Nos dias que se seguiram, o clima entre mim e Luna parecia mais leve, ainda que carregado de uma tensão suave. Começamos a passar mais tempo juntos, como ela sugeriu. No começo, nossas conversas eram como sempre tinham sido: sobre música, filmes, a escola e nossas famílias. Mas, aos poucos, havia algo novo se infiltrando entre as palavras: um misto de curiosidade e vulnerabilidade que ambos ainda estávamos aprendendo a navegar.
Em um fim de tarde, depois da aula, decidimos caminhar juntos até um parque próximo. O sol estava se pondo, tingindo o céu de tons quentes de laranja e rosa, e a brisa fresca ajudava a aliviar o calor do dia. Sentamos em um banco sob uma árvore grande, o som das folhas ao vento preenchendo os momentos de silêncio entre nós.
- Você vem aqui com frequência? - perguntei, observando como ela parecia confortável ali.
- Não tanto quanto gostaria. - Ela sorriu, olhando para o horizonte.
- Gosto do silêncio, sabe? Dá pra pensar melhor aqui.
Assenti, sem dizer nada. Por um momento, fiquei só observando-a, a maneira como a luz do sol brincava com os fios do cabelo dela, e como o sorriso dela parecia, de alguma forma, mais sereno naquele lugar.
- No que você pensa quando vem aqui? - perguntei, a curiosidade me vencendo.
Ela hesitou, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado.
- Em tudo. No que me preocupa, no que me faz feliz... - Ela deu de ombros. - Acho que, ultimamente, tenho pensado muito em nós dois.
Meu coração deu um salto ao ouvir aquilo, mas me contive. Não queria pressioná-la, não queria estragar o ritmo natural que estávamos criando.
- E o que você tem pensado? - Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, quase um sussurro.
Ela olhou para mim, seus olhos brilhando com uma mistura de emoção e incerteza.
- Que eu gosto de como me sinto quando estou com você. - Sua voz era suave, mas havia uma sinceridade ali que fez meu peito aquecer. - É diferente, mas... é bom. E isso me assusta um pouco.
- Não precisa ter medo. - Respondi, sentindo a coragem surgir de algum lugar dentro de mim. - Eu também estou descobrindo tudo isso, Luna.
Não sei onde vamos parar, mas sei que não quero perder o que temos.
Ela sorriu, e dessa vez havia algo mais naquele sorriso. Algo que parecia indicar que ela também estava disposta a tentar. Ficamos ali por mais algum tempo, até que a luz do dia começou a se apagar. Antes de irmos embora, ela segurou minha mão por um breve momento.
Obrigada por ser paciente comigo. - Disse, apertando de leve meus dedos antes de soltá-los.
...
Nos dias seguintes, as coisas entre nós continuaram a mudar, mas de forma lenta e natural. Às vezes, ela me surpreendia com gestos sutis: um bilhete deixado na minha mesa, um convite para assistir a um filme em sua casa, ou simplesmente um olhar que parecia carregar mais significado do que qualquer palavra. Eu fazia o mesmo, tentando mostrar a ela que estava ali, sem apressá-la.
Até que, em uma sexta-feira, ela me chamou para irmos ao parque novamente, desta vez à noite. O lugar estava quase vazio, e o céu limpo estava salpicado de estrelas. Sentamos no mesmo banco da outra vez, e ela parecia estar mais nervosa do que de costume.
- Josh, posso te dizer uma coisa?
- perguntou, depois de um longo silêncio.
- Claro. - Respondi, tentando não demonstrar o quanto meu coração estava acelerado.
Ela virou-se para mim, segurando o olhar.
- Eu acho que estou pronta para responder. Sobre o que você me disse... aquele dia.
Prendi a respiração, esperando que ela continuasse. Sua expressão era séria, mas seus olhos estavam suaves, cheios de algo que eu não conseguia identificar completamente.
- Eu também estou começando a sentir algo por você. - Sua voz era baixa, quase como um segredo. - Não sei se é exatamente como você sente, mas... quero descobrir.
Aquelas palavras foram como música para meus ouvidos. Não era apenas um passo à frente; era a confirmação de que ela estava disposta a tentar. Eu sorri, sentindo um alívio e uma felicidade que não conseguia conter.
- Eu só quero que você seja sincera com o que sente. - Respondi, tentando manter a calma, embora meu coração estivesse batendo rápido. - E estou aqui, com você, para o que der e vier.
Ela sorriu de volta, e naquele momento parecia que o mundo ao nosso redor havia desaparecido. Foi então que, de forma tímida, ela se inclinou para mim, e nossos lábios se encontraram. Foi um beijo leve, hesitante, mas cheio de significado. Quando nos afastamos, ela riu baixinho, como se estivesse tentando processar o que tinha acabado de acontecer.
- Acho que isso responde sua pergunta, não? - Ela brincou, e eu ri junto.
- Acho que sim. - Respondi, sentindo que, finalmente, estávamos começando algo novo, algo que ambos estávamos prontos para explorar juntos.
E assim, naquela noite estrelada, o que antes era dúvida e insegurança começou a se transformar em algo muito mais bonito. O começo de uma história que, com sorte, ainda teria muitos capítulos pela frente.
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Luna
RomanceDuas vidas que se encontram e o improvável acontece Sinopse Josh, sem vontade própria, volta a morar com a mãe depois de muitos anos , após perder o pai em um grave acidente. Só não esperava que com sua volta, o destino te trouxesse Luna...
