Enquanto ela se afastava, eu ficava ali, imóvel, tentando organizar meus pensamentos. O ar fresco da manhã parecia insuficiente para acalmar o caos que crescia dentro de mim. Ela estava tão perto agora, e ao mesmo tempo tão distante.
Luna voltou depois de alguns minutos, guardando o celular no bolso e se sentando novamente ao meu lado. Ela parecia um pouco tensa.
— Tudo bem? — perguntei, tentando mudar o foco da conversa, mesmo que por alguns instantes.
— Minha mãe quer que eu passe no mercado depois da escola. Nada demais. — Ela suspirou e me olhou. — Mas, e aí? O que você queria me dizer antes?
Droga. Não tinha como escapar. Eu sabia que, se continuasse guardando aquilo, acabaria enlouquecendo. Respirei fundo e olhei para ela, tentando ignorar o nó que se formava no meu estômago.
— Luna... — Comecei novamente, e desta vez não deixei minha voz falhar. — Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo, nos tornamos amigos, mas nesses últimos dias... eu tenho sentido algo diferente.
Ela franziu o cenho, mas estava atenta à minha fala.
— Diferente como? — Sua voz era calma, mas havia uma leve hesitação nela.
— Como... como algo mais do que amizade. — As palavras saíram antes que eu pudesse pensar duas vezes, e me senti aliviado e apavorado ao mesmo tempo. — Eu acho que estou apaixonado por você. E depois de ontem, eu comprovei isso...
O silêncio que veio depois parecia ensurdecedor. Luna me encarava, os olhos ligeiramente arregalados, como se estivesse processando o que acabara de ouvir. Por um momento, pensei que tinha feito a maior besteira da minha vida.
— Josh... — Ela finalmente falou, com a voz suave. — Eu não esperava por isso.
Meu coração afundou. As palavras dela não eram um "não", mas também estavam longe de ser um "sim".
— Desculpa. — Murmurei, desviando o olhar. — Eu não queria deixar as coisas estranhas entre a gente. Só... achei que precisava ser honesto.
Ela ficou em silêncio por mais alguns segundos antes de tocar levemente meu braço, fazendo-me olhar para ela novamente.
— Eu preciso de um tempo para pensar. — Disse, com um pequeno sorriso. — Isso me pegou meio que de surpresa, sabe? Mas eu prometo que nada vai mudar a nossa amizade, tá bom?
Assenti, tentando forçar um sorriso de volta, mesmo que por dentro me sentisse uma bagunça.
— Tá bom. — Respondi, com um nó na garganta.
Luna ficou ali mais um pouco, conversando sobre coisas triviais para aliviar o clima, mas minha mente estava longe. Quando finalmente nos levantamos e caminhamos em direção à escola, eu me perguntava se havia tomado a decisão certa ao confessar o que sentia.
Agora, tudo estava nas mãos dela.
...
O caminho para a escola foi mais longo do que o habitual, mesmo que meus passos fossem rápidos. Meu coração estava pesado, como se cada batida ecoasse a dúvida e a ansiedade que me consumiam. "Eu fiz a coisa certa? Ou acabei de arruinar tudo?" Essas perguntas rodavam na minha cabeça como um mantra.
Entrei na sala de aula e me sentei no meu lugar habitual, mas mal conseguia prestar atenção em qualquer coisa. Cada vez que Luna entrava no meu campo de visão, meu peito apertava. Ela também parecia evitar contato visual comigo, ou talvez fosse apenas impressão minha.
Na hora do intervalo, estava me preparando para sair da sala quando senti alguém tocar meu ombro. Era ela.
— Podemos conversar? — perguntou, com uma expressão séria.
Assenti, tentando não parecer desesperado. Seguimos para um canto mais afastado, perto das árvores no pátio. O silêncio entre nós era denso, mas Luna parecia estar reunindo coragem para falar. Finalmente, ela suspirou e quebrou o gelo:
— Josh, eu estive pensando no que você me disse mais cedo. — Sua voz era calma, mas havia um tom de sinceridade que me deixou nervoso. — E eu preciso ser honesta com você também.
Assenti novamente, incapaz de formar palavras. Ela continuou:
— Eu nunca vi você dessa forma antes... sabe, como algo além de amigo. — Havia um leve tremor na voz dela, e isso me fez perceber que ela estava tão nervosa quanto eu. — Mas... isso não significa que eu não possa ver. Talvez... talvez eu só precise de tempo, me dê alguns dias...
Tempo. Aquela palavra soava como um alívio e um tormento ao mesmo tempo. Pelo menos não era um "não", mas também não era o "sim" que eu tanto queria ouvir.
— Claro. — Respondi, tentando manter a calma.
O resto do dia passou em um borrão. Cada vez que olhava para Luna, tentava captar qualquer sinal, qualquer pista de que ela estava mudando de ideia ou de que havia algo mais ali. Mas tudo o que vi foram olhares rápidos e sorrisos amigáveis. Nada fora do normal. Eu estava no limbo, aguardando que ela tomasse a decisão de me contar o que realmente sentia.
Quando o sinal para o final das aulas finalmente tocou, senti um misto de alívio e apreensão. Eu queria ir para casa e tentar tirar a confusão da minha cabeça, mas ao mesmo tempo, algo dentro de mim me dizia para esperar, para dar mais um passo. Não sabia se era o medo de perder a chance ou a esperança de que ela me procuraria.
Enquanto caminhava para a saída, vi Luna parada perto da entrada da escola, conversando com uma amiga. Hesitei por um momento, não sabia se deveria me aproximar ou deixá-la tomar a iniciativa. Mas, antes que eu pudesse decidir, ela me viu.
— Josh! — Ela me chamou, acenando com a mão. Fui até ela, tentando parecer tranquilo, mas minha respiração estava acelerada.
— Oi, Luna. — Falei, tentando não parecer nervoso demais.
Ela sorriu, um pouco mais tímida do que o normal.
— Eu... — Ela começou, e eu a encarei, a expectativa crescendo dentro de mim. — Eu estava pensando mais sobre o que você disse. E... eu queria te pedir desculpas se, de alguma forma, te fiz pensar que eu estava te ignorando ou te afastando.
— Não, Luna, você não fez isso. — Eu apressei em interrompê-la, sentindo um alívio imediato. — Eu entendo, de verdade. Eu só não queria que você se sentisse pressionada.
Ela deu um pequeno sorriso e deu um passo à frente, como se a distância entre nós fosse diminuir um pouco mais.
— Eu... pensei em te dizer que, embora eu ainda não tenha certeza de tudo, eu gostaria de passar mais tempo com você. Tipo, sem pressa, sem expectativas. Só... nós dois, conversando, vendo o que acontece. O que você acha?
As palavras dela caíram como um bálsamo sobre meu coração. Não era uma resposta definitiva, mas era uma chance. Ela estava aberta a explorar, a dar um passo a mais, sem pressa, sem pressão. Era tudo o que eu precisava ouvir naquele momento.
— Eu adoraria. — Respondi, sorrindo com mais sinceridade do que senti em dias. — Não há pressa, eu também só quero que a gente seja nós mesmos.
Ela sorriu de volta, e o jeito como seus olhos brilharam me fez sentir que, talvez, as coisas realmente pudessem dar certo. Não seria fácil, e talvez houvesse altos e baixos ao longo do caminho, mas naquele momento, tudo parecia possível.
Nos despedimos ali, mas antes de nos afastarmos, ela se virou para mim, com um olhar mais suave.
— A gente se vê amanhã? — Perguntou.
— Com certeza. — Respondi, sentindo o peso das palavras e, ao mesmo tempo, uma leveza crescente.
Quando saí da escola, o mundo parecia um lugar diferente. Eu não sabia o que o futuro nos reservava, mas sentia que as coisas entre nós estavam prestes a mudar para algo novo, algo que eu estava disposto a explorar, com paciência e esperança. E, talvez, esse fosse o começo de algo mais.
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Luna
RomanceDuas vidas que se encontram e o improvável acontece Sinopse Josh, sem vontade própria, volta a morar com a mãe depois de muitos anos , após perder o pai em um grave acidente. Só não esperava que com sua volta, o destino te trouxesse Luna...
