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Pov Narrador
Quando a polícia chegou ao local, um silêncio ensurdecedor vinha de todos os lados. Parecia não haver uma alma viva naquele lugar, nem mesmo o vento ousava soprar. Enquanto todos se posicionavam ao redor da casa para fechar o cerco e evitar que Nanon fugisse, o som de dois tiros ecoaram no local, fazendo com que todos ficassem paralisados pelo choque.
- Não permita que seja ele. - Milk fez sua prece, para ninguém em especial.
Um grito sofrido, alto o bastante pra gelar os ossos de todos os presentes, soou de dentro da casa e antes que qualquer um pudesse assimilar aquela dor, a Delegada correu em disparada em direção a casa.
- Milk, não! - Bright chamou e correu atrás dela. E foi por terra toda a estratégia minuciosamente planejada pela equipe, dando início a uma caótica missão de resgate.
A mulher se sentia gelada, oca, apenas seu coração continuava a trabalhar, desesperado para mantê-la em movimento. O medo do que ela já tinha certeza, entorpecendo todo seu corpo. Ela não queria acreditar. Não podia acreditar que tinha sido Off, mas aquele grito já tinha sanado todas as suas dúvidas e agora era só uma questão de pura fé.
Ao adentrar na casa, seus olhos vasculharam todos os cantos, tentando assimilar o que via em sua frente. Um homem jogado próximo a um sofá, agarrado de forma desesperada a sua perna, agonizando em dor, e mais a frente, seu amigo. Seu irmão. Off estava com o corpo caído em cima de um Gun desesperado, que chorava copiosamente enquanto seu corpo era lavado pelo sangue daquele que amava. Apesar do estado deplorável do rapaz, ele tentava de todas as formas se agarrar ao corpo do namorado, buscava ter forças pra se erguer e salvá-lo.
Gun sentia a culpa como se tivesse tomado um copo de veneno. Foi por causa dele que eles estavam nessa situação, foi por não ter reconhecido os sinais e confiado demais que Off estava morrendo em cima dele, que inutilmente não tinha forças nem pra levantar. Sua vontade era desistir, deitar sua cabeça no chão e deixar sua vida se esvair, junto com a de Off. Até que, finalmente, pôde enxergar a esperança novamente.
- Salva ele, Milk. Por favor... - Sua voz quase não saiu, mas o desespero estampado em sua expressão, fez com que a mulher finalmente se movesse.
- Tragam a ambulância, agora! Off está baleado. - Ela gritou pelo rádio e Gun, sabendo que agora alguém faria o que não podia, se deixou vencer pelo cansaço.
- Não, Gun, não apaga! - Ele ouviu uma voz ao longe e o rosto da mulher entrar em seu campo de visão.
- Só salva ele, Milk. - Ele pensou ter pedido, mas não tinha certeza se realmente tinha dito as palavras, porque sua consciência desistiu e caiu em um sono profundo.
Do outro lado da sala, mesmo machucado e parcialmente debilitado, Nanon lutava e resistia à prisão, enquanto Bright, movido pela adrenalina, tentava se controlar pra não dar fim a vida do verdadeiro culpado por toda aquela situação.
- Seu filho da puta! - Ele cuspiu as palavras e passou a desferir socos no homem que não se permitia deixar de sorrir. - Eu vou tirar esse sorrisinho da sua cara! - As palavras o alcançaram, seguidas de um soco certeiro que arremessou sua cabeça contra o chão. Nanon vacilou. Sua visão escureceu momentaneamente para então voltar, repleta de pontinhos brilhantes. Mas ele estava satisfeito, não tanto quanto gostaria, mas ainda sim, satisfeito. Matar aquele policial tinha dado a ele tanto prazer quanto vingar seu pai o daria, e ele ia agarrar-se a essa vitória com unhas e dentes, porque sabia que isso era tudo que teria agora que nem mesmo sua vida lhe pertencia mais.
Pov Gun
Acordei me sentindo desesperado. Pulei na cama puxando o ar com força, erguendo o corpo. O som dos bips se alterando no monitor cardíaco entregando o estado atual do meu coração. Vi o Win se sobressaltando no sofá e vindo correndo em minha direção.
- Gun? O que aconteceu? Você tá bem? - Me pergunta apertando um botão ao lado da cama.
- Off? - Eu chamo. - Cadê o Off? Onde que ele tá? - Começo a arrancar os acessos do braço sem dar tempo pro Win responder. Enquanto me levanto da cama, ele tenta me impedir. - Cadê ele, Win? - Pergunto de novo e empurro ele pro lado, indo em direção a porta.
Eu precisava vê-lo, precisava saber que estava bem, que não tinha morrido. Uma dor agonizante veio da minha costela, o ar me faltou e eu caí com tudo no chão. Me encolho abraçando o corpo e gemo alto com a dor, as lágrimas fluindo rápido, sem que eu as pudesse controlar. Cada arfada em busca de ar, me trazia mais uma pontada de dor. Sinto um par de mãos me segurarem, mas não consegui abrir os olhos pra reconhecer.
- Ah, meu Deus, Gun! - Win choraminga.
Escuto um baque surdo quando a porta bate contra a parede e muitos passos vêm em minha direção. Eu não consigo me mover, a dor toma conta e a minha mente está coberta por uma névoa estranha, que ameaça me levar de novo.
- Senhor Atthaphan, nós vamos te levantar agora e levar de volta a cama. - Sem esperar minha resposta, eles me levantam do chão com cuidado, o movimento me causa outra pontada forte de dor, arfo novamente, em busca do ar que me falta.
- O senhor não pode levantar, precisa ficar em repouso absoluto. - Uma voz mais distante me avisa enquanto me botam em cima da cama. - O senhor tem 3 costelas quebradas e tivemos que conter uma hemorragia interna. - Tento focar no que ele está falando, mas tudo parece girar, incluindo meus pensamentos que se embaralham e misturam. - Adiantem a medicação pra dor, se ele não melhorar dentro dos próximos 15 minutos, apliquem outra dose para que possa dormir. - Arregalo os olhos e procuro de onde vem aquela voz.
- Eu não posso dormir, preciso ver o Off. - Tento me levantar de novo, mas sinto as mãos me manter preso contra a cama.
- Gun... - Escuto a voz do Win choramingando no canto do quarto. Olho em sua direção e vejo uma bagunça. Seus cabelos estão desgrenhados, seu rosto inchado, olheiras fundas sob seus olhos preenchidos em vermelho vivo.
- Senhor Atthaphan, preciso que me escute. - Respiro fundo tentando organizar meus pensamentos e ignoro a dor que isso me causa, - O senhor não pode se movimentar, entendeu? - Encaro o homem parado à minha frente e assinto pra ele, cendendo por hora. - Ótimo, agora podemos conversar. - Os maqueiros me ajeitam na cama e se afastam, dando espaço pro médico se aproximar. - Como eu estava dizendo, o senhor tem três costelas fraturadas, ainda não sabíamos se teria algum problema ocular por conta das lesões, mas parece estar bem, não é? - Pisco os olhos e encaro um ponto à minha frente, testando. Balanço a cabeça pra ele confirmando que está ok. - Ótimo! Pela forma que acordou, ainda tem todas as lembranças do ocorrido, não é? - Assinto de novo, apertando os lábios um contra o outro. Ele anota em sua prancheta. - O senhor precisa ficar por mais uns dias pra ser monitorado e descartar qualquer outra sequela. Ao seu lado tem dois botões. - Ele aponta. - Um é para chamar uma enfermeira e o outro para emergências. No mais, faremos apenas mais alguns exames pra saber se tudo se mantém no lugar depois do que acabou de acontecer. - Com a frieza que só um médico poderia ter, ele se despede e sai da sala, sem responder nenhuma das perguntas que martelam na minha cabeça. Encaro minhas mãos, a sensação de impotência tomando conta.
- Gun? - Win chama baixinho. Levanto o olhar pra ele e se aproxima. - Você tá bem? - Balanço a cabeça em negativa, sentindo meus olhos se encherem com uma nova remessa de lágrimas.
- E o Off? - Pergunto olhando em seus olhos, ele aperta os lábios e segura minhas mãos. Um soluço escapa por meus lábios.
- Ele está vivo. - Deito a cabeça contra o travesseiro e deixo o choro vir. - Ele perdeu muito sangue e não teria resistido se não tivessem socorrido ele a tempo. Todo mundo se mobilizou pra doar sangue pra ele. - Win aperta minhas mãos chamando minha atenção. - A polícia precisa conversar com você, querem entender o que aconteceu. - Seus dedos tocam meu rosto e acariciam minha bochecha. - Foi você que atirou no Nanon? - Ele me pergunta baixo, como se quisesse manter um segredo.
- Eu não podia deixar ele matar o Off, tinha que impedir ele. - Aperto sua mão de volta e fecho meus olhos revivendo a cena.
- Você conseguiu, Gun. - Ele segura meu queixo e ergue minha cabeça, me fazendo encará-lo. - Você o salvou quando ninguém mais podia fazer. - Eu o puxo e o abraço, chorando alto e sentindo o alívio me preencher.
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Dying for love
FanfictionApós a morte misteriosa de seu irmão, e sofrer uma ameaça direta, Gun Atthaphan é forçado a mudar toda sua vida e entrar em um programa de proteção. Off Jumpol, detetive de crimes violentos, é designado a investigar os mistérios de um assassinato se...
