Sentei-me à mesa para almoçar e mal conseguia olhar para a garota.
De vez em quando, nossos olhares se cruzavam, e eu sentia o rosto esquentar. Rebeca conversava com ela, trocando algumas palavras, enquanto eu apenas comia em silêncio.
— Está tudo bem, meu filho? — perguntou curiosa.
— Sim, está.
— Por que está tão calado? — insistiu.
— Não tenho assunto — respondi.
Ela se calou.
— Bom, eu terminei aqui — falei, levantando-me e levando o prato até a pia.
Pela janela, o sol brilhava forte. O cachorro brincava no jardim, e a vida seguia normalmente.
Me apressei para ir ao quarto antes que a garota se lembrasse do passeio que eu, sem pensar, havia concordado em fazer.
— Josh? — ela me chamou antes que eu conseguisse escapar.
— Você não esqueceu do nosso passeio, não é?
— Ah, que maravilha! Você conseguiu convencer o Josh a sair, Luna? — disse Rebeca, animada.
Parei e me virei. As duas me olhavam fixamente da mesa. Procurei uma desculpa.
— Sabe o que é, Luna... eu tenho umas coisas pra fazer. Preciso organizar a mochila, o guarda-roupa... semana que vem começam as aulas pra mim e eu nem sei onde estão minhas camisas.
— Eu posso organizar pra você, meu filho — Rebeca se prontificou, desmontando minha desculpa. — Não pretendo sair hoje. Preciso arrumar umas coisas aqui. Está chegando o verão, e as roupas de frio estão ocupando espaço no armário.
Fiquei sem saída. Engoli em seco.
— Ah, vamos, Josh. Por favor — disse Luna, quase suplicando.
Perdi o foco por um instante.
Os olhos dela brilhavam, e eu... simplesmente não consegui dizer “não”.
— Okay — respondi. — Eu vou com você. Satisfeita?
— Aeee! — Luna e Rebeca comemoraram juntas.
Revirei os olhos, mas, por dentro, sorri. Um frio estranho percorreu meu estômago.
— Eu vou escovar os dentes e trocar de roupa.
— Okay, eu também — respondeu ela.
Entrei no quarto e tranquei a porta.
Não queria ir, mas não consegui negar.
Das duas vezes em que ela pediu, eu disse “sim”, querendo dizer “não”.
— O que há comigo? — sussurrei, encarando o reflexo no espelho.
Passei as mãos no rosto, respirei fundo e fui ao banheiro. Depois, troquei de roupa e saí. Luna estava na sala, me esperando.
Ela estava linda.
Usava uma saia azul-escura com estampa florida, camiseta branca, jaqueta jeans e tênis brancos.
O cabelo solto, um toque leve de maquiagem... e aquelas pintinhas no rosto que, por algum motivo, a deixavam ainda mais bonita.
Peculiar.
Era a palavra certa pra ela.
Fui despertado dos meus devaneios por Rebeca.
— Luna não está linda, meu filho?
Ficamos os dois constrangidos.
Luna corou. Eu só balancei a cabeça, sem conseguir responder.
— Bom, eu vou deixar vocês irem — disse Rebeca, pegando algo na bolsa.
— Tome — ela estendeu a mão com um punhado de dinheiro.
— Não precisa, eu tenho — recusei.
— Tome, ao menos guarde pra você.
— Okay — aceitei, guardando na carteira.
— Vamos? — disse a ela.
Saímos em silêncio. Alguns metros depois, Luna quebrou o gelo.
— Então, Josh... o que você gostava de fazer em Nova York?
— Ah, de tudo um pouco. Sair com meus amigos, andar de skate com meu pai, ir à academia... — suspirei ao lembrar.
— Eu sinto muito por ele — disse ela, em tom baixo.
Assenti com um olhar.
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Luna
عاطفيةDuas vidas que se encontram e o improvável acontece Sinopse Josh, sem vontade própria, volta a morar com a mãe depois de muitos anos , após perder o pai em um grave acidente. Só não esperava que com sua volta, o destino te trouxesse Luna...
