A Chegada

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Conversar com a Ju sempre de dava uma paz, que eu não conseguia entender

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Conversar com a Ju sempre de dava uma paz, que eu não conseguia entender. Ficar brigado com ela me tirava do prumo. E pra mim que sou uma pessoa totalmente centrada, essa sensação era uma grande novidade. Passar essa tarde brigado com ela foi muito ruim, mesmo que nosso relacionamento não fosse pra frente, a amizade dela era real e eu não queria perder. Como sabia da minha parcela de culpa na nossa briga, eu sabia exatamente o que tinha que fazer. E foi o que fiz, já fui logo pedindo desculpas pelo meu comportamento ou crise de ciúmes. Ê trenheira, eu que sempre critiquei essas atitudes agora estava ali, de bico por causa de ciúmes. Ê trem mais custoso.

Seguindo o conselho da Ju, dei uma sumida das redes sociais. Estávamos nos preparando para ir para Campina Grande. A Ju já tinha chegado lá e quando me ligou era só emoção. Pensa numa bichinha feliz e chorona ao mesmo tempo. Era muito lindo ver essa conexão dela com a sua terra. Eu e a Bella iriamos para São Paulo e depois pra CG. Na verdade, eu iria pra São Paulo e Campina Grande no mesmo dia, Bella ficaria em São Paulo pra ir depois. Já tinha combinado com a Ju que chegaria sozinho, mais cedo, para que pudéssemos passar um tempo a sós. Depois de tudo o que aconteceu estávamos precisando. Porém, pra que tudo desse certo eu teria que ser o mais discreto possível. Chegaria de madrugada, ficaria no hotel quieto e depois pegaria a Bella. 

Estava fazendo tudo direitinho pra não estressar a minha arengueira. Queria muito que esse tempo fosse muito bom pra ela e pra mim, consequentemente. Ainda estava um pouco ansioso com tudo o que estava por vir. Como seria estar perto dela cercado de familiares e amigos? E a equipe dela, dessa vez teria que enfrentar as feras. Será que conseguiríamos não entregar tanto? Esse encontro a sós serviria para isso também, além de matar minhas saudades. Assim que me instalei no hotel, já mandei uma mensagem pra ela. Sabia que teria que esperar os horários dela, por isso aproveitei pra descansar o quanto pudesse. Tomei um banho, pedi alguma coisa pra comer e me joguei na cama.

Me despertei com o celular tocando. Era ela dizendo que estava vindo. Dei um jeito na minha Piruca e passei o perfume que ela gosta. Já coloquei nossa playlist pra tocar e esperei. Estava tão ansioso, que a demora de minutos pareciam horas. Ouço batidas rápidas e corro pra atender. Ela já entra toda desconfiada, mas linda e cheirosa como sempre. Nem deixo ela abrir a boca e já puxo pra um abraço e um beijo. Como estava com saudades daquela boca de chupa-péda. E pelo que percebi ela também estava. Não deixei ela falar nada e já comecei a beijar seu pescoço e tirar nossas roupas. Precisava dela. Sentir o perfume dela me fez perceber a falta que estava dela. Tenho certeza que ela também estava sentindo a minha, pois não relutou um só segundo, só aproveitou. Foi perfeito, mais uma vez. Acho que a saudade estava fazendo um bem danado pra nós. Cada vez era ainda melhor do que a última. Ficamos deitados na cama fazendo carinho um no outro quando ela quebra o  silêncio. 

- Eita Muléstia, agora eu posso falar?

- Claro que pode Bastiana... Se bem que ocê já falou umas coisas muito massa pra mim... 

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