A Força

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Sabe nos filmes, quando a personagem principal descobre alguma coisa muito grave sobre ela e fica naquele dilema de como vai ser a sua vida? Se conta ou não para o seu parceiro/parceira o diagnóstico que acabou de receber do médico? Era esse o nos...

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Sabe nos filmes, quando a personagem principal descobre alguma coisa muito grave sobre ela e fica naquele dilema de como vai ser a sua vida? Se conta ou não para o seu parceiro/parceira o diagnóstico que acabou de receber do médico? Era esse o nosso cenário. Eu no caso era o parceiro, que sentia que tinha alguma coisa errada. Se tem uma coisa que posso dizer, que aprendi nesse período, que nós nos relacionamos, é conhecer a Ju. Não tem como, ela é muito transparente. Eu sabia que alguma coisa não estava bem e que ela queria me esconder.

Eu sabia que tinha dado tudo certo com a cirurgia da Dona Fátima, mas ainda tinha alguma coisa. Eu estava com um aperto no coração, uma sensação de que deveria estar perto dela, de que ela estava precisando de mim. Já dei um jeito de ver o que podia adiantar na minha agenda e me programei para estar lá quando ela chegasse. Precisava estar com ela. Olhar nos seus olhos, cara a cara pra saber que estava realmente tudo bem, embora meu coração já me preparasse para o contrário.

Desde que ela chegou em São Paulo, estava me atualizando sobre o que estava acontecendo com a mãe. Minha vontade era estar lá junto com ela, mas eu sabia que não cabia naquela situação. Fiquei muito aliviado quando ela me disse que a cirurgia tinha corrido bem. Sentir o alivio dela naquele momento não tinha preço. A bichinha tava preocupada, mas Graças a Deus, deu tudo certo. Foi a partir daí que as coisas ficaram diferentes. Alguma coisa tinha acontecido. Eu sabia que estava tudo bem com a Dona Fátima, mas também sabia que ela estava me escondendo alguma coisa.

Eu precisava falar com ela. E como se soubesse da minha intenção, ela começou a fugir de mim. Pronto. Minha teoria só se confirmava. Teria que vê-la e não ia adiar isso. Dei um jeito de descobrir quando ela voltaria para o Rio e já programei minha passagem para o outro dia. Estava doido pra ver ela de perto e descobrir logo o que estava acontecendo. Aprendi que não devemos fugir dos nossos problemas. Eles virão de qualquer jeito, só temos que descobrir a melhor maneira para enfrentá-los. Tentei a todo custo falar com ela por vídeo em São Paulo, mas ela sempre dava um jeito de me enrolar. Quando ela chegou em casa, não teve mais como. E o jeito que ela me atendeu só serviu pra confirmar o que eu estava pensando. 

O quarto estava escuro, o que significa que ela não queria que eu visse como ela estava. Ela usou a desculpa do cansaço, mas eu não caí nessa. Quantas vezes ela dormiu enquanto falava comigo via facetime, então essa desculpa não colava comigo. A conversa pelo menos serviu para que eu a avisasse que estava chegando no outro dia. Iriamos conversar e eu finalmente descobriria o que estava rolando.

Nessa noite, antes de dormir, me peguei pensando nela. Vieram a minha mente vários de nossos momentos, encontros e desencontros. Me peguei rindo de alguns de nossos momentos, até que uma sensação estranha se apossou de mim. Não faço ideia do que tenha sido, só sei que nesse momento, como sempre faço, pedi que Deus cuidasse dela e que mostrasse o que era melhor pra nós. A sensação passou e eu apaguei.

Estava ansioso para vê-la logo. Cheguei ao Rio, passei no hotel para deixar minhas coisas e já corri pra casa dela. Chegando lá, o clima estava estranho. Logo perguntei por Dona Fátima e conversei um pouco com ela, confirmando assim que estava tudo bem com ela. Era uma notícia ótima, por isso não entendi o clima na casa. A Ju não veio me receber, estava no quarto. Perguntei a Giu se estava tudo bem com a Ju e ela só respondeu que eu devia perguntar pra ela. Aquela resposta já me quebrou. O que estaria acontecendo com ela?

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