Se foi..

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  Corri para fora de casa e fui em direção ao Alex que estava quase na porta de casa, gritei seu nome duas vezes e ele não ouviu, estava ventando forte, e estava começando a chover.

-Alex! -O gritei novamente, ele se virou e me encarou.

-O que faz aqui fora? Está frio. -Ele diz e vem até mim.

  Não conseguia dizer nada pra ele, Alex sempre me deixava sem reação, ao olhar nos seus olhos senti um frio na minha barriga.

  Ele se aproximou mais e sorriu fraco, senti a chuva começar a nos molhar, estávamos a alguns centímetros de distância.

  Aquele momento estava perfeito, nossos olhares não se desconectaram em momento algum, e estranhamente eu me sentia bem ali.

  Ele pegou nas minhas mãos e as juntou, me puxou para mais perto colando os nossos corpos e me abraçou.

  Sorri com sua atitude, ficamos algum tempo abraçados até a chuva aumentar, ele me encarou e colocou sua mão na minha bochecha, depois na nuca, me puxou e finalmente...

  Me beijou.

  Naquele momento, senti que eu não deveria sair dali nunca, eu me encaixava ali, essa sensação era perfeita.

  Apertando minha cintura Alex me beijou com mais necessidade tornando o beijo um pouco mais gostoso.

  Ele parou o beijo e me encarou.

-Não deveríamos. -Disse colando nossas testa.

-O que? -Pergunto sem fôlego.

-Sofya, preciso ir. -Ele diz e me solta.

-Alex, espera! -Vou andando atrás do mesmo, mas nem se quer ele me escuta. -Alex!

  Ele continuava a andar.

-Seu babaca! -Grito assim que ele entra em casa.

  Eu estava chorando, meu coração doeu, ele literalmente me fez gostar dele, mas que porra.

  Por que não podemos, tem algo de errado comigo? Será que eu sou tão estranha assim? Será que ele me acha irritante, o que está acontecendo?

  Seguro meus cabelos, eu estava tendo uma crise de ansiedade, minha visão estava turva, andei pela rua quase caindo até chegar na minha casa, quando chegou eu entrei e tranquei a porta.

-De novo não! -Grito e bato na porta.

  Me sento no chão ao lado da bancada e me deito, meus pensamentos estavam cada vez mais agressivos.

  Eu não sou o suficiente, eu não sou o suficiente.

  Isso rodava pela minha cabeça cada vez mais.

  Pego meu celular na bancada e dígito o número de Sabina, a mesma atende e eu fico em silêncio.

-Sofya? Está bem?

...

-Meus Deus, já estou indo.

  Desde pequena tinha essas crises, mas só vinham quando via meus pais brigando, Sabina sempre me ajudou com elas.

  Ouvi a campainha tocar, uma, duas, três vezes, mas não consegui me levantar, eu estava presa no meu subconsciente.

-Sofya, abre a porta!

  Ninguém te ama, para de ser trouxa!

-Sofya! -Era Josh agora.

  Você não merece nada do que tem.

-Sofya! -Dessa vez Sabina já estava me abraçando. -Você vai ficar bem.

  Não vai, nunca vai, eu deveria ir. Simplesmente ir...

-Respira devagar... -Sabina diz. -Tenta lembrar de momentos legais.

  Fechei meus olhos tentando me conter, não funcionava.

-Não consigo. -Digo sem ar.

  Sabina começou a cantar a música que mais me acalma, Photograph, a voz dela sempre me deixava mais tranquila.

-Melhorou? -Pergunta e eu sorrio em resposta.

  Ela sorri de volta e me ajuda a levantar.

-Acho melhor você tomar um banho. -Josh diz me olhando preocupado.

-Tudo bem. -Digo e subo as escadas com Sabina atrás.

        ◈ ━━━━━━━ ⸙ - ⸙ ━━━━━━━ ◈

  No outro dia estava saindo para a escola quando vi Alex saindo de casa, o mesmo parecia irritado, ele sentou na moto e passou por mim, não achei que ele fosse parar, até que ele deu meia volta.

  Ele parou na minha frente e me encarou, eu novamente não sabia o que falar, então só continuei a andar.

  Podia escutar Alex se aproximando devagar, aquilo estava sendo torturante.

-O que quer?! -Gritei e ele me encarou.

-Eu fui um idiota ontem... -Diz me encarando.

-Ah jura?!

-Sofya, nem tudo é fácil, eu não podia fazer aquilo, e eu fiz. -Ele diz e me dá uma uma vontade imensa de chorar.

-Eu preciso ir. -Digo.

-Esta vendo aí? -Ele diz se levantando da moto. -Eu não podia por isso, pra não magoar você, eu não te mereço Sofya, gostar de mim é pedir para sofrer, e você não merece nada disso.

-Alex, por que? -Pergunto sentindo as lágrimas.

-Me desculpa. -Ele diz me abraçando.

  O abraço dele me deixava calma. Me sentia protegida, mas sabia que nada daquilo eu poderia ter agora.

-Eu vou embora, não procure por mim, se esbarrar comigo finja que nunca me conheceu, para o nosso bem. -Ele diz e sinto uma pontada forte no coração.

-Alex...

-Fica bem por favor. -Ele diz e sobe na moto.

Bad boy ||SoflexOnde histórias criam vida. Descubra agora