Keneti Apa
Encarei um pouco seus lábios rosados até que ela fez menção de acordar. Me afastei e comecei a olhar pela janela do quarto que dava a visão maravilhosa da floresta. Escutei ela se mexer na cama e apenas esperei ela me notar.
- Keneti? - fingi surpresa e a encarei com o cabelo bagunçado de um modo engraçado. - O que houve?
- Você deve ter aceito bebida de estranho. Não é surpresa vindo de você. - dei de ombros e sai do quarto, eu estava bravo sim.
- Você está me chamando de burra? - ela gritou e logo ouvi seus passos atrás de mim. - Ele não era um estranho! Olha pra mim que estou falando com você. - parei e virei para ver ela ficando brava.
- A quanto tempo você conhece ele? - perguntei levantando as sobrancelhas.
- Dois dias, eu acho. - ela encarou as paredes pensativa.
- O que ele gosta de fazer nos tempos livres? - cruzei os braços esperando sua resposta e ela riu.
- Como eu vou saber?
- Você não conhece alguém o suficiente para confiar se não sabe o que ela gosta de fazer. - me virei de novo e voltei a andar pela casa sem um lugar específico já que sabia que Camila ia continuar perguntando coisas.
-Eu não sei o que você gosta de fazer, mas te conheço. - dessa vez tive que encara-la novamente.
- Você realmente acha que me conhece, Camila ? - eu ri.
-Eu acho que sim. - ela murmurou e eu me aproximei. Camila foi se afastando até encostar as costas na parede do corredor e eu a prendi com os braços ao lado de sua cabeça.
Seus olhos focados no meu brilharam e ela mordeu o lábio inferior involuntariamente.
- Você achou que conhecia ele e ele te drogou, Camila. - cochichei perto de seu ouvido e pude ver cada parte de seu pescoço se arrepiar.
Se eu disser que essa garota não me deixa maluco eu estaria mentindo. A parte do beijo não deveria acontecer, muito menos outras coisas. Senti o perfume em seu pescoço e me forcei a me afastar.
- Se quiser te levo em casa. - voltei a andar e desci as escadas.
Fui em direção a cozinha e bebi um pouco de água. Logo Camila estava toda sem graça olhando para mim como se quisesse dizer algo.
- Eu não sei onde estou, então se você for me levar pra casa eu aceito. - ela prendeu uma mecha de cabelo atrás da orelha e encostou no batente da porta.
- Okay. Não esqueceu nada? - lavei o copo rápido e coloquei em seu devido lugar.
- Não. Aliás porque você me trouxe?
- O povo que você ia vir estavam todos bêbados. Ah, aliás, houve um acidente aqui perto. - seu rosto ficou branco feito a neve e seus lábios perderam a cor.
- Você sabe quem?
- Não fui ver, apenas ouvi o barulho da ambulância. Podia ser você lá, Camila. - falei e ela não pareceu bem, cambaleou para trás e seus olhos vacilaram.
Segurei em seu braço com cuidado e a sentei no sofá, ela ficava cada vez mais pálida.
- O que aconteceu? - perguntei segurando em seu rosto gelado.
- Eu estou bem, foi só tontura.
Fui até a cozinha rápido e enchi um pouco com água e um pouco de açúcar, levei para Camila e ela bebeu. Provavelmente a pressão dele caiu.
Sua pele começou a voltar para a cor inicial e seus lábios estavam mais rosados.
- Você tem problema de pressão? - perguntei.
- Começou depois que meus pais morreram, às vezes acontece. - ela continuou bebendo a água de pouco em pouco enquanto se recuperava.
- Desculpa por ter falado aquilo, não sabia...
- Tudo bem. - me interrompeu. - Acidentes de carro me assustam.
- Seus pais morreram num acidente, não é?
Seus olhos lacrimejaram por um instante, antes dela responder eu já sabia a resposta.
- É. Podemos ir?
Peguei o copo e coloquei na pia, Camila se levantou e me acompanhou até a garagem da casa. Apertei o alarme do carro e ele destrancou.
- Não sabia que você tem carro.
- Eu não ando na cidade com ele. - ela sentou no banco do passageiro e fui para trás do volante. Abri o portão com um comando e dei partida no carro.
- Vou fingir que não estou com medo de você dirigir. - a moça prendeu o cinto em seu corpo e eu ri. Acelerei e sai da garagem, depois chequei se todas as janelas estavam fechadas e se o portão realmente iria fechar quando eu saísse.
- Qual o nome dele? - peguei a estrada nas costas de casa e dirigi até a cidade, a floresta não tem um caminho.
- Dele quem?
- Do cara de ontem.
- Keneti.
Encarei Camila confuso.
- O nome dele é Keneti.
- Sabia... - murmurei irritado olhando para o vidro do lado.
- O que você disse?
- Nada. - meu sangue ferveu mas eu mantive o controle.
- Obrigada por me trazer pra sua casa. Se você me levasse na minha vó aquela hora ela com certeza me mataria.
- Com razão. Três horas da manhã é pra estar dormindo. -falei. - Assim os mortos não puxam seu pé para a floresta.
Ela riu.
- Só não pode ser fantasmas, porque morro de medo. -falou.
- Você deve ter medo é dos vivos não dos mortos ,Camila.
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Nightfall- Kjmila
RomanceADAPTAÇÃO! Depois da morte de seus pais, Camila teve que morar com sua avó numa cidade pequena onde o sol se esconde. Lá, Camila vê que não só o sol, mas também os moradores têm motivos de se esconder... o psicopata que ronda a noite pela cidade é r...
