A Tempestade

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A decisão que tomei também me pegou de surpresa

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A decisão que tomei também me pegou de surpresa. Estava muito chateada com toda a situação em si. Mais comigo do que com Rodolffo, confesso. Mas vê-lo chegar lá em casa só pra resolver esse "mal" entendido, me acendeu uma luz de que aquilo não estava certo, nem com ele e nem comigo. De quem estava escondendo os meus sentimentos? Do que estava com medo? Olhando pra Rodolffo percebi que aquilo estava fazendo muito mal a ele e eu não queria vê-lo assim. Claro que não estava tomando uma decisão só por ele, mas a minha indecisão estava deixando meu Piruca triste.

Quando o vi daquele jeito, sem saber o que falar, procurando as palavras certas para não me machucar, me senti a pior pessoa do mundo. Não era aquilo que queria ser pra ele. Não era daquele jeito que queria ser lembrada por ele, se não ficássemos juntos. Senti em sua respiração e dor, o último fio de esperança com tudo o que estava acontecendo entre nós. Não queria perdê-lo e não o faria sem tentar. Então, aproveitei o momento para fazer o que já devia ter feito a tempos. Tomar as rédeas da minha vida e correr atrás da minha felicidade.

A decisão de assumi-lo como meu namorado para todos da minha equipe, dizia mais pra mim do que para eles em si. Eu tinha que começar a pensar em mim e agir de tal maneira e essa decisão foi o start para essa mudança. Embora soubesse que o título não mudaria nada no nosso relacionamento, aquela constatação seria de grande importância pra nós. Claro que não iriamos assumir nosso namoro ao público, por que, como vocês mesmo podem acompanhar, estávamos nos descobrindo, tendo os nossos erros e acertos. Nos amávamos, mas isso não era garantia de nada.

Ouvi uma frase esses dias que me fez pensar nisso. A frase era: "O João é o amor da minha vida, mas eu descobri com o tempo, que existem amores que são impossíveis de serem vividos. Não confundam, gostar ou amar uma pessoa, e ter que estar juntos com ela. Nem todo mundo que a gente ama, a gente tem que ficar junto. Às vezes, amar é ter que deixar ir". Essa frase me pegou de um jeito, que nem sei como explicar, mas vi nela um fundo de verdade. Claro que queria que minha relação com o Rodolffo fosse duradoura, mas nada nos daria essa garantia. Por isso decidi viver com ele os melhores momentos que pudéssemos. Ele já estava gravado na minha vida e ninguém nunca mudaria isso. E acho que o nosso fandon nunca deixaria que esquecêssemos isso. Mas ver a nossa relação por esse novo prisma, tirou de mim aquela sensação, que temos no relacionamento, de ter fazer tudo certo sempre. E não é isso, só vai dar certo se for bom para os dois, sempre. Com erros e acertos, mas sempre tentando.

Depois de tudo o que aconteceu, ver ele ir embora me deixou triste, mas ao mesmo tempo, meu sentimento era de felicidade. Estava completa, realizada, feliz. A semana passou bem rápido. Segui minhas agendas de compromissos e estava exausta. Conversava com Piruca todos os dias. Estávamos muito bem um com outro, o que dava até um certo medo. Ele veio pra o Rio e nos encontramos no hotel, que já estávamos acostumados. Continuava sendo aquela correria de entrar escondido e sair cedo, mas era o melhor pra nós. Conseguimos matar um pouco da nossa saudade acumulada. Sim, ele podia ir pra casa da Anitta, mas mesmo com todo mundo sabendo do namoro, não é a mesma coisa ficar com o boy numa casa cheia de gente, né meu povo. Quando mudar pra casa nova, aí sim, vamos ter bem mais privacidade. Mas por enquanto está muito bom do jeito que estava. Depois de passar mais um tempo com ele, eu me sentia em paz. Só conseguia cantarolar aquela música de Jorge e Mateus. "Tirando a falta que cê faz, no mais tá tudo em paz".  

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