Novos Amigos

25 5 19
                                        

Enquanto íamos a caminho do clube, pude conhecer um pouco mais da turma.

Geórgia, a loira dos olhos azuis, era irmã de Daniel — o marrento que vimos no fliperama. Ele namorava Fanny, uma dessas garotas que parecem modelo; ela, por sua vez, era irmã de Ivan, o cara mais legal do grupo. Tinha também Alana, uma garota calma e de sorriso largo, que só estava ali porque namorava Ben, um sujeito debochado e engraçado. E por último, Carll — o caladão. Desde o fliperama, percebi que ele não foi muito com a minha cara.

O caminho até o clube foi rápido. Logo chegamos ao local, um espaço impressionante, com piscina, campo de golfe, quadra de tênis e até campo de futebol. Só havia gente chique por ali. Mesmo tendo frequentado lugares sofisticados em Nova York, confesso que me senti deslocado.

Soube que Daniel era o campeão de golfe da cidade, sempre competindo dentro e fora dali.

Fomos até o campo em três carrinhos de golfe. Enquanto ele se preparava para jogar, começou a me lançar perguntas nada discretas:

— Então, Josh… qual é a tua com a esquisita? — perguntou.
— Esquisita?
— Sim, a garota pintadinha — respondeu Fanny, se olhando no espelho do carrinho.
— A Luna?
— Claro! Você não devia andar com ela, sendo filho de quem é — disse a garota, com desdém.
— E de quem sou filho?
— Ora, querido, você é filho da diretora do maior colégio da região. Somos da elite, meu amor.

Revirei os olhos.

— A Luna é uma garota super legal, e não gostei do modo como você falou dela.
Fanny deu de ombros.

— Não dê bola pra ela — disse Ivan. — A Fanny só pensa em maquiagem e cabelo, pra compensar o cérebro pequeno que tem.
— Seu idiota! — Fanny respondeu furiosa.
— E você acha que eu me importo? — retrucou ele, rindo.

— Você gosta dela? — perguntou, de repente, Carll, o calado.
— Claro que não… quer dizer, sim, ela é minha amiga — respondi, meio confuso.
— Você merece alguém da sua estirpe — provocou Fanny. — Alguém como a Gê. — E foi abraçar a loira.

Geórgia deu um meio sorriso.

— Na verdade, você é exatamente o tipo de cara que estou procurando.
— Procurando?
— Tenho uma linha de roupas para jovens que será lançada no próximo mês. Preciso de alguém como você pra ser meu modelo.

— Eu? — perguntei, surpreso.
— Sim. Você é perfeito. Já tenho a modelo, que é a Fanny. Só falta o rapaz.

— Não… não é minha praia.
— Vai ganhar uma boa grana pra desfilar. Pensa direito.
— Já está decidido, não quero.
— Ok, você que sabe — disse ela, piscando.

O resto da tarde foi tranquilo. Conversamos, rimos e mergulhamos na piscina. O clube começou a esvaziar, e só nós permanecemos ali. As meninas ainda nadavam, e eu fiquei sentado na borda, com os pés dentro da água.

Um senhor magro e abatido se aproximou.

— Seu Ivan, dona Fanny, precisamos fechar o clube.
— Tudo bem, seu Alfredo, já estamos indo — respondeu Ivan.
— Só se você está indo — retrucou Fanny.
— Fanny, já está tarde.
— O papai é o dono disso aqui. Fechamos a hora que quisermos.
Ivan apenas balançou a cabeça e foi embora.
Depois de um tempo, um dos garotos trouxe bebidas alcoólicas.
— Não bebo — recusei.
— Ah, cara, deixa de ser careta. É só um gole!
— Somos menores, isso não devia estar acontecendo.
— Relaxa, você faz dezoito logo, não vai morrer por isso.
Fiquei em silêncio.

— Vai, Josh, só uma.
— Tá bom… mas depois vamos embora.
— Fechado — disse Daniel.

Peguei a garrafa e bebi um gole. Entre uma conversa e outra, o tempo passou rápido. Quando percebi, havia garrafas espalhadas por todo lado — até dentro da piscina.

Luna Onde histórias criam vida. Descubra agora