante os períodos de aula. O convite pegou Sally de surpresa e por algum motivo, mesmo odiando pessoas, multidões e etc, ele ficou muito feliz. Feliz e inseguro. Queria muito ir, é claro, se não fosse por um único detalhe. Detalhe esse que estragou sua vida e continua lhe causando estragos. Mesmo depois de anos, ainda era muito difícil para o pequeno ter que lidar com olhares e comentários por onde passa. O que diabos não poderia acontecer em uma festa, então? A ideia o assustava.

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— Todd, e se... A festa de sexta feira fosse temática?! — Larry sacudia o amigo pelos ombros enquanto andavam pelos corredores da universidade.

— No que você tá pensando? — Como sempre, o ruivo não tirava os olhos do smartphone.

— Uma coisa mais creepy, sabe? Fantasia, mas nada disso de anjinho, diabinho e etc. — A verdade era que Larry não estava dando aquela sugestão de última hora apenas para ajudar Todd na festa, o objetivo dele era outro.

— Larry, chama o seu amigo! Eu estou doida pra conhecer ele. — Ashley quebrou o silêncio já que a resposta de Todd não veio. O castanho levou um susto, pois estava pensando em Sally quando propôs a ideia para a festa.

— Ele está me devendo uma resposta até sexta-feira. — Larry olhou para trás procurando os fios azuis antes de adentrar o grande refeitório com os amigos, era o café da manhã.

O castanho pensou que talvez o azulado não ficasse tão acanhado se todos na festa usarem máscaras, mas também estava com medo de soar como algum tipo de ofensa, afinal, ele não sabia o que aquela máscara significava para Sal.

Era terça-feira de manhã e a universidade estava fervorosa depois que o tema da festa foi anunciado por Todd no grupo do whatsapp, pelo visto, todos adoraram a ideia das fantasias. Só se ouvia isso por todos os cantos e corredores. Ashley ficou assustada, o anúncio foi feito quando eles estavam saindo do refeitório e em questão de segundos, tornou-se o assunto mais comentado, o que não passou longe dos ouvidos do azulado. Enquanto todos os outros alunos lanchavam, fumavam, transavam e faziam outras mil coisas antes do sinal tocar, ele já estava na sala, era o primeiro a entrar. "Festa a fantasia, então..." Pensou ele rabiscando a mesa com um protótipo de máscara diferente, ela era preta e tinha um sorriso formado por luzes de led azul, igual o assassino mascarado da série Slasher. Sal adorava desenhar protótipos, seu sketchbook continha várias ideias de próteses, uma mais legal que a outra. Até arriscou colocar em prática um desses modelos, porém, uma prótese é mais que uma máscara qualquer de fantasia, precisa ser feita com precisão e sem erros ou seu rosto gritaria por socorro. Por muitos anos, o pequeno Fisher teve que lutar com a dor que sentia em seu rosto quando nenhuma das próteses encaixavam bem ou lhe causavam alergias das mais diversas. Os remédios não eram nada baratos e o pai, desamparado com a morte da esposa, a situação do filho e o desemprego, acabou por cair no vício do alcoolismo. Sal jamais culparia o pai, na verdade, ele tem muito orgulho de Henry.

O desânimo no rosto dos universitário era mais que visível quando o sinal para o fim das aulas tocou. Com a chegada de uma grande festa, os professores fizeram questão de jogar uma quantia horrenda de atividades nas costas dos alunos. E a pior parte, o prazo de entrega era até sexta-feira. Sal não estava diferente dos outros, mas ele encontrou nisso uma desculpa para recusar o convite de Larry. Ele sempre recusou tudo, todos os convites que já lhe fizeram na vida, mas tinha algo diferente dessa vez, como se algo dentro dele dissesse para não recusar aquele convite.

— Que porra... — Sal murmurou enquanto andava olhando para os próprios sapatos, teria continuado seu trajeto se não fosse por um obstáculo (lê-se: as costas de alguém) onde o seu corpo se chocou. Praguejou mentalmente cogitando ser o trombadinha cabelo de água de miojo do Travis de novo. Foi quando arriscou levantar a cabeça e olhar aquele... Cabelo amarrado de forma bagunçada com vários fios pulando pra fora da cordinha.

When I met you. - sarryOnde histórias criam vida. Descubra agora