14. Conversas desagradáveis.

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Desde o dia que Zoom invadiu o laboratório e machucou o Barry, eu não sai do lado dele; pedi ao meu gerente do Jitters uma dispensa familiar e ele me concedeu uma semana. Hoje, era quarta-feira e fazia quatro dias que estava velando o sono de Barry, só saia para comer e passava muito tempo com Caitlin, conversando sobre o desenvolvimento dele e com Cisco que sempre estava no córtex ou em seu laboratório pessoal.

Acho que o Zoom deu uma certa folga a nós, pois desde aquele dia ele não mandou mais meta-humanos e não apareceu mais.


— Oi! — Escutei a voz de Jay e notei que Catlin não estava mais no laboratório médico.

— Oi, Jay! — cumprimentei.


— Como você está? — Ele perguntou indo até mim. Eu estava sentada em um banquinho de metal ao lado da cama de Barry.

— Bem.

— Sei que está mentindo! — Estávamos de frente um para o outro.

— Não sei o que fazer... — Suspirei — Só... me sinto culpada, não consigo fazer ele acordar.

— Não é culpa sua! — ele segurou minhas mãos e me levantou. — Estou muito preocupado com você! Você não sai daqui e já tem quase cinco dias!

— Só que... Jay, é minha culpa que o Barry está assim! — Me afastei e dei a volta na sala, minha cabeça latejava. — Fui eu, quem trouxe o Zoom para cá e colocou essas pessoas em perigo! Achei que fosse capaz de proteger, pelo menos, curar e agora, eu só... — bufei nervosa e ele me abraçou.

— Vamos dar uma volta comigo? — O olhei incrédula. — Rose, só uma volta lá fora! Vamos tomar um café e conversar, vai te fazer bem...

— Não quero me afastar do Barry! — disse quase chorosa. Olhei para o velocista deitado na maca, tão sereno e até bonito, senti saudades de seu olhar, aquele tão cuidadoso que ele me lançava.

Não iria chorar e nem desmoronar, mas precisava de um tempo, porque, mesmo não querendo me separar dele, olhá-lo me causava tamanha culpa, por isso aceitei o convite de Jay.

— Mas não vamos no Jitters! Por favor! — Nós rimos.

Jay e eu nos aprontamos para sair e antes de cruzar a porta, lancei um olhar para Barry. Passamos pelo córtex e cumprimentei Cisco e Cait, Harry estava no laboratório do Cisco fazendo algumas alterações na TMF.

Já na rua, após tomarmos um café em uma cafeteria próxima ao laboratório, Jay e eu seguimos em direção ao Parque Nacional de Central City. O mesmo parque em que conheci o Flash, no dia que cheguei a terra 1. O local era arborizado, claro e familiar, algumas pessoas estavam caminhando, fazendo exercícios, passeando com cachorros e aproveitando as alimentações das barraquinhas ao ar livre.

— Esse parque é exatamente igual ao da nossa terra! — Jay comentou. Nossos braços estavam entrelaçados e andávamos em direção ao coreto, subimos as escadas e nos escoramos na mureta para observar as pessoas.

— Acho que tem uma diferença... Aqui é bem mais cheio, apesar dos meta-humanos, as pessoas não deixaram de frequentar os lugares! — disse observando uma menininha brincando com um cachorro, um Golden Retriever — É porque elas têm o Flash!

— E na nossa terra, elas têm nós dois! — Jay falou me olhando. — Mas, não te trouxe aqui falar do trabalho e sim sobre você!

— O que tem eu? — Cruzei os braços interrogativa.

— Primeiro, sinto sua falta, nós não passamos mais tempo juntos! Segundo, o que rola entre você e o Barry?

— Sério? Você está mesmo me perguntando isso? — me irritei.

Empathetic // The FlashOnde histórias criam vida. Descubra agora