Prólogo

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Me chamo Josh.
Joshua Henrique Campbell.

Vou contar a vocês um pouco sobre a minha vida.
Na verdade, ela sempre foi basicamente comum.

Bom… há alguns anos, tudo mudou de forma drástica.
Tudo o que eu havia planejado para o meu futuro tomou um rumo inesperado.

Fui surpreendido por acontecimentos que, no início, eu simplesmente não aceitava.
Me revoltei. Lutei contra o que estava acontecendo, mas não tive forças.
Quanto mais eu resistia, mais parecia ser arrastado de volta para o mesmo ponto em que tudo começou…

🍂

Oito anos antes…

O dia amanheceu nublado e não apenas no céu.
Estou indo para casa… ou melhor, sendo arrastado contra a minha vontade para um lugar que eu jamais conseguirei chamar de “lar”.
Estou indo morar com minha mãe, que vive em Beaufort, Carolina do Norte.

Perdi meu pai há poucas semanas, e está sendo muito difícil lidar com tudo isso , com a dor, com a perda, e agora com a mudança.
Tudo aconteceu tão rápido que eu ainda não consegui assimilar.
Além de ter que aceitar a ideia de nunca mais ver meu pai, sou obrigado a viver com uma mulher que mal conheço e que não consigo chamar de mãe.

Não aceito o fato de ele ter partido.
Parece um pesadelo.

Meu pai era meu melhor amigo.
Nosso relacionamento ia muito além de pai e filho, éramos parceiros, quase irmãos.

Foi ele quem me ensinou a ler, quem me fez amar livros, quem me ensinou a andar de bicicleta.
Foi um pai presente, um homem que sempre esteve do meu lado.

Foi para ele que contei sobre meu primeiro beijo, meu primeiro encontro, minha primeira namorada.
Com ele compartilhei meus medos, minhas frustrações, meus sonhos.
E agora tudo isso acabou.
Restaram apenas lembranças, lembranças das quais eu morro de medo de esquecer.

Eu queria que ele estivesse presente na minha formatura, no meu casamento, no nascimento do meu filho.
Mas tudo isso será impossível agora.
E, por mais errado que pareça, às vezes me sinto culpado por pensar que ele foi egoísta em partir assim, sem nem ao menos se despedir.
Por que Deus fez isso comigo?
Com ele?
Um cara tão bom, tão incrível.
É revoltante.

Por causa disso, a lei decidiu que eu deveria morar com a minha "mãe", uma mulher que raramente esteve presente, que sempre colocou o trabalho e a carreira acima de tudo.
Tudo bem, nas poucas vezes em que eu passava as férias com ela, ela tentava compensar o tempo perdido, mas nada justifica o fato de ter aberto mão do próprio filho quando eu ainda era apenas uma criança de três anos.
Você já imaginou crescer sabendo que sua mãe simplesmente desistiu de você?

Mesmo assim, no fundo, eu sou grato.
Porque, apesar de tudo, ela me deu a chance de viver ao lado de um homem como o meu pai.

Sr. Patrick Campbell sempre foi incrível.

Professor de literatura, mas um aventureiro nas horas vagas.
Ele fugia da rotina do trabalho e se entregava ao esporte.
Nas noites de verão em Nova York, depois do expediente, íamos lutar boxe, andar de skate ou de bicicleta.
No inverno, esquiávamos.
Nos fins de semana, ele amava escalar e acampar.

Foram dias divertidos, cheios de vida e liberdade.
Mas agora tudo acabou.
E eu estou a caminho de uma cidade que mal conheço, longe dos meus amigos, da minha escola, do meu tio…
longe da minha vida.

Luna Onde histórias criam vida. Descubra agora