Prólogo

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É de noite

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É de noite. Olho para as janelas gradeadas, e sinto o frio beijar minha face, como se fosse o toque da morte. Sei que hoje vou deixar este mundo, pois abri a boca para revelar um segredo que deveria ter levado para o túmulo. Mas não me importo, meu filho Jonas precisava saber da verdade para poder se defender de nossos inimigos ocultos.
Ouço gritos histéricos que me levam a tapar os ouvidos. Batidas de cabeça contra a parede se fazem presentes, e me afasto mantendo distância da entrada, cuja maçaneta se move, como se houvesse alguém lá fora. Contudo, é impossível ver os pés por debaixo da porta, e isso me leva a crer que eles estão aqui.
Eu preciso me defender. Só que não há nada útil no quarto para me ajudar a sobreviver. Por isso apenas me preparo para usar as mãos. Mas quando a porta se abre, sou lançada contra a parede que muda sua estrutura, transformando-se numa serpente de pedra que me sufoca com tanto ímpeto que me torno incapaz de me mover.
Tento me soltar de todo o jeito que consigo pensar, porém é em vão. As forças que estão me subjugando são mais fortes que eu. Portanto, só me resta ficar resignada e aceitar o meu fim. Sombras rastejam pela parede. Como repteis famintos. Todavia, antes de me atacarem, ouço o barulho de uma explosão e fecho os olhos para sempre.

 Todavia, antes de me atacarem, ouço o barulho de uma explosão e fecho os olhos para sempre

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