19. Respostas.

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Eu me lembro de quando a minha mãe (adotiva) morreu. Tess Wells era o centro da vida da família Wells, ela me acolheu como filha e me criou. Quando morreu, uma parte de mim foi arrancada e decidi que ninguém mais morreria sob a minha supervisão. Mas não tem como prever o futuro, né?

Anos mais tarde, outra morte ocorreu. Eddie Thwane, detetive da polícia de Central City (da terra 2) e meu parceiro, a morte dele foi causada por minha culpa, eu fui sequestrada por um maníaco e Eddie tentou me salvar. Às vezes escuto os barulhos de tiros e vejo Eddie pulando na minha frente e morrendo nos meus braços enquanto declarava que me amava e morreria me amando intensamente.

Pensei por 10 meses que Jessie seria a próxima vítima, por estar perto de mim. Mas infelizmente quem pagou o preço foi Jay, meu grande amigo Jay. Lembro de quando conheci o velocista, ele acabou me salvando de um meta-humano que deixava as pessoas surdas. Às vezes sinto Jay me tirando daquela rua e me levando a um lugar seguro, antes que meus ouvidos sangrarem. Por dois anos, fomos amigos, amantes e parceiros combatentes do crime e agora nunca mais vou vê-lo, e a última coisa que pensei dele foi que era um babaca que brincava com o coração da Caitlin.

Eu estava deitada em minha cama, luzes apagadas e janelas fechadas. Já havia uma semana que não saia dessa cama, me traziam comida e me obrigavam a tomar banho (Barry, Cisco e Jessie faziam isso. Graças a Deus minha irmã havia melhorado no dia que chegou, ela estava apenas desmaiada e hoje passava bem). Eu sentia tantas emoções que às vezes elas me consumiam ao vazio, mas o pior de tudo era a culpa. Todas essas mortes são culpa minha.

Escutei batidas na porta, enquanto me lamentava, não levantei para atender. Ouvia as vozes de Jessie e Barry conversando baixinho:

— Ela está aqui dentro tem uma semana, estou muito preocupado... — Barry disse baixinho.

— Sei que pode parecer estranho... — Jessie respondeu-lhe. — Mas quando ela tem uma perda muito grande, ela se tranca no quarto por uma semana e quando sai é como se tivesse superado...

— Em uma semana? Como? Não tem como superar uma perda tão grande em pouco tempo. — Barry falava rápido, sua voz soava abismada.

— Acho que nunca supera... mas quando nossa mãe morreu, ela se trancou no quarto e uma semana depois saiu e voltou para a escola, voltou a conviver comigo e com meu pai como se nada tivesse acontecido. — Jessie explicou.

— Uau! — Ele disse surpreso. — É um pouco estranho te conhecer assim...

— Para mim também, estive presa nesses meses últimos 10 meses e agora é como se voltasse para minha vida. — Ela desabafou. — É um pouco estranho ver você com ela, preciso me acostumar... e eu que achava que ela não ia arranjar um namorado tão cedo!

— Não estamos namorando...

— Achei estarem, pois parecem namorados! — Escutei uma risadinha baixa e debochada de Jessie.

— Gente, eu acho que precisamos levar Caitlin aos laboratórios S.T.A.R! — Quem havia falado era Cisco, sua voz estava desesperada.

— Não é melhor levá-la ao médico? — Jessie perguntou.

— Cait, sempre me disse que prefere ser internada nos laboratórios do que em um hospital, ao qual, ela não conhece os médicos! — Cisco comentou.

O silêncio dominou por alguns segundos. Eu estava preocupada com Caitlin, desde a morte de Jay não a vi. Eu abandonei a tudo e a todos para sofrer meu luto por alguns dias, mas agora minha amiga precisa de mim. Me levantei e abri a porta, dando de cara com os três parados no corredor.

— Rose! — Jessie exclama e me abraça. — Como você está? — Ignorei a pergunta dela e perguntei a Cisco:

— O que aconteceu com a Caitlin?

Empathetic // The FlashOnde histórias criam vida. Descubra agora