O dia parecia nunca acabar. Ou melhor, o domingo.
Luna foi pra casa logo cedo, assim que os pais passaram para buscá-la. Não os vi — eu ainda dormia —, mas Rebeca me contou depois.
Luna quase não falou comigo, apenas me olhava de canto.
Eu e Rebeca continuávamos na mesma: não conversávamos muito. Na verdade, eu quase não conversava com ninguém. Eu a evitava. Não conseguia... nada saía quando ficávamos sozinhos. Me sentia magoado e completamente perdido.
Ela fez o almoço, mas eu nem apareci na mesa. Escutei quando ela limpou a cozinha e depois entrou no quarto.
Passei o dia todo sem comer. Não tinha fome.
Quando foi por volta das três da manhã, levantei pra comer algo. Depois fui jogar online com alguns amigos de Nova York. No dia seguinte, minha recompensa foi estar mega atrasado pro primeiro dia de aula — o qual eu não estava nem um pouco a fim de ir.
Mas me levantei e corri pra me arrumar.
Entrei no banheiro, tirei a roupa apressado e me enfiei debaixo do chuveiro. Fiquei ali por alguns minutos, sentindo a água morna relaxar meus músculos tensos.
Fechei os olhos, deixando a água escorrer pelos cabelos e pelo corpo, até se perder nos meus pés.
E então o rosto dela surgiu na minha mente.
A garota com nome de lua.
Parecia tão real que quase senti o toque suave das mãos de Luna em meu peito — como no dia em que nos beijamos.
— Luna... — sussurrei. — Eu devo estar ficando louco.
Desliguei o chuveiro e saí apressado. Me sequei, me vesti e abri a porta do quarto. A casa estava silenciosa.
Fui até a bancada da cozinha. Havia um achocolatado, um sanduíche e um bilhete.
> “Josh, tive que sair mais cedo. Tenho uma reunião com os professores.
Apresse-se, senão vai se atrasar.
O ônibus escolar passa às 7h30 — ou use a bike que está na varanda.
Te aguardo na escola.
— Rebeca
P.S.: Levei o Alby comigo. Ele ficou no petshop.”
Mal dei uma mordida no sanduíche e já ouvi o motor do ônibus se aproximando. Larguei tudo na pia e corri — não queria ir de bicicleta logo no primeiro dia.
Entrei no ônibus e senti os olhares curiosos sobre mim.
Procurei por ela.
É, eu estava sentindo falta dela.
Luna.
Mas não a encontrei.
Procurei um assento vago e me sentei. A viagem foi rápida — uns dez minutos, talvez.
Quando chegamos, respirei fundo antes de descer. Assim que pisei no pátio, o pessoal do clube veio ao meu encontro.
— Não acredito que você veio de ônibus! — disse Georgia.
— E o que tem isso? — perguntei.
— Por que não veio com sua mãe? Ou nos avisou pra te buscar?
— Em Nova York eu cansei de andar de ônibus. Não vejo problema nisso.
— Agora você é da nossa turma! — disse Daniel, sorrindo. — Amanhã a gente passa na sua casa e te busca.
Por um instante, eu parei de ouvir.
Meus olhos ficaram presos na garota branca como a neve que passava apressada, abraçando os livros contra o peito.
Mesmo a metros de distância, eu podia ver o contorno do seu corpo fino na calça jeans desbotada, o moletom azul-marinho, as sardas delicadas nas bochechas, o pequeno nariz arrebitado...
Ela me olhou rapidamente e sorriu de canto antes de desviar o olhar e entrar na escola.
— Josh?! — Georgia me chamou.
— Hã? O quê?
— Estávamos falando com você!
— Sim, sim... ouvi. Vamos entrar.
Procurei minha sala e entrei.
Da galera do clube, só Ivan, Alana e Carll estavam na mesma turma que eu. Georgia e Fanny eram de outra.
Soube que Daniel e Ben haviam repetido de ano duas vezes. Eles odiavam estudar — vinham pra escola obrigados.
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Luna
CintaDuas vidas que se encontram e o improvável acontece Sinopse Josh, sem vontade própria, volta a morar com a mãe depois de muitos anos , após perder o pai em um grave acidente. Só não esperava que com sua volta, o destino te trouxesse Luna...
